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Imerso indigenista

Por: Dafne Spolti/OPAN
OPAN realiza semana de formao para aprimorar o trabalho de suas equipes.

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Membros e convidados participam de oficina sobre o diálogo intercultural com Severiá Maria Idioriê Xavante. Foto de Dafne Spolti/OPAN

Cuiabá, MT - A OPAN promoveu, de 13 a 19 de maio, uma semana de formação temática para atuação indigenista. Membros da instituição e convidados participaram de um curso em que foram abordados temas como mudanças climáticas, cadeias produtivas, diálogos interculturais com sociedades indígenas, além das ações desenvolvidas na instituição e sua lógica de funcionamento. A formação tem o objetivo de problematizar e discutir questões presentes no trabalho das equipes e de apoiar os novos integrantes, contando para isso com uma etapa especial para os recém-contratados: a semana do “Bakté”, realizada entre 4 e 12 de maio.

De acordo com a coordenadora técnica da OPAN, Lola Rebollar, um dos principais papéis da formação é preparar o indigenista para um diálogo profundo, provocando um refinamento do olhar para que ele se abra à compreensão de outras cosmovisões. Ela explicou que esse papel está relacionado a um projeto político muito claro que é apostar em um Brasil pluriétnico, que respeita e cuida da diversidade.

Segundo Lola Rebollar, a formação indigenista é uma das características mais marcantes da OPAN. A coordenadora disse também que seu formato é pautado pelas propostas dos indígenas, equipes e ações que a instituição desenvolve. Na formação deste ano, a programação foi influenciada pela abertura de um novo projeto na região do Médio Juruá e Médio Solimões visando o fortalecimento de cadeias produtivas de óleos vegetais e manejo pesqueiro e pela emergência da discussão das mudanças climáticas.

 

Mudanças climáticas e as alterações nos modos de produção e consumo

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Tasso Azevedo, do Observatório do Clima, fala sobre as projeções climáticas para os próximos anos. Foto de Dafne Spolti/OPAN

Este ano, na oficina sobre mudanças climáticas, o engenheiro florestal Tasso Azevedo, ativista social e coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases do Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, demonstrou, com as informações do Painel Intergovernamental em Mudanças Climáticas (IPCC), que a emissão desenfreada de gases já provocou o aquecimento do planeta e desequilíbrios climáticos que se expressam, de forma cada vez mais frequente, por calores e frios extremos, chuvas concentradas, grandes secas.

De acordo com Tasso, para conseguirmos viver sob um aumento de temperatura de no máximo 2ºC até o fim deste século – o que ainda permitiria à humanidade condições de se adaptar às mudanças do clima – devemos, entre outras coisas, eletrificar a humanidade (trocar os combustíveis fósseis por energia elétrica limpa), desativar termoelétricas (não renovando as autorizações para que funcionem), precificar o carbono globalmente, criar sistemas de armazenamento de carbono e zerar o desmatamento.

Agora, o desafio é tratar deste importante tema institucionalmente. “Temos que pensar sobre a importância das mudanças climáticas na vida dos povos indígenas, nos seus calendários sazonais, que estão diretamente ligados aos ritmos da natureza e como essas alterações climáticas os afetam”, diz Lola Rebollar.

Cadeias produtivas sustentáveis para a preservação da floresta

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Felipe Rossoni, do Instituto Piagaçu, destaca os benefícios das cadeias produtivas sustentáveis na Amazônia. Foto de Lola Rebollar/OPAN
 
Parceiro da OPAN na atuação na bacia do Purus, o pesquisador Felipe Rossoni, do Instituto Piagaçu (IPI), foi convidado para conversar sobre cadeias produtivas. Ele problematizou os ataques à Amazônia com a exploração excessiva dos recursos, o avanço do desmatamento, e os desequilíbrios biológicos. E observou que a população tradicional da região amazônica também está alterando a forma de lidar com os recursos naturais. No caso da pesca, a facilidade de conservação proporcionada pelo comércio de gelo e a disseminação do fio de plástico acentuou a retirada de peixes, sem seleção e em maior escala. Aliado a dificuldades de fiscalização, esses fatores têm tido consequências como a redução dos recursos pesqueiros.

Felipe Rossoni apresentou aos participantes a iniciativa de manejo do pirarucu com o povo Paumari do rio Tapauá, que reconheceu a OPAN como vencedora do Prêmio Nacional da Biodiversidade na categoria sociedade civil. Citou também os trabalhos do IPI com peixe ornamental acará-disco, como contrapontos às práticas exploratórias. Ele destacou que o estabelecimento das cadeias produtivas sustentáveis é importante não apenas pela questão financeira, mas especialmente pela questão simbólica, pela melhoria na autoestima das pessoas que fazem o manejo e mantém o rio com fartura de peixes a partir do uso sustentável de seus recursos.

Plácido Costa, coordenador do projeto Pacto das Águas, apresentou o manejo da castanha no noroeste de Mato Grosso com povos indígenas e extrativistas, realizado desde o Programa Integrado da Castanha (PIC) – que deu origem ao atual projeto. Ele ressaltou a organização e as escolhas feitas pelas comunidades, assim como os desafios relativos à comercialização, ao estoque e à periodicidade da produção. Durante sua fala, ele voltou sua atenção para os indígenas e a relação com o trabalho das organizações sociais. Alertou que um ponto fundamental na relação com os povos indígenas é o respeito aos compromissos pactuados.

O diálogo intercultural

Na oficina sobre a escuta e o olhar para o diálogo intercultural com sociedades indígenas, a educadora Severiá Maria Idioriê Xavante fez uma palestra singular provocando a sensibilidade para a relação com o próximo. Os participantes deixaram um pouco de lado o caderno, a caneta, o computador e praticaram a convivência com o outro. Severiá Xavante incentivou as pessoas a conhecer mais a fundo a história do colega, do que gosta, como são as suas famílias. Também orientou os indigenistas a tomar cuidado para não serem invasivos e a manterem o respeito com o próximo.

O professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Darci Secchi, que já foi membro da OPAN, trabalhou a questão da alteridade e da qualidade que deve ter a atuação indigenista. Ele focou na ativação dos sentidos humanos e desenhou uma escala com que, normalmente, utilizamos os nossos sentidos (visão, audição, olfato, tato e, por último, paladar). Quanto mais se utilizam os sentidos de proximidade, maior é a inserção com determinado povo. Esta conversa contribuiu para que os novos indigenistas observassem as melhores maneiras de se portar em meio a outra cultura, para não cometer gafes e construir um vínculo positivo nas aldeias.

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Dário Kopenawa apresenta as experiências de lutas e conquistas do povo Yanomami durante formação da OPAN. Foto de Dafne Spolti/OPAN.

Dário Kopenawa, filho do líder indígena Davi Kopenawa, representou o povo Yanomami na semana de formação e contou sobre a necessidade de visibilidade dos povos indígenas. Enfatizou que a sociedade dos não-indígenas se refere a esses povos com preconceitos (na mídia, na educação e em outros espaços). Dário Kopenawa gostaria que houvesse uma aproximação entre pessoas dessas diferentes sociedades: “eu conheci os não-indígenas. O contrário também poderia acontecer”, defendeu. Ele explicou sobre sua cultura e os problemas que sofrem em decorrência do garimpo e da ameaça de instalação de uma usina hidrelétrica em seu território. Deixou claro que seu povo está organizado para a defesa dos seus direitos.

Além das palestras externas, foram promovidas na semana de formação oficinas sobre a história da OPAN, sua estrutura e os trabalhos que desenvolve. Foi um processo de imersão nos temas considerados estratégicos e nas metodologias de intervenção indigenista, características desta instituição que aposta no engajamento de todos e de cada um. 

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