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Livro Paisagens ancestrais do Juruena

Por: Giovanny Vera/OPAN
Publicao traz a memria ancestral indgena que conecta os povos da regio e seus territrios.

Salto Utiariti
Foto de Antonio Garcia

Comemorando seu quinquagésimo aniversário, a Operação Amazônia Nativa (OPAN) realizou em Cuiabá o lançamento do livro Paisagens ancestrais do Juruena, publicação que conta a história do rio do mesmo nome. O rio Juruena é o berço das águas amazônicas e de inúmeros povos indígenas, como os Apiaká, Enawene-Nawe, Haliti, Kajkwakratxi, Kawaiwete, Kawahiva, Manoki, Myky, Nambikwara e Rikbaktsa, povos que na atualidade lutam pelo reconhecimento do seu modo próprio de vida e pelo respeito à sua territorialidade, a qual não se distingue da sua ancestralidade.

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Capa da publicação lançada durante a comemoração dos 50 anos da OPAN. Foto: Giovanny Vera/OPAN

O Juruena é um rio de águas cristalinas e ligeiras, que correm rumo ao norte, onde ajudam a formar o rio Tapajós. O Juruena irriga as matas da região noroeste de Mato Grosso, em uma das áreas planas agricultáveis mais extensas do planeta. Por esse motivo a região é alvo da expansão vertiginosa do agronegócio, o que a tornou a campeã, no Brasil, no consumo de agrotóxicos.

Muito antes de ser descoberta pelo agronegócio, a região do Juruena já era lar imemorial de povos indígenas, para quem as paisagens do rio Juruena guardam os elementos primordiais da sua ancestralidade. A paisagem é o local onde o passado e o presente se conectam, é a materialização da sua memória. Cada lugar, cada cachoeira, cada morro, cada curva do rio guarda uma história, um registro do passado. Na atualidade, quando percorrem o território, estas memórias são reativadas, reforçando os laços entre as pessoas e a terra.

Corredeiras no Baixo Juruena_Adriano Gambarini-web.jpg

 Corredeiras no Baixo Juruena. Foto: Adriano Gambarini/OPAN

Sistematicamente silenciada pelo avanço colonizador, esta conexão não é óbvia ao olhar desavisado daqueles que não detém uma relação ancestral com as paisagens do Juruena. Acreditam os indígenas que os brancos só conseguem ver a terra a partir da sua ânsia pelo metal, extraído das profundezas do mundo subterrâneo. Tal como os espíritos maléficos, os brancos insistem em devastar as matas e barrar os rios, descumprindo um acordo firmado nos tempos antigos, o qual definiu que aquelas terras seriam ocupadas exclusivamente pelos indígenas.

Neste acordo, as terras atribuídas aos brancos ficavam ao leste, de onde, tempos depois, estes retornaram, guiados por sua ânsia voraz, para destituir os indígenas dos seus bens mais preciosos: seu território e sua cultura, condições fundamentais para a garantia da existência destes grupos. Ainda, ao barrarem os rios, os brancos tem instigado a fúria dos espíritos, sem saber o risco que isso pode provocar, não apenas aos indígenas, mas ao mundo, como um todo.

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Expoentes do povo Rikbaktsa preparam flechas enquanto narram as histórias sobre o Baixo Juruena. Foto: Rodrigo Marcelino/OPAN

Dar luz aos sentidos que o Juruena representa para os seus moradores mais antigos nos ajuda a projetar perspectivas melhores para o seu futuro. O respeito ao passado e à memória dos povos do Juruena é condição necessária para a construção de um modelo de desenvolvimento regional ambientalmente sustentável e socialmente justo.

É justamente o debate acerca deste tema que o livro “Paisagens Ancestrais do Juruena” visa ampliar.  O livro é fruto de uma pesquisa de campo participativa, congregando parte dos saberes e da iconografia destas paisagens, por meio de uma abordagem didática, informativa e visual. O texto é assinado por Juliana Almeida, antropóloga e indigenista que desde 2007, desenvolve trabalhos nos campos da Etnologia, do Patrimônio Cultural e da Gestão Territorial, junto a alguns dos povos indígenas do Juruena.

Dividido em duas partes, o livro trata desta memória ancestral responsável pela ligação entre os povos indígenas e seus territórios, e descreve em detalhes as referências socioculturais que estes estabelecem com cinco importantes saltos da região, todos estes ameaçados pela implementação de usinas hidrelétricas.

A publicação é uma iniciativa capitaneada pela OPAN mediante o projeto IREHI: Cuidando dos Territórios, financiado pelo Fundo Amazônia.

Clique aqui para descarregar o livro em português, e aqui em inglês.

*Juliana Almeida colaborou com a publicação.

Contato com a imprensa

Giovanny Vera
gio@amazonianativa.org.br
(65) 3322-2980

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