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Todos ganham

Fonte: Dafne Spolti/OPAN
Povo Deni vai contemplar os interesses coletivos com os benefcios da sua pesca de pirarucu.

Carauari (AM) – Sempre conservando seu território, com uma clareza sobre a importância dos rios, dos peixes, da caça e de um ambiente saudável, o povo Deni vem se dedicando, desde 2009, ao manejo sustentável de pirarucu. Dando um passo de cada vez ao longo dos anos, fizeram em 2016 uma pesca experimental de 10 peixes para consumo próprio seguindo as diretrizes do manejo, e no mês de agosto irão realizar sua primeira pesca comercial. Antes que ela chegue, porém, os Deni discutiram de que maneira repartir os recursos ganhos. Definiram que serão destinados a todo o coletivo e que ficarão sob gestão da sua Associação do Povo Deni do rio Xeruã (Aspodex). Metade do valor será para despesas da próxima pesca, em 2018; metade para projetos voltados à gestão da Terra Indígena Deni.

A discussão foi realizada na aldeia Itaúba, que recebeu participantes das outras comunidades do rio Xeruã – cerca de 90 pessoas ao todo – com fartura de farinha, carne de caça, peixe e caiçuma de cará e buriti para aquele momento importante, durante a oficina de repartição de benefícios e logo na sequência de uma formação em gestão financeira, ambas atividades do projeto Arapaima: redes produtivas, executado pela OPAN com recursos do Fundo Amazônia.

Quem propôs essa forma de repartição foi Tabaha Kuniva Deni, liderança das mulheres da aldeia Boiador, que falava enfaticamente a todos no segundo dia em que avaliaram as possibilidades. Os Deni também contaram com informações técnicas do especialista em pesca e manejo participativo, Felipe Rossoni, que facilitou a atividade, explicando sobre os gastos necessários para as diversas etapas do manejo e a importância de poupar dinheiro para isso de forma que tenham autonomia. “Os manejos que caminham melhor são esses que se preocupam em reservar as coisas, os peixes, fazer a vigilância do território e esse lado financeiro também”, disse ele.

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Tabaha Kuniva Deni. Foto: Adriano Gambarini/OPAN.

O consultor destacou a notabilidade dessa decisão dos Deni, tão voltada ao coletivo, ainda mais em meio a uma sociedade pautada predominantemente pela busca de capital. “Não importa muito o que a gente vai ganhar com a grana, importa que a gente vai se fortalecer com isso”, diz Felipe Rossoni trazendo uma a reflexão que observa nos Deni. Ele mencionou que outro ponto positivo da divisão é que no começo do trabalho os ganhos iriam representar muito pouco individualmente, mas juntos podem gerar benefícios para todas as aldeias. Rossoni frisou aos Deni, porém, que eles podem rever a forma de repartição de ganhos, destinando parcelas individualmente a quem trabalhar no manejo, por exemplo (uma possibilidade bastante discutida), em outras pescas, se assim desejarem.

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Propostas de repartição de benefícios. Foto: Arquivo/OPAN.

Além de todas as atividades do manejo os Deni têm feito outros planos voltados à gestão de seu território, o que tem se qualificado com a realização das oficinas de organização comunitária do projeto Arapaima. Isso foi um aspecto central na tomada de decisão sobre o destino dos recursos do manejo. Na formação em gestão financeira, ministrada pela coordenadora financeira do projeto, Rochele Fiorini, logo antes da reunião de repartição de benefícios, trataram, além dos procedimentos burocráticos de uma associação, incluindo prestação de contas, sobre a elaboração de projetos de gestão territorial. “Esses projetos a serem desenvolvidos com recursos do manejo podem ser os que foram discutidos por eles. Realização da assembleia, abertura de picadas, vigilância territorial. Atividades que precisam de apoio externo, da aquisição de combustível, de materiais, equipamentos etc.”, explicou ela. Fiorini destacou o quanto foram positivas as atividades: “Foi muito importante e interessante o envolvimento deles e a preocupação que eles têm de estar trazendo melhorias para a qualidade de vida do povo Deni”, destacou.

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Elaboração de projetos na formação de gestão financeira. Foto: Arquivo/OPAN.

Com os pés no chão, muitos avanços

Este momento do povo Deni mostra uma imensa ascensão que eles vêm construindo ao longo dos anos em torno de sua terra indígena e com uma parte bastante significativa durante a execução do projeto Arapaima: redes produtivas. “Isso é resultado de todo aquele histórico que a gente já conhece, de todas as lutas que eles tiveram até o reconhecimento do território deles. Então esse compromisso que eles têm com a terra eu acho que reflete diretamente nas ações do projeto”, avalia o indigenista da OPAN Renato Rodrigues Rocha.

O manejo sustentável de pirarucu também teve grande avanço de 2015 para cá. No período entre o fim do projeto Aldeias (2009 a 2011), quando a OPAN começou a apoiar a atividade junto aos Deni, e o início do projeto Arapaima, eles continuaram realizando procedimentos dessa atividade, como a vigilância territorial (que já fazem desde o período da demarcação) e o monitoramento dos lagos, onde puderam constatar o nível de conservação conquistado. “Eu vejo que para eles o aumento do pirarucu nos rios, nos lagos, simboliza muito a conquista da autonomia sobre a terra”, disse Rocha. Além dessas atividades, outras etapas do manejo foram trabalhadas no projeto Arapaima, de forma que agora eles têm a visão global do processo.

Um dos aspectos do fortalecimento do manejo foi a compreensão da sua relação intrínseca com a organização comunitária, como destacou a indigenista da OPAN Tarsila dos Reis Menezes: “Sabem que para o manejo precisam se unir”, disse. Tal reflexão ficou muito marcada na oficina de repartição de benefícios, quando Bunarivi Varasha Deni, conhecido como Doutor Barros, relacionou o amadurecimento da Aspodex com a atividade: “A associação e o manejo eram crianças e foram crescendo e agora casaram”, disse ele.

Também Felipe Rossoni destacou que, caminhando um passo de cada vez, o povo Deni está maduro agora para a atividade. Ele observou que foi importante a continuidade do manejo no período em que ficaram sem apoio direto para isso, entre o término do projeto Aldeias e o início do projeto Arapaima, porque isso deu a eles uma possibilidade melhor de se adequarem à sua própria dinâmica, de construírem um manejo de pirarucu próprio, com sua identidade. “Parece que tem dado o tempo de eles fazerem o manejo com a identidade deles, a cara deles, o que é mais importante”, disse.

Para os indigenistas Tarsila e Renato, um dos desafios agora para os Deni e que também evoluiu com o projeto Arapaima, é o fortalecimento de sua articulação com o entorno – não apenas com as unidades de conservação – para pensar o território e a conservação de forma integrada entre indígenas e ribeirinhos da região. Isso feito e mantidas as ações já em andamento, a equipe da OPAN avalia que haverá para os Deni ainda melhores perspectivas. “Com a continuidade da OPAN, CIMI e outros parceiros, e mantendo intercâmbio com o entorno, vão ter autonomia e no futuro Aspodex vai ser referência na região”, disse Tarsila Menezes, destacando as possibilidades de maior participação da associação no movimento indígena e o aumento da visibilidade dos Deni e outros povos da região, o que deve potencializar novas conquistas.

Mais informações:

Projeto Arapaima: redes produtivas

Contatos com a imprensa

Dafne Spolti

dafne@amazonianativa.org.br

(65) 3322-2980

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