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Apurin realizam mutiro

Por: Carla Ninos/OPAN
E tambm intercmbio de experincias agroecolgicas.

Os indgenas recebem orientaes tcnicas dos consultores.
Foto de Carla Ninos/OPAN

Lábrea (AM) – O povo Apurinã, da terra indígena Caititu, trabalha desde o ano passado com sistemas agroflorestais, que é o uso e o manejo da terra e uma imitação da cobertura vegetal da floresta. Os SAFs favorecem a recuperação da produtividade de solos degradados através de espécies florestais, frutíferas e hortaliças.

Das 22 aldeias da TI Caititu, quatro foram escolhidas para receber essa ação do projeto Raízes do Purus, realizado pela Operação Amazônia Nativa (OPAN), com patrocínio da Petrobras. Durante o mutirão, as aldeias Novo Paraíso, Nova Esperança II, Tucumã e Idecorá, receberam 16 variedades de mudas, somando 490 mudas por aldeia, dentre as quais: castanha, cerejeira, cacau, cedro, mogno, graviola, laranja, coco anão, etc. Também foram distribuídas 20 variedades de sementes, totalizando 23 quilos de sementes por aldeia.

“O mutirão foi uma prática que a gente começou a fomentar com os Apurinã e percebemos que esse é um momento muito rico de troca de experiência, conhecimento, aprendizado, brincadeiras e também é um momento de união do povo”, reflete o indigenista da OPAN, Vinicius Benites.

Ao todo, umas 100 pessoas participaram do mutirão agroecológico, que foi abrilhantado pela participação dos povos indígenas que a OPAN trabalha e outros convidados como os Paumari do rio Tapauá (AM), Paumari do Marahã (AM), Jamamadi (AM), Ashaninka (AC), Xavante (MT), Myky (MT) e Sabanê (MT), além da presença dos consultores, Articulação Nacional da Agroecologia (ANA) e do Instituto Piagaçu (IPI), organização parceira.


Waldeci Ashaninka, Juliano Xavante, Valdir Saban, Marcelino Apurin, Domingos Xavante, Claudio Myky e Benki Piyanko Ashaninka.
Foto de Carla Ninos/OPAN

Esse encontro serviu para mostrar, primeiro para os povos do Médio Purus, a importância e a riqueza da agrobiodiversidade, valorizando, assim, suas culturas e seu uso tradicional. “A questão de trazer os outros povos que a OPAN trabalha no Mato Grosso, teve o objetivo de fazer com que eles conheçam os povos que a OPAN trabalha no Amazonas, fazendo com que todos ganhem muito com a troca de experiência e vendo como são os territórios, o que fortalece a OPAN e sua atuação, que ganha mais nome e mais força”, analisa Vinícius Benites.

Nos roçados foram realizadas ações práticas com orientação técnica dos consultores. Dicas sobre adubação natural com galhos e plantas e como fazer a cobertura do solo foram importantes ensinamentos para os indígenas. “Essa troca de experiência fortalece os povos e os nossos roçados”, comenta Cláudio Myky, da terra indígena Menkü (MT).


Claudio Myky trabalhando na cobertura do solo dos canteiros.
Foto de Carla Ninos/OPAN

Para Domingos Xavante, da terra indígena Marãiwatsédé (MT), um território marcado pelo desmatamento, mais de 60% da área é desmatada, provocado pelas décadas em que fazendeiros, posseiros e assentados ocuparam a terra; tudo o que foi repassado no mutirão foi importante e ele vai levar para o povo as novas técnicas aprendidas, principalmente, sobre a adubação dos canteiros e as dicas para a recuperação do solo.


Domingos Xavante anota todas as instrues dos consultores.
Foto de Carla Ninos

Para o agricultor e mestre em genética, biodiversidade e conservação, Henrique Sousa, um dos consultores do evento, a floresta Amazônica é muito rica em diversidade alimentar, mas, ainda assim, é preciso construir um entendimento agroflorestal com os povos. “Eu vejo que é completamente possível trabalhar as técnicas agroflorestais, mas além da técnica, precisa se trabalhar os métodos pedagógicos e entender os hábitos tradicionais dos indígenas”.

“Essa junção do conhecimento tradicional indígena com as técnicas dos estudiosos é muito produtivo, e o trabalho coletivo fortalece muito isso, porque você vai multiplicando esse saber não só na própria aldeia, mas nas outras que estão no entorno”, reitera o jornalista da Articulação Nacional da Agroecologia (ANA), Eduardo Sá.

Troca de sementes


Xavante e Ashaninka trocam sementes e saberes tradicionais.
Foto de Carla Ninos/OPAN

A feira de troca de sementes foi muito rica. Ao todo, 106 tipos de sementes foram levadas pelos povos e organizações. O Instituto Piagaçu, que trabalha com os agricultores ribeirinhos da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, localizada no baixo Purus, levou oito variedades de sementes como quiabo, maxixe liso, tomate, etc. “A gente também incentiva a coleta de sementes, com diferentes indivíduos da mesma espécie para ter variabilidade genética”, explica a mestra em agroecologia e desenvolvimento rural e pesquisadora do Instituto Piagaçu, Marina Koketsu Leme.

Os Ashaninka, que têm muita experiência com a agroecologia em seu território e são donos de uma grande diversidade de sementes tradicionais, resultado de pesquisas para resgatar a cultura alimentar do povo; levaram 42 variedades de sementes como 10 tipos de macaxeira, 10 de batata, duas de mamão, três de melancia, seis de milho, quatro variedades de pimenta, uma de cubiu, cinco de banana e uma de feijão fava.

“Eu vejo que a troca de sementes é um enriquecimento e uma forma de manter as sementes nativas dentro das terras indígenas. A gente sabe que a influência de fora, com essas sementes geneticamente modificadas, tem trazido para as aldeias a perda de muitas espécies e a troca é uma maneira de resgatar essa variedade que está sendo perdida”, comenta o pajé e liderança Ashaninka, Benki Piyanko.


Foto de Carla Ninos/OPAN

A troca de sementes também é uma forma de fortalecer a dinâmica alimentar e de produção, além do ganho de interação entre os povos. “Há também a troca de saberes tradicionais, como Apurinã ensinando os Xavante a fazer medicamento tradicional com base nas sementes que foram trocadas, os Ashaninka compartilharam seus conhecimentos, medicinal e cultural, com base nas sementes que trouxeram. Cada semente que foi trocada tem sua historia e sua importância para cada povo”, reitera o indigenista da OPAN, Magno Santos.

“Eu estou levando quatro espécies de milhos diferentes e daqui a uns anos vamos ver os excelentes resultados nos nossos roçados”, comemora Valdir Sabanê, da terra indígena Pirineus de Souza (MT).

Resgate da tradição espiritual

Uma parte da TI Caititu fica localizada próximo à rodovia Transamazônica e do município de Lábrea, e essa proximidade tem influenciado a vida do povo Apurinã, interferindo diretamente em seu modo tradicional de viver.

Por isso, o cacique Marcelino Apurinã, da aldeia Novo Paraíso, fez questão da presença dos Ashaninka, povo que mantêm as tradições e seus rituais, como o kamarãpi, cerimônia realizada durante a noite com a bebida feita de ayuaska, que se caracteriza pelo respeito e silêncio, interrompido apenas com os cânticos, que permite aos Ashaninka se comunicarem com os espíritos. Para eles, a bebida ajuda a adquirir o conhecimento de como se deve viver na Terra. As respostas a todas as perguntas dos homens estão acessíveis com o aprendizado xamânico, que é realizado através do consumo regular e repetitivo da ayuaska, durante anos.


Cacique Marcelino Apurin oferece bebida tpica aos Ashaninka.
Foto de Carla Ninos/OPAN

“Para nós Apurinã, foi importante a presença dos Ashaninka para o nosso resgate cultural e espiritual”, informa o cacique Marcelino.

Durante todas as noites do evento o pajé Benki Piyanko e o seu aprendiz Waldeci Ashaninka, realizaram curas e benzeram quem os procurava, além de realizarem as cerimônias com a ayuaska nas madrugadas.

“A minha vinda aqui não foi só para compartilhar os conhecimentos agroflorestais, mas também, para passar energia para as pessoas que estavam doentes espiritualmente e tive a felicidade de poder curar várias pessoas”, comenta Benki Piyanko.

 

Contatos com a imprensa

Carla Ninos – carla@amazonianativa.org.br

Telefones: 65 9958-6109 e 65 3322-2980

www.amazonianativa.org.br

www.facebook.com/raizesdopurus

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