24 de agosto de 2010

Desde o dia 18 de agosto, o indígena Guarani João Martins, morador do Tekoha Y Hovy, município de Guaira, se encontra desaparecido. Nas palavras do cacique Ilson Soares “estamos muito preocupados, pois, ele jamais abandonaria a comunidade desta forma, já entramos em contato com várias aldeias da região e até do Mato Grosso do Sul e […]

Desde o dia 18 de agosto, o indígena Guarani João Martins, morador do Tekoha Y Hovy, município de Guaira, se encontra desaparecido. Nas palavras do cacique Ilson Soares “estamos muito preocupados, pois, ele jamais abandonaria a comunidade desta forma, já entramos em contato com várias aldeias da região e até do Mato Grosso do Sul e ninguém sabe o seu paradeiro, já estamos conformados com o pior”. A comunidade de Y Hovy se encontra em uma área ocupada, ainda não regularizada, de 17 alqueires que pertencem – parte ao um proprietário local – parte a prefeitura municipal de Guaira. A comunidade de Y Hovy, que conta com 12 famílias, tomou posse da área em 07 de novembro de 2009, e desde então vem resistindo e reclamando a terra como tradicional. A FUNAI já afirmou que irá tomar providências para a identificação da terra, mas, ainda nada foi feito.

Nas palavras de Ilson, esta situação “vem se tornando cada vez mais difícil, pois, não sabemos se o desaparecimento de João Martins pode estar relacionado à questão da terra ou não, a verdade é que sempre recebemos ameaças de um e de outro, então, a gente não sabe o que pode acontecer”. Logo após o desaparecimento as aldeias da região foram até Y Hovy e fizeram uma grande busca com o auxílio da polícia federal e civil, e encontraram o colar de João Martins quebrado perto de sua casa e sinais de sangue, porém, nenhum corpo. O desaparecimento está registrado junto à polícia civil, porém, as buscas terminaram, a polícia afirma que agora devem esperar o surgimento de “um fato novo” para continuar as investigações. A comunidade está convencida que João Martins foi assassinado, segundo Ilson “não sabemos o que aconteceu, mas, ele deixou o feijão cozinhando no fogo, o feijão secou, queimou, o fogo apagou e ele não voltou a casa”. Ainda conforme a comunidade, João não tinha problemas de saúde que pudesse lhe causar nenhum mal repentino. A polícia afirma que ainda não tem nenhuma linha de investigação e também nenhum suspeito. Para a comunidade, o desparecimento de João Martins pode estar relacionado à luta pela terra, “por aqui todos estamos com medo, estamos organizando nossos txondaros para fazerem vigília à noite e rezando bastante para que Ñanderu nos ajude a achar o corpo do nosso parente, mas, aconteça o que acontecer, não iremos sair desta terra”.  Nos próximos dias está agendado uma manifestação dos movimentos de luta pela reforma agrária e entidades de classe na comunidade de Y Hovy no sentido de cobrar aceleração nas investigações.

 

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