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Sade no lugar

Por: Dafne Spolti/OPAN
Com a memria de epidemias, povo Deni reclama a falta de medicamentos e cobra melhorias ao DSEI.

Umada Deni com livro de legislao indgena. Assembleia Aspodex. Foto: Dafne Spolti/OPAN.

Itamarati (AM) – Em 1992, uma epidemia de sarampo chegou à Terra Indígena (TI) Deni junto com trabalhadores que extraíam madeira e seringa na região. Quem pôde, foi embora de sua aldeia, se escondeu na mata buscando ficar longe dos kariva [“brancos”] que transmitiam a doença. Mesmo assim, houve muitas mortes. “Só sobraram 50 pessoas”, afirmam os Deni toda vez que falam do assunto. Tal acontecimento não só deixou um trauma na vida de todos, mas também intensificou a preocupação dos Deni com a saúde. Hoje, cientes dos riscos, eles reclamam a falta de remédios fundamentais para o atendimento e reivindicam melhorias ao Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) de Tefé.

Para cuidar da saúde o povo Deni utiliza diversos tratamentos, complementares entre si. Vabishi Varasha Deni, da aldeia Itaúba, mostrou opções de plantas medicinais, como o poderoso zeru, utilizado para curar lesões. “Uma vez essa minha filha estava com muita ferida. Remédio comprado não adiantou, não. Aí, com o zeru ficou amarelinho e depois sarou”, contou, explicando que para prepará-lo bastava aquecer a folha por uns segundos no fogo e depois esfregá-la entre as mãos. Tubuva Kuniva Deni, representante das mulheres naquela aldeia e grande conhecedora de plantas medicinais, ensinou também como fazer remédio para gripe à base de copaíba e uma planta chamada moranguinho, que ela cultiva atrás de sua casa.

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Zeru à esquerda. Vabishi e Tubuva à direita. Fotos: Adriano Gambarini/OPAN

Outra forma de cuidado entre os Deni é o trabalho dos pajés. Em uma conversa informal, o professor Misiha Bukure Deni, da aldeia Morada Nova, contava sobre seu papel fundamental e tão respeitado. “Zupinehe [pajé, na língua deni] tem que ser muito corajoso”, destacou, se referindo ao processo de formação pelo qual passa. No dia anterior à conversa, sua filha estava com muita dor de ouvido. “Dor, dor mesmo”, enfatizou. Ele chamou o pajé, que foi até sua casa, fez orações e conseguiu que passasse a dor. Mas Misiha logo destacou: “para doença mesmo, é só remédio”, marcando a preocupação com doenças mais graves.

A partir da clareza sobre a complementariedade dos tratamentos e da ciência de seus direitos, garantidos na lei 9.836/1999, que estabelece o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, os Deni têm lutado para que não faltem medicamentos. No mês de agosto, os remédios para tratar malária – doença perigosa e muito frequente – seriam suficientes para no máximo três pessoas adultas em um universo de 830 indígenas do povo Deni e 294 do povo Kanamari da TI vizinha, também atendidos pelo Polo Base de Saúde da TI Deni, na aldeia Morada Nova. Também não havia medicamentos e insumos de menor complexidade como paracetamol, xaropes, soro fisiológico e luvas.

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Prateleria de medicamentos e Polo Base de Saúde. Fotos: Dafne Spolti/OPAN.

A agilidade para o transporte entre as aldeias e o polo base é outra preocupação. Durante sua 11ª Assembleia da Associação do Povo Deni do Rio Xeruã (Aspodex) discutiram horas sobre saúde, colocando em questão a falta de combustível, o que exige que consigam, por eles mesmos, levar os pacientes. Foi falado na assembleia que o cálculo para entrega da gasolina é definido com base no inverno amazônico, quando os rios ficam cheios e o transporte mais rápido e barato. Portanto, no verão (período em que os rios ficam baixos e os deslocamentos mais demorados) não é suficiente.

De acordo com o coordenador DSEI de Tefé, Narciso Cardoso Barbosa, responsável pelo atendimento do Polo Base da TI Deni, os medicamentos já chegaram. Ele explicou que a demora se deu porque a balsa que os transportava ficou presa no rio, que estava seco. Segundo o coordenador, a medicação de agora será para um período de seis meses. Antes, eram enviados de três em três meses – mas com recorrentes atrasos. No ano passado também faltavam medicamentos na terra indígena. Mas o motivo foi outro. De acordo com Narciso, ocorreram por problemas na licitação para compra dos materiais.

Em relação ao combustível, o coordenador disse que se o cálculo estiver errado, baseado no inverno, é preciso mudar. “Se estiver assim a gente tem que corrigir essa distorção. A demanda tem que chegar aqui para a coordenação definir”. Ele disse ainda que antes deixavam mais combustível com os agentes indígenas de saúde (AIS), mas que acabavam usando para outras finalidades como para pescar. Diante disso a decisão tomada foi deixar apenas uma cota de emergência nas aldeias.

Saúde para todos

Em sua 11ª assembleia, os Deni redigiram uma carta com reivindicações para o DSEI de Tefé, junto aos Kanamari e com apoio dos Kulina da TI Matatibem presentes. Além dos medicamentos e do combustível, pedem uma estrutura nova para o polo base, manutenção das embarcações, construção de mini polos em todas as aldeias, disponibilização de ambulância para fazer o transporte entre o porto e o hospital em Itamarati e a construção de poços artesianos nas aldeias Terra Nova e Morada Nova (Deni), Santa Luzia e São João (Kanamari). O coordenador do DSEI disse que não se recorda de ter recebido a carta, mas que irá verificar seu recebimento.

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Assinatura de documentos - assembleia da Aspodex. Foto: Dafne Spolti/OPAN.

Os indígenas Kulina do Matatibem também aproveitaram a assembleia da Aspodex para discutir sobre a saúde em sua terra indígena. Reivindicam aparelhos de radiofonia para se comunicar com o município de Carauari, presença frequente de enfermeiros nas aldeias e um atendimento humanizado, envio de medicamentos e insumos, defumação e dedetização do polo base com mais frequência, embarcação e motores, combustível e a contratação de motorista para deslocamento dos pacientes. Com apoio dos Deni e dos Kanamari fizeram uma carta que será enviada ao DSEI de Tefé após assinatura de outros moradores de sua terra indígena.

* Com contribuições de Tarsila dos Reis Menezes/OPAN.

Contatos com a imprensa

Dafne Spolti

dafne@amazonianativa.org.br

(65) 3322-2980 / 9 9223-2494

 

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