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Feliz aniversrio

Por: Giovanny Vera/OPAN
Povo Xavante de Mariwatsd celebra mais um ano da retomada de seu territrio.

Foto de Carolina Zaratim

Terra Indígena Marãiwatsédé, Bom Jesus do Araguaia, MT – O dia 10 de agosto de 2004 é uma data histórica carregada de emoções para o povo Xavante da Terra Indígena (TI) Marãiwatsédé. Foi nesse dia que eles, liderados pelo cacique Damião Paridzané, retomaram seu território tradicional depois de quase 38 anos. Eles foram expulsos de sua própria terra pelo governo brasileiro, deixando para trás suas casas, sua história e todas as referências de seus antepassados ali enterrados.

Retornar ao território Xavante era o sonho dos mais velhos — muitos dos quais tinham sido expulsos em 1966 — e também a esperança dos mais novos de ter onde viver, onde crescer, realizar seus rituais, tradições e formar suas famílias. Por isso, o povo Xavante comemora esta data tão especial.

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O cacique Damião foi um dos indígenas levado para a Missão São Marcos, e foi um dos que encabeçou a retomada de Marãiwatsédé.
Foto: Giovanny Vera/OPAN

Neste ano, a comemoração começou com uma missa na língua Xavante, e posteriormente com a inauguração de um campeonato de futebol com equipes masculinas e femininas, com convidados de outras terras indígenas vizinhas, como a TI Parabubure, a TI Pimentel Barbosa e a TI Areões, além de lideranças e autoridades municipais de Bom Jesus do Araguaia. A celebração da retomada da terra Xavante foi também uma jornada compartilhada com os convidados. “Nossa alegria é tão grande, e voltar para nossa terra era um sonho conhecido por todos”, disse Damião Paridzané, cacique geral de Marãiwatsédé.

O retorno

Entre novembro de 2003 e agosto de 2004, os Xavante estiveram acampados às margens da BR-158, esperando a decisão judicial que lhes permitisse retornar à sua tão almejada terra. Nesse tempo, cerca de 280 indígenas Xavante sofreram as inclemências do clima e também do waradzu (homem branco): Calor, sede, fome, desconforto, poeira e violência psicológica, explicou Cosme Rité, professor da Escola Estadual Indígena Marãiwatsédé. E, pior ainda, durante os meses de vigília, as precárias condições no acampamento resultaram no falecimento de três crianças e na internação de 14 Xavante em hospitais da região.

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Os Xavante acamparam durante dez meses na BR-158, vivendo em precárias condições. Foto: Arquivo Funai

O cacique Damião lembra muito bem das dificuldades vividas pelos Xavante acampados na estrada, morando em barracas de lona ou cobertas por folhas de palmeira. “Sofremos bastante, até as crianças que estavam com a gente sofreram. Estávamos só esperando a decisão para entrar na nossa terra, sabíamos que ia chegar”, disse ele. E a notícia chegou em 10 de agosto de 2004: a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal autorizou o retorno do povo indígena Xavante à Marãiwatsédé.

Naquele mesmo dia, os Xavante, alojados a um quilômetro de sua terra, colocaram seus poucos pertences em caminhões e entraram na fazenda Karu, que estava dentro de Marãiwatsédé. Grande foi a decepção deles ao encontrar o lugar totalmente desmatado, sem a mata fechada que dá nome à terra indígena e com muitas áreas de pastagem para gado. Mas não foi suficiente para diminuir a emoção do povo. “Chegamos e lá embaixo, ao lado do córrego, começamos a construir umas barracas, que pouco a pouco foram aumentando, porque foram chegando mais Xavante”, disse Damião.Imagem93.jpg

Imagem mostra os Xavante chegando em sua terra no dia da retomada de Marãiwatsédé. Foto: Arquivo Funai

A notícia da retomada da terra Xavante chegou em outras terras indígenas vizinhas e os Xavante começaram a voltar para sua terra tradicional. Foi o que aconteceu com Cosme Rité, que depois de uma semana chegou na nova aldeia. “Eu morava na aldeia Água Branca, em Pimentel Barbosa, como muitos que foram expulsos em 1966, e quando eu soube da notícia, decidi vir para morar aqui. Quando cheguei fomos marcando onde seriam as casas”, explicou, e dessa forma foram organizando a primeira nova aldeia, chamada como a terra indígena, Marãiwatsédé.

Cosme contou que, desde a chegada, todos sofreram pela falta de condições na nova aldeia, mas que não era motivo de tristeza para eles. “Era sim um sofrimento, ver que tínhamos um trabalho duro para fazer, mas nem isso tirava nossa alegria de estar de volta no nosso território ancestral”, disse ele.

Vanderlei Daduwari, vereador no município de Bom Jesus do Araguaia, explicou que a data da retomada de Marãiwatséde é um evento que já está na história dos Xavante e que será  lembrado sempre. “Os Xavante lutam pelo que querem, pelo seus direitos e não descansam. A reconquista do nosso território tradicional foi o resultado de mais de 50 anos de luta”, disse ele, reafirmando que a batalha continua porque as ameaças sempre existem, como a Portaria 303 da Advocacia-Geral da União (AGU) — que define a aplicação das 19 condicionantes do julgamento da Petição 3388, sobre a demarcação da TI Raposa Serra do Sol — às terras indígenas, e a tentativa de aplicação da tese do marco temporal. Similar é a posição de Estevão Tsimitsuté, vice-cacique de Marãiwatsédé, que também foi levado para a Missão São Marcos em 1966. “Nós fomos tirados da nossa terra, das nossas casas, nos levaram para um lugar que a gente nem conhecia”, disse ele, e reclama que apesar de terem conseguido a decisão judicial que reconhece o direito Xavante sobre Marãiwatsédé, eles ainda são ameaçados.

Retomar sua terra ancestral foi só mais uma etapa na vida do povo Xavante. Eles puderam ocupar apenas 10% da terra homologada e ainda tiveram que conviver com invasores até 2012, quando aconteceu a histórica desintrusão que acabou com a ocupação irregular por não indígenas. Um dos grandes problemas é que Marãiwatsédé teve boa parte de sua cobertura vegetal, especialmente a mata, substituída por pastagem para gado, sendo esta muito vulnerável ao fogo.

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Os Xavante retornaram a sua terra Marãiwatsédé, mas as pressões são permanentes, como o fogo e a BR-158. Foto: Alexandre Monteiro.

Um dos desafios é recuperar as degradadas terras de Marãiwatsédé,  e para isso eles vêm realizando ações para recuperar as degradadas terras de Marãiwatsédé e criando ferramentas que apoiam o seu desenvolvimento, como o plano de gestão do território. Dessa maneira, os Xavante trabalham no fortalecimento de sua terra e de sua cultura, recuperando, plantando e cuidando de Marãiwatsédé, para deixar um território indígena livre, desenvolvido e em crescimento para o futuro deles.

 

Contato com a imprensa

Giovanny Vera
gio@amazonianativa.org.br
(65) 3322-2980

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