15 de junho de 2010

Duas atividades promovidas pelo Projeto Xavante no mês de maio foram realizadas em parceria com instituições integrantes da Articulação Xingu-Araguaia (AXA). A primeira foi a colheita de sementes de adubos verdes e gergelim, que foram plantadas juntamente com sementes de espécies nativas florestais, com o intuito de recuperar uma área de Preservação Permanente (APP) existente […]

Duas atividades promovidas pelo Projeto Xavante no mês de maio foram realizadas em parceria com instituições integrantes da Articulação Xingu-Araguaia (AXA).

A primeira foi a colheita de sementes de adubos verdes e gergelim, que foram plantadas juntamente com sementes de espécies nativas florestais, com o intuito de recuperar uma área de Preservação Permanente (APP) existente na Terra Indígena (TI) que hoje se encontra desmatada, à beira de uma represa que fornece água para a aldeia. Participaram dessa atividade duas técnicas do Projeto Socioambiental da Associação de Educação e Assistência Social Nossa Senhora da Assunção (ANSA), Maíra T. Ribeiro e Ana Lucia Silva Souza. A segunda foi uma oficina sobre a importância da conservação da diversidade de sementes e a divulgação da Rede de Sementes do Xingu para os Xavante, ministrada por um representante do Instituto Socioambiental, José de Nicola Costa.

Ambas as atividades foram realizadas com os estudantes do Ensino Médio da Escola Estadual Indígena Marãiwatséde, que participam das atividades do projeto com o intuito de conhecer novas técnicas de produção que apresentam alternativas ao uso do fogo. Devido ao desmatamento de sua terra para a formação de pastagens, principalmente de 1992 até hoje, a roça tradicional Xavante, conhecida como roça de toco ou roça de corte e queima não produz mais a quantidade de alimentos necessários à manutenção daquela população, que hoje perfaz um total de quase 700 pessoas. O fogo também é usado tradicionalmente pelos Xavante para caçadas coletivas no cerrado e para a limpeza da aldeia, todavia, atualmente é muito fácil perder o controle do fogo, o que compromete a regeneração natural de grande parte das capoeiras no entorno da aldeia.

O projeto Xavante surgiu de uma articulação entre as diversas entidades da AXA, que viam a questão da TI Marãiwatséde como um dos mais graves problemas socioambientais da região, pois esta é a TI mais devastada da Amazônia Legal. A AXA é uma articulação de entidades civis que trabalha com o objetivo de contribuir à transformação social e ao desenvolvimento sustentável das bacias do Xingu e do Araguaia, para isso, realiza ações educativas e de sensibilização, de promoção da agroecologia, novas técnicas de produção como alternativa ao uso do fogo, reflorestamento e fiscalização de políticas públicas.

O fortalecimento das parcerias regionais é um dos objetivos do projeto desenvolvido junto aos  Xavante de Marãiwatséde, tanto no que diz respeito à equipe da OPAN, que obtém apoio para o desenvolvimento das atividades do projeto na área da produção,  quanto aos próprios indígenas, que tem a oportunidade de participar de mobilizações locais, regionais e estaduais e de fortalecer as relações com diversos segmentos da sociedade como agricultores familiares, assentados da reforma agrária, pescadores, retireiros e demais povos indígenas.

 

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