Jamamadi

Atualmente o povo Jamamadi habita seis terras indígenas distribuídas na região do Médio Purus, no estado do Amazonas. Eles ocupam áreas de mata de terra firme e as florestas ombrófilas densas dos platôs baixos.

Gradativamente este grupo que fala a língua Arawá conseguiu recuperar sua população após doenças e violências perpetradas por seringueiros, caucheiros e pistoleiros durante os dois ciclos da borracha. Tudo isso fez com que os Jamamadi fossem considerados quase extintos no início do século XX.

Para tentar protegê-los o governo federal instalou em 1930 o Posto Indígena Manauacá, do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), no rio Teunini. Nesse período foi registrado que 85 Jamamadi moravam por lá, mas em 1945 apenas 28 indígenas sobreviviam ali.

Entre 1940 e 1960, juntamente com outros povos da região entre os rios Juruá e Purus, os Jamamadi foram alvo de expedições de extermínio, em particular no rio Pauini. Os Jamamadi também relatam que uma série de epidemias os contaminou em meados do século XX e que estas podem ser uma das causas que desencadearam diversas migrações forçadas.

Com a promulgação da Constituição Federal em 1988, que garantiu aos indígenas seus territórios ancestrais, foram sendo demarcadas e homologadas as TI Indígena Camadeni, TI Inauini/Teuini, TI Igarapé Capanã, TI Jarawara/Jamamadi/Kanamanti e TI Caititu, o que contribuiu muito para que este povo fosse se recuperando em termos demográficos. Dessa forma, dados apontam que atualmente chegam a cerca de 900 indígenas. Vale observar que ainda está em processo de identificação a TI Jamamadi do Lourdes.

Breve histórico de atuação da OPAN

A OPAN realizou seus primeiros contatos com os Jamamadi no sentido da atuação indigenista durante a vigência do Projeto Aldeias (2009-2011), quando a instituição se envolveu em trabalhos junto aos povos isolados da região do Médio Purus. Naquela época, a OPAN atuava mais diretamente junto à Frente de Proteção Etnoambiental do Purus (Funai), na divisa da Terra Indígena Hi Merimã e a TI Jarawara/Jamamadi/Kanamati, de isolados.

Naquela oportunidade, os Jamamadi demandaram um apoio mais sólido por parte da OPAN para que fossem fortalecidos sua organização social e o trabalho de manejo de produtos florestais não madeireiros dentro da TI Jarawara/Jamamadi/Kanamati.  

Este pedido foi atendido a partir de 2011, e incluído no projeto “Conservação da Biodiversidade em Terras Públicas da Amazônia”. A OPAN passou a atuar, portanto, na Terra Indígena Jarawara/Jamamadi/Kanamanti, homologada em 1998 com 390.233 hectares. Ela faz divisa com a TI Banawá, TI Hi-Merimã (índios isolados) e a Reserva Extrativista do Médio Purus. Os Jamamadi dividem esta terra com os Jarawara, com uma população de 530 pessoas.

A partir daí, foram realizados trabalhos de manejo participativo e a construção de um plano para uso sustentável de produtos florestais não madeireiros com os Jamamadi, especialmente voltado à extração da copaíba. Uma das consequências do fortalecimento do manejo Jamamadi foi a diminuição da pressão sobre o território da TI Hi Merimã, para onde os indígenas transitavam para extrair a copaíba.

Nos trabalhos, foram desenvolvidos ainda diversos encontros para o aprimoramento das boas práticas do manejo de produtos não madeireiros, quando, por exemplo, foi reconhecida a importância de não mais se usar o machado para a extração do óleo, mas o trado foi introduzido para manter a copaibeira viva. Os resultados com essas intervenções foram a melhoria da qualidade dos óleos e o início da recuperação das árvores que já haviam sido furadas de forma indevida.

Paralelamente, os Jamamadi inauguraram uma parceria com a Cooperativa Mista Agroextrativista do Sardinha (Coopmas), que começou a comercializar a produção manejada dos óleos naturais indígenas. Anteriormente os Jamamadi vendiam o litro do óleo de copaíba a R$ 12. Com a entrada da parceria e das boas práticas, eles agregaram valor ao produto e passaram a vender a mesma quantidade a R$ 24, havendo um aumento de 100% no preço final.  

A OPAN também desenvolveu trabalhos junto aos indígenas no contexto da gestão territorial da TI Jarawara/Jamamadi/Kanamati, de forma cadenciada e concreta. Um dos pontos altos da intervenção indigenista da OPAN é que, após 15 anos da demarcação da TI, os Jamamadi conhecem a localização dos marcos geodésicos. Uma expedição para reconhecer o território foi o ponto inicial para a elaboração de mapas e discussão do plano de gestão territorial Jamamadi, com o qual a OPAN vem apoiando sua elaboração no âmbito do projeto Raízes do Purus, desde agosto de 2013.