01 de junho de 2009

O processo de construção de materiais de alfabetização em língua katukina surgiu a partir de uma série de oficinas promovidas pela OPAN na Terra Indígena Rio Biá em 2006, com apoio do MEC e recursos do FNDE (Convênio OPAN/FNDE nº. 812011/2005). As atividades do programa contaram com a participação dos Katukina das aldeias Boca do Biá, […]

O processo de construção de materiais de alfabetização em língua katukina surgiu a partir de uma série de oficinas promovidas pela OPAN na Terra Indígena Rio Biá em 2006, com apoio do MEC e recursos do FNDE (Convênio OPAN/FNDE nº. 812011/2005). As atividades do programa contaram com a participação dos Katukina das aldeias Boca do Biá, Gato, Janela e Bacuri, dos professores indígenas atuantes nas escolas indígenas do Biá, de representantes das organizações indígenas COPIJU e UNI-Tefé e da SEMEC de Jutaí. Um dos resultados mais importantes destes cursos foi a vontade coletiva de construir um processo de alfabetização na língua katukina, e promover um processo escolar com maior sintonia com a vida e a cultura dos Katukina do Biá. O livro Tukuna Nowa Konifoi editado e publicado com o objetivo de dar impulso ao processo de alfabetização, com a convicção de que o caminho certo é formar alfabetizadores do próprio povo Katukina, que protagonizem e construam a escrita da sua língua e promovam um processo autônomo de alfabetização nas suas aldeias.

Os katukina começaram um processo de alfabetização na sua língua materna, estão construindo a escrita da sua língua e deram uma virada importante na dinâmica das suas escolas, na TI Biá, no município de Jutaí, AM. As oficinas foram promovidas por causa da constatação de que após vários anos de implementação das escolas municipais numa nas aldeias da TI Biá  (Jutaí,  AM),  poços Katukina estavam efetivamente alfabetizados.  Um dos principais problemas era a língua escolar: a alfabetização era feita em português – língua que é apenas utilizada no contato com os brancos. Vários homens, e praticamente todas as mulheres e crianças, só falam katukina.

A OPAN promoveu uma reflexão sobre a importância da língua materna no processo escolar; foi também definido um modelo provisório de grafia para a língua katukina. Na segunda fase, começou um trabalho de levantamento de materiais escritos para a composição do material didático de alfabetização, elaborado integramente pelos Katukina das quatro aldeias. Durante a terceira fase, foi elaborado num novo seminário uma proposta de metodologia didática a ser utilizada pelos professores para poder fazer a alfabetização em katukina. Um aspecto central do método é a interação e diálogo com os alunos katukina para puxar assuntos e temas cotidianos, a partir dos quais se organizam as atividades de alfabetização. Desenhos e jogos fazem com que os katukina se familiarizem rapidamente com a leitura e a escrita da sua própria língua.

Outro dos desafios importantes está na participação de professores indígenas não falantes da língua katukina neste processo de alfabetização. Alguns professores pertencem às etnias tikuna, kokama, kambeba e miranha,  e irão entrosar-se na dinâmica de alfabetização em língua katukina. Junto a eles, alguns katukina já começaram a atuar como professores. A perspectiva é que os próprios katukina assumam integramente a função de professores nas suas escolas. Para poder facilitar o trabalho dos professores, o livro Tukuna Nowa Koniaparece como um subsídio significativo no avanço deste processo de escrita da língua Katukina.

 

 

Contatos com a imprensa
comunicacao@amazonianativa.org.br
(65) 3322-2980

COMO EVITAR A SAVANIZAÇÃO DA AMAZÔNIA

05 Set, 2022

Iniciativas de manejo sustentável de produtos da sociobiodiversidade são soluções que protegem a floresta, enquanto geram renda justa para comunidades indígenas.

Brô Mc’s: conheça o primeiro grupo de rap indígena a pisar no Rock in Rio

01 Set, 2022

Maior festival de música do mundo terá palco demarcado pela resistência indígena. Nos bastidores, grupo vai trazer mensagem especial sobre os isolados, indígenas que rejeitam contato com o restante da sociedade.

Vale do Javari: associação entre crimes ambientais e narcotráfico atualiza modus operandi do sistema seringalista

26 Ago, 2022

Apesar do histórico de massacres, exploração de recursos naturais e mão de obra escravizada, a região já vivenciou momentos de maior estabilidade quando o Estado se fez presente.
Nossos Parceiros
Ver Mais