01 de abril de 2011

Por: Comunicação OPAN Cuiabá-MT Os povos Enawene Nawe, Myky e Manoki vão participar de um dos maiores eventos já realizados no Noroeste de Mato Grosso sobre produção sustentável de seringa e castanha-do-Brasil. Eles terão a oportunidade de compartilhar experiências em um encontro em que indígenas, seringueiros e agricultores familiares definirão junto com órgãos do governo e […]

Por: Comunicação OPAN

Cuiabá-MT Os povos Enawene Nawe, Myky e Manoki vão participar de um dos maiores eventos já realizados no Noroeste de Mato Grosso sobre produção sustentável de seringa e castanha-do-Brasil. Eles terão a oportunidade de compartilhar experiências em um encontro em que indígenas, seringueiros e agricultores familiares definirão junto com órgãos do governo e empresas quais são as possibilidades de ampliação do manejo e da comercialização de produtos da floresta enquanto estratégia de gestão ambiental em áreas naturais protegidas.

A OPAN, por meio do Projeto Berço das Águas, é apoiadora do Seminário “Intercâmbio de experiências: gestão ambiental e alternativas de geração de renda em terras indígenas”. O evento está sendo organizado pelo Projeto Pacto das Águas e acontecerá na Aldeia Curva, na Terra Indígena Rikbaktsa, em Brasnorte, entre os dias 7 e 10 de abril. Além de representantes de empresas e governos, participarão indígenas de de oito territórios (Rikbaktsa, Japuíra, Escondido, Zoró, Enawene Nawe, Myky, Manoki), seringueiros da Reserva Extrativista Estadual Guariba-Roosevelt e agricultores do Assentamento Vale do Amanhecer. Isso representa um universo de 4 mil pessoas, uma área de 2 milhões de hectares, 100 aldeias, 40 colocações de seringa e 50 propriedades rurais de agricultores familiares.

De acordo com Juliana Almeida, coordenadora do Projeto Berço das Águas, a OPAN vai se inspirar na metodologia do Projeto Integrado da Castanha (PIC), que desde 2003 trabalha com manejo sustentável de castanha no Noroeste e está sendo desenvolvido pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Aripuanã através do Projeto Pacto das Águas. “Nosso objetivo é conhecer de perto uma iniciativa que está dando certo na região e que poderá contribuir na construção de estratégias de gestão para os territórios Enawene Nawe, Myky e Manoki. Queremos aplicar esta mesma metodologia, mas de acordo com a realidade do Cerrado”, explica.

A união de cada vez mais povos indígenas interessados na consolidação das cadeias de produtos da sociobiodiversidade está sendo a chave para o sucesso deste modelo de produção desvinculado do desmatamento. “Nosso êxito é trazer mais povos para ampliarmos nossa escala de atuação. Este é um momento propício, pois as empresas compradoras estão aceitando o tempo dos índios e respeitando seu modo de vida”, diz Plácido Costa, coordenador técnico do Projeto Pacto das Águas.

Depois de quase 10 anos de experiências no manejo sustentável da borracha e da castanha no Noroeste, ele assegura que mercado há, e muito. “Hoje, os povos que produzem castanha e borracha não estão dando conta da demanda dessas empresas. É preciso agora dar um passo além, ajudar na organização social para um maior entendimento das nuances do mercado. Há muitos desafios a serem superados por parte dos povos indígenas, estado e empresários, mas esse caminho já está sendo construído com resultados e passos concretos”, complementa Costa. Empresas como a Michelin e a Ouro Verde Amazônia, do Grupo Orsa, já estão envolvidas na compra da produção de alguns povos indígenas da região.

Os maiores estoques de produtos não madeireiros no Noroeste de Mato Grosso encontram-se dentro das terras indígenas. Quando os povos se interessam por uma produção não impactante e que respeite seu modo de vida, conseguem ficar mais independentes do modo predatório de exploração, predominante no entorno de seus territórios. No caso dos Enawene Nawe, Myky e Manoki, já se sabe que em matas ciliares existe potencial para exploração da borracha, por exemplo. “É importante que eles saibam que, se eles quiserem, é possível se integrar aos mecanismos de produção e comercialização que já existem em áreas vizinhas”, orienta Plácido Costa. Mas para os demais produtos do Cerrado, são necessárias etapas anteriores, como de diagnóstico, análise do potencial natural e social, avaliação das demandas do mercado. Essas são algumas atividades que serão desenvolvidas durante a vigência do Projeto Berço das Águas, patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Ambiental.

Berço das Águas: colhendo riqueza nas terras indígenas do Mato Grosso

O quê: Projeto para elaborar planos de gestão ambiental em três terras indígenas do Noroeste de MT e fomentar cadeias produtivas de frutos nativos do Cerrado e da Amazônia para fins de geração de renda e sustentabilidade ambiental dos territórios.

Para quê: Apoiar a gestão ambiental e melhoria das condições de vida dos povos Enawene Nawe, Manoki e Myky

Quando: 2011-2012

Quem: Operação Amazônia Nativa (OPAN), com patrocínio da Petrobras através do Programa Petrobras Ambiental

Onde: Terras Indígenas Enawene Nawe, Myky e Manoki, nos municípios de Sapezal, Comodoro, Juína e Brasnorte (MT)

OPAN

A OPAN foi a primeira organização indigenista fundada no Brasil, em 1969. Atualmente suas equipes trabalham em parceria com povos indígenas do Amazonas e do Mato Grosso, desenvolvendo ações voltadas à garantia dos direitos dos povos, gestão territorial e busca de alternativas de geração de renda baseadas na conservação ambiental e na manutenção das culturas indígenas.

Contatos com imprensa

Andreia Fanzeres: +55 65 33222980 / 81115748

Email: comunicacao@amazonianativa.org.br

OPAN – Operação Amazônia Nativa

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