10 de julho de 2009

Atividades subsidiam os estudos para a elaboração de proposta de manejo de lagos em três terras indígenas do Povo Paumari, na região do Médio Purus Por: Andreia FanzeresFonte: Comunicação – OPAN Os Paumari habitam a região do médio Purus e seus afluentes, concentrando-se especialmente em duas regiões: a montante do município de Lábrea, nas terras […]

Atividades subsidiam os estudos para a elaboração de proposta de manejo de lagos em três terras indígenas do Povo Paumari, na região do Médio Purus

Por: Andreia Fanzeres
Fonte: Comunicação – OPAN

Os Paumari habitam a região do médio Purus e seus afluentes, concentrando-se especialmente em duas regiões: a montante do município de Lábrea, nas terras indígenas do Ituxi e do Marahã, e a jusante de Lábrea, nas terras indígenas do Lago Paricá, Manissuã e Cuniuá. O povo Paumari apresenta grande mobilidade, com deslocamentos sazonais entre diversas zonas de exploração, sendo a pesca a base de suas atividades. A região habitada por eles é altamente explorada para a pesca: cerca de 30% do pescado que chega a Manaus procede do rio Purus. A área e o entorno da região habitada pelos Paumari são constantemente explorados por barcos pesqueiros provenientes de grandes centros que realizam pesca e captura de quelônios, provocando a diminuição dos estoques da região. Além disso, a área é alvo de retirada de madeira ilegal para a venda.

Oficinas de etnomapeamento do território e de seus usos foram realizadas nos meses de maio e junho de 2009 junto aos indígenas Paumari, habitantes de cinco aldeias localizadas nos rios Tapauá e Cuniuá, afluentes do rio Purus, sul do Amazonas, pertencentes a três terras indígenas adjacentes: TI Lago Manissuã, TI do Lago Paricá e TI Cuniuá. As aldeias Manissuã, Abaquadi, Terra Nova, Xila e Açaí, fazem parte da área de abrangência do Projeto Aldeias, uma iniciativa de apoio à conservação de recursos naturais em terras indígenas. O mapeamento realizado junto aos Paumari vem de encontro aos dois objetivos principais do projeto: a conservação ambiental e a gestão dos recursos naturais, e o fortalecimento organizacional indígena.

A utilização dessa ferramenta vem auxiliar para a construção de planos de manejo possa partir de uma discussão maior de territorialidade, a partir das percepções das populações locais. Neste sentido, o etnomapeamento pode ser um instrumento político que auxilie na construção de planos nas áreas de educação, saúde, manejo dos recursos ambientais e proteção territorial. A idéia é que a ferramenta de etnomapeamento, partindo do referencial indígena, possa servir como instrumento de apoio aos Paumari na gestão ambiental/territorial dessas áreas, que atualmente lidam com vários desafios, como busca de alternativas econômicas sustentáveis e pressões externas sobre seu território, principalmente sobre seus recursos pesqueiros.

O mapeamento dos recursos pesqueiros, realizado em parceria com uma equipe de consultores, ligados às Universidades Federais do Pará e do Amazonas, e os indígenas, será utilizado no estudo e na elaboração de uma proposta de manejo de lagos a ser implementada nas terras Paumari. A proposta desse plano de manejo objetiva conciliar a demanda Paumari, que busca uma alternativa econômica com a comercialização de peixes e a proposta de uma melhoria na conservação ambiental do seu território. A alternativa indicada para solucionar essa equação é a construção de um plano de manejo de pirarucu.

As oficinas realizadas durante os meses de maio e junho nas aldeias se iniciaram com discussões apoiadas nos mapas de demarcação das terras indígenas e com a utilização de imagens de satélite das áreas e suas principais feições. A partir disso, os indígenas fizeram o mapeamento cognitivo, desenhando suas áreas de uso, e partindo de seu principal referencial, a hidrografia.

Neste primeiro momento foi realizada, a partir da base hidrográfica desenhada por eles, a identificação dos principais pontos de uso no território: a localização dos lagos e praias onde são realizadas a pesca e a captura de quelônios durante o período de verão, os pontos de coleta de castanha e os pontos de caça. Ainda, foram identificadas algumas áreas de conflitos sobre o uso dos recursos, em geral relacionados às invasões dos seus lagos.

Partindo desses mapas produzidos pelos próprios indígenas, a equipe de consultores transcreveu os pontos levantados em imagens de satélite, que serão georreferenciados. Ao confrontar com as imagens de satélite das áreas houve, em geral, uma grande precisão no retrato das principais feições, o que facilitou o processo.

Outra atividade realizada para a construção do plano de manejo do pirarucu foi a visita da equipe responsável pela consultoria de manejo e os Paumari aos principais locais apontados pelos indígenas como de interesse para a reserva de lagos.

A proposta é dar continuidade a essas oficinas de etnomapeamento, desdobrando essa ferramenta para vários usos, resultando na elaboração de mapas temáticos de interesse dos Paumari.

O projeto em execução na região, construído a partir das demandas dos Paumari, visa oferecer uma alternativa econômica sustentável que permita a continuidade da pesca dentro de suas áreas; dar uma maior autonomia aos Paumari sobre a gestão de seus recursos, diminuindo gradativamente a necessidade de realizar acordos de pesca desvantajosos; e melhorar as relações de troca e venda de produtos. Com a concretização da proposta de manejo dos lagos, aumentarão as necessidades de proteção territorial, e será potencializado o planejamento e a organização da vigilância das terras indígenas, atividades estas que o Projeto Aldeias também apoiará.

Contatos com a imprensa
comunicacao@amazonianativa.org.br
(65) 3322-2980

COMO EVITAR A SAVANIZAÇÃO DA AMAZÔNIA

05 Set, 2022

Iniciativas de manejo sustentável de produtos da sociobiodiversidade são soluções que protegem a floresta, enquanto geram renda justa para comunidades indígenas.

Brô Mc’s: conheça o primeiro grupo de rap indígena a pisar no Rock in Rio

01 Set, 2022

Maior festival de música do mundo terá palco demarcado pela resistência indígena. Nos bastidores, grupo vai trazer mensagem especial sobre os isolados, indígenas que rejeitam contato com o restante da sociedade.

Vale do Javari: associação entre crimes ambientais e narcotráfico atualiza modus operandi do sistema seringalista

26 Ago, 2022

Apesar do histórico de massacres, exploração de recursos naturais e mão de obra escravizada, a região já vivenciou momentos de maior estabilidade quando o Estado se fez presente.
Nossos Parceiros
Ver Mais