Facebook - OPAN Google+ - OPAN Twitter - OPAN Youtube - OPAN

Notcias

SELECT m.*, IF(LENGTH(fotos)<15 AND galeria=1,(SELECT id FROM w186_post_fotos WHERE post=m.id ORDER BY principal DESC, id LIMIT 1),fotos) AS fotoprinc FROM w186_post AS m WHERE m.id=435 - 435

Um brilho a mais

Por: Dafne Spolti/OPAN
Mulheres Deni aprimoram tcnicas de artesanato tradicional com apoio das moradoras da RDS Aman, fortalecendo trocas culturais.

Foto: Tarsila dos Reis Menezes/OPAN.

Itamarati-AM – As indígenas Deni do rio Xeruã aperfeiçoaram com parceiras da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Amanã suas técnicas de pintura e de acabamento de cestos tradicionais, pensando em melhorar os utensílios para comercializá-los e ampliar fontes de renda. Mais do que uma atividade voltada à economia, porém, o momento foi de troca cultural e de uma alegria típica Deni, aumentada pelo colorido dos tingimentos trazidos pelas moradoras da RDS.

A oficina de artesanato, realizada por meio do projeto Arapaima: redes produtivas, executado com recursos do Fundo Amazônia, durou cinco dias na aldeia Morada Nova, reunindo ainda indígenas das aldeias Terra Nova, Boiador e Itaúba. Apesar de ser voltada a elas, os homens também se envolviam, produzindo paneiros (utilizados no dia a dia para carregar grandes volumes) e observando a arte das mulheres. “Muitos questionavam: ‘Esse aqui foram elas que fizeram? Tá muito bonito, eu vou querer um!’. Lisonjeadas, as mulheres continuavam seus trançados, meio à conversas, gargalhadas, piadas e histórias, muitas delas protagonizadas por Ziberuni, a líder na aldeia Morada Nova”, contou a indigenista da OPAN, Tarsila dos Reis Menezes, que organizou a atividade com as Deni. Nem mesmo nos intervalos o trabalho parava. “Elas não tinham limite, não. Tinha almoço e elas continuavam a tecer na casa delas. Cada uma fez duas, três cestas”, destacou.

Imagem2.jpg

Foto: Tarsila dos Reis Menezes/OPAN.

“Sem mudar o estilo de seu trabalho, as Deni puderam conhecer tinturas novas, lembrar outras antigas e aprimorar o acabamento dos produtos”, explicou a indigenista Rosa Maria Monteiro, que retornava à região onde atuou nos anos 90 para contribuir com as oficinas. Depois de dois dias para limpeza da planta arumã, das quais são feitos os cestos, os filetes foram mergulhados nos caldeirões coloridos com o amarelo do açafrão-da-terra e os tons avermelhados do crajiru, uma erva utilizada também como remédio tradicional. Geralmente elas tingem com cores conseguidas a partir de jenipapo, casca de ingá e, às vezes, urucum. Com as oficinas, também extraíram por conta própria lascas de pau-brasil para conseguir tintura vermelha.

Imagem3.jpg

Realizando tingimento com crajiru. Foto: Tarsila dos Reis Menezes/OPAN.

No acabamento, utilizaram o óleo de andiroba para dar brilho e maior durabilidade às peças. Para o indigenista Vinícius Benites Alves, coordenador do projeto Arapaima, o uso das tinturas e da andiroba incentiva os diversos usos dos produtos florestais não madeireiros para melhoria da qualidade de vida das indígenas “Elas tomam como remédio, usam no cesto, fazem a coleta das sementes”, disse, pensando ainda numa perspectiva de gestão sustentável do território e da geração de renda.

Além de melhor estética e funcionamento dos cestos, mantendo o estilo Deni, as indígenas aproveitaram o momento para inventar novas cestarias, com tamanhos diferentes, bordas, tampas. Também fizeram peneiras e luminárias. Elas ensinaram suas técnicas às professoras da RDS Amanã, Rosenize Assis Amaral e Maria Erly das Chagas de Oliveira. “Gostamos muito de estar aqui fazendo esse trabalho. A gente aprendeu várias coisas com vocês. Não apenas ensinamos. Aprendemos a fazer tipiti [utensílio para tirar a água da macaxeira], a trançar cestos de cipó-titica, a trançar de um modo diferente”, disse Erli às Deni. Após as oficinas, os ensinamentos continuaram nas outras aldeias Deni do rio Xeruã, pelo compartilhamento do aprendizado com as mulheres mais novas e sempre mantendo o espírito alegre ao lidar com os artesanatos.

Deni com consultoras.jpg

Indígenas Deni com Rosenize e Maria Erly. Foto: Tarsila dos Reis Menezes/OPAN.

A partir do trabalho, a indigenista Rosa Maria Monteiro observa que houve um empoderamento das Deni por saberem que podem ter uma renda a partir de suas próprias cestarias. “A gente pode vender esses cestos e ter um dinheiro a mais, não só depender de bolsa família, auxílio maternidade. Podemos comprar rancho, as coisas que a gente precisa”, disse Zamitarini Makhuvi Deni, da aldeia Morada Nova. Tarsila Menezes explicou que o próximo passo planejado é fazer um balanço de quanto as Deni produzem de cestaria, mas sem atrapalhar outras atividades de seu cotidiano, para avaliar com elas as perspectivas de mercado. Uma possibilidade é trabalhar em conjunto com comunidades ribeirinhas de Carauari, em parceria com associações extrativistas, com quem os Deni vêm construírdo uma relação por meio do projeto Arapaima. 

Contatos com a imprensa

Dafne Spolti

dafne@amazonianativa.org.br

(65) 3322-2980 / 9 9223-2494

Matrias relacionadas

08/02/2017
A consolidao de um projeto
06/10/2015
Um olho no peixe, outro no relgio
25/09/2015
Uma coisa puxa a outra
15/09/2015
Movimentando a poltica
03/08/2015
Territrio feminino
31/07/2015
Na direo do manejo
23/06/2015
Arapaima: redes produtivas
10/06/2015
Sementes que inspiram
19/12/2016
Juta sem Funai
14/12/2016
Atendimento histrico
SELECT id, titulo, data, horario, fotos, post_sub_id AS post_sub_id, chamada, i_cadastro, arquivado FROM w186_post WHERE (i_publicacao<=NOW() OR i_publicacao=0) AND (i_expiracao>=NOW() OR i_expiracao=0) AND id!='435' AND post_sub_id=2 AND aprovado!=0 ORDER BY i_cadastro DESC LIMIT 0, 8
08/02/17 - A consolidao de um projeto
Povo Deni do rio Xeru estabelece mtodos de trabalho e elabora projeto visando incluir alimentos dos roados na merenda escolar.
03/02/17 - Formao poltica para Myky e Manoki
Indgenas participam de processo formativo para a gesto de seus territrios
01/02/17 - Vaga para indigenista
OPAN lana edital de contratao para o Programa de Direitos Indgenas. Inscries at 15 de fevereiro.
20/01/17 - NOTA DE REPDIO
OPAN se manifesta contra as portarias 68 e 80 do Ministrio da Justia.
19/12/16 - Juta sem Funai
Membro do Copiju aponta necessidades dos povos e a ausncia da Funai.
15/12/16 - Nem mais uma hidreltrica na Amaznia
Povos indgenas e tradicionais vo Cmara para enumerar as incontveis irregularidades na construo das usinas, que de limpas no tm nada.
14/12/16 - Atendimento histrico
Katukina da aldeia Terra Alta, no Rio Bi, recebem atendimento de sade pela primeira vez.
08/12/16 - Farsa de Belo Monte desmontada em 1h
Filme mostra impactos em Altamira, mentiras do governo e empreiteiras.
Todos os direitos reservados para a Operação Amazônia Nativa - OPAN
Website Security Test