Nambiquara (TIs Pirineus de Souza e Tirecatinga)

Nambiquara é um nome genérico para designar um conglomerado de 30 sub-grupos afiliados a um mesmo tronco linguístico, considerado isolado, e ocupantes de três espaços ecologicamente diferenciados: a Serra do Norte, o Vale do Guaporé e a Chapada do Parecis. O termo Nambiquara, que em língua tupi significa "orelha furada", passou a ser amplamente utilizado para fazer referência a este povo a partir dos contatos com os integrantes da Comissão de Linhas Telegráficas, a Comissão Rondon. No entanto, para os Nambiquara, esses sub-grupos compõem uma unidade maior, apesar de diferenças dialetais. Para eles, o que determina o critério de pertencimento destes sub-grupos ao agrupamento maior são os furos no septo nasal e lábio superior.


O território tradicional Nambiquara se estende desde o oeste do estado de Mato Grosso, até o sul de Rondônia, entre as cabeceiras dos rios Juruena, Guaporé e Madeira. Atualmente, a população está dividida em nove terras indígenas não contínuas, em um mosaico com outros territórios inseridos no complexo da soja de Mato Grosso. Elas são consideradas ilhas de biodiversidade e, no seu conjunto, como corredores ecológicos que ainda garantem a conservação dos recursos hídricos para região. São elas: Vale do Guaporé, Pirineus de Souza, Nambiquara, Lagoa dos Brincos, Taihãntesu, Pequizal, Sararé,  Tirecatinga e Tubarão-Latundê. 

Nesse novo contexto em que a regularização fundiária garante direitos territoriais, mas por outro lado limita o acesso à porções do território ancestral não contempladas na demarcação, os Nambiquara  buscam formas inovadoras de associar suas práticas tradicionais com novas técnicas de manejo, tendo em vista demandas que surgem da interação com a sociedade capitalista.

 

Breve histórico de atuação da OPAN

A primeira presença da OPAN entre os Nambiquara Alotesu/Aklitesu de Sapezal ocorreu no ano de 1972 com o desenvolvimento de dois trabalhos: o primeiro era um apoio a comunidade na comercialização de látex e artesanato, compra de materiais e bens de consumo como ferramentas, roupas e utensílios domésticos. O segundo trabalho foi através da presença de um representante da OPAN convivendo permanentemente com este povo, atendendo casos de saúde, alfabetizando jovens e participando do dia a dia das famílias. Posteriormente, em vários momentos foram realizados trabalhos nos campos da agricultura com apoio às roças tradicionais, quintais produtivos, captação de água, formação de pomares e, especialmente, incentivo à construção de casas de flauta e à cultura. 

Nos anos 2000, a OPAN desenvolveu atenção básica de saúde. Foram os três primeiros anos sem um único óbito na história do povo Nambiquara.

Desde 2012, o Projeto Berço das Águas passou a atuar nas terras indígenas Tirecatinga e Pirineus de Souza, desenvolvendo ações de apoio à produção de alimentos por meio do fortalecimento das práticas agrícolas tradicionais em diálogo com novas técnicas, especialmente a implementação de SAFs, fortalecendo a biodiversidade dos quintais das casas nessas TIs. 

Na Terra Indígena Tirecatinga, vivem majoritariamente representantes do grupo Wakalitesu e dos grupos Halotesu e Sawentesu. Já a Terra Indígena Pirineus de Souza é composta por representantes dos grupos Sabanê, Manduca, Tawandê, Idalamarê, Nechuandê e Ialakolorê. Juntas, essas áreas somam 158 mil hectares na região de transição entre o Cerrado e a Amazônia, no noroeste de Mato Grosso.