Manoki

As primeiras referências aos Manoki datam de 1910 e foram registradas por Marechal Rondon. Em meados da década de 40, os indígenas foram vítimas de massacres cometidos por seringueiros, conflitos com povos vizinhos e doenças. A maioria deles se dirigiu para a Missão Jesuíta Utiariti buscando refúgio. Nessa época, a população chegou a ser reduzida a 52 pessoas. Lá, foram proibidos de falar a sua língua, obrigados a seguir uma rotina religiosa e de trabalhos domésticos na agricultura e na mecânica. Foram incentivados os casamentos interetnicos com Nambiquara, Paresi, Kayabi e outros povos da região.

Em 1968, estimulados pelos missionários jesuítas de Utiariti, os Manoki deixaram o internato e se estabeleceram na atual Terra Indígena Irantxe, com cerca de 45 mil hectares, entre as cidades de Campo Novo do Parecis e Brasnorte (MT), em pleno Cerrado. As áreas tradicionalmente ocupadas pelos Manoki, formadas por mata de galeria em transição para floresta amazônica entre os rios Cravari e Sangue, ficaram de fora do traçado da demarcação. Por isso, desde aquela época, foi iniciado um movimento que ganhou força a partir dos anos 90, para a ampliação do território Manoki.

Nas décadas de 70 e 80, a região da bacia do rio Juruena, onde vivem os Manoki, foi velozmente ocupada por grandes fazendas de grãos e gado, na medida em que também eram abertos novos municípios com a ajuda de empresas públicas e privadas de colonização. Esse conturbado e complexo processo histórico está caracterizado por inúmeras tentativas de integrar esse povo à uma identidade nacional, desfavorável a manutenção e reprodução de seus próprios referenciais físicos e culturais.

Entre os anos 2000 e 2008 a Terra Indígena Manoki foi identificada e demarcada, contemplando a posse das áreas de uso tradicional. No entanto, proprietários ainda mantém cultivos na região e ameaçam locais sagrados e remanescentes florestais protegidos pela terra indígena. Graças ao estímulo ao desmatamento e a ocupação da terra indígena por não índios, o município de Brasnorte passou a figurar entre os que mais desmataram a Amazônia Legal entre 2011 e 2012. De acordo com relatório de impactos socioambientais na TI Manoki, realizado em parceria com a OPAN em 2011, o território Manoki sofreu 20% de desmates até aquele ano.

Em 2012, a população Manoki atinge cerca de 460 pessoas, distribuídas em sete aldeias a margem direita do rio Cravari, que mantém firmes a luta pela homologação e desintrusão de seu território.

Breve histórico da atuação da OPAN

Os primeiros contatos da OPAN com o povo Manoki aconteceram no início da década de 70, quando os indígenas se tornaram parceiros da Missão Anchieta (MIA). Até 1999, a OPAN não manteve ações específicas com os Manoki, quando foi criado o Projeto Kiwxi, propondo ações integradas junto aos povos Myky, Manoki e Enawene Nawe.

A OPAN retomou o trabalho com os Manoki efetivamente no ano 2000, através da atenção à saúde no convênio com a Funasa até seu término, em 2011, tendo um desempenho muito elogiado em avaliações internas e externas. Naquela época, desenvolveu programas na área de economia, defesa do território e apoio às formas próprias de organização interna no âmbito do “Projeto de Apoio ao Trabalho com Povos Indígenas no Mato Grosso”, promovendo atividades como cursos de horticultura, fruticultura, avicultura e apicultura, dentre outras.

Com apoio da Associação Indígena Watoholi, os indigenistas da OPAN atuaram em conjunto com os Manoki nas atividades de reocupação da terra tradicional reivindicada, por meio de expedições de caça e pesca, plantio de roças e construção de casas tradicionais viabilizadas pelo Programa de Desenvolvimento dos Povos Indígenas da Amazônia (PDPI) no financiamento do Projeto de Defesa e Proteção da Terra Manoki.

Nos últimos anos, a OPAN tem apoiado iniciativas e modelos de gestão dos Manoki na reocupação do território tradicional, estimula atividades ligadas à segurança alimentar dos Manoki (piscicultura, apicultura e agricultura), contribui com a formação de uma rede de comercialização dos excedentes de produção como forma de geração de renda, fomentou a discussão sobre política lingüística e o estudo e o uso da língua Manoki, assessorou a construção do Projeto Político Pedagógico da Escola Manoki e realizou oficinas de produção audiovisual.

De forma continuada, a OPAN oferece também oportunidades de capacitação para os indígenas na elaboração e implementação de projetos, estimulando, assim que tenham autonomia para sua gestão administrativa e política. Esta é uma das maneiras em que a OPAN apoia a Associação Watoholi.

Desde 2011, o povo Manoki participa do Projeto Berço das Águas, que apoia a elaboração de planos de gestão territorial indígena dos povos Manoki, Myky e Nambiquara da Terra Indígena Pirineus de Souza. O projeto é executado pela OPAN com patrocínio da Petrobras. Ele se baseia na identificação de ativos ambientais relevantes nos territórios indígenas visando o uso sustentável dos recursos naturais por meio da conservação dos ecossistemas e da valorização de práticas tradicionais.