01 de junho de 2011

Lábrea (AM) Entre os dias 20 e 23 de maio de 2011, a Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Purus (FOCIMP) se reuniu em Assembléia Geral na aldeia Crispim, Terra Indígena Marahã. Mais de 450 lideranças dos municípios de Beruri, Tapauá, Canutama, Lábrea e Pauini discutiram as pautas do movimento indígena do Médio Purus. […]

Lábrea (AM) Entre os dias 20 e 23 de maio de 2011, a Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Purus (FOCIMP) se reuniu em Assembléia Geral na aldeia Crispim, Terra Indígena Marahã. Mais de 450 lideranças dos municípios de Beruri, Tapauá, Canutama, Lábrea e Pauini discutiram as pautas do movimento indígena do Médio Purus. Entre os temas mais destacados, situaram o colapso que atravessa a atenção à saúde indígena no Médio Purus, com situações críticas como a do povo Deni do rio Cuniuá.

A seguir, reproduzimos a carta da FOCIMP, que evidencia uma situação de calamidade, e demanda uma ação imediata da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI).

 

Lábrea, 26 de maio de 2011.

A Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Purus (FOCIMP) vem por meio deste documento, denunciar a situação emergencial, precária e de calamidade das comunidades indígenas “não-atendidas” pelo Distrito Sanitário Especial Indígena do Médio Purus (DSEI – Médio Purus), com sede em Lábrea. O quadro da saúde indígena demanda urgente intervenção com ações emergenciais, pois crianças e adultos estão morrendo, por falta de atendimento, medicamento, transporte e situação calamitosa de constante desrespeito à vida. Não existe estrutura adequada de atendimento à saúde para a população indígena de toda região do Médio Purus. E viemos aqui ressaltar alguns pontos críticos, inadiáveis como é o caso do povo Deni da região do rio Cuniuá, afluente do rio Tapauá que é afluente da margem esquerda do rio Purus, no município de Tapauá/AM.

Nessas últimas semanas morreram três indígenas deni, sendo um adulto e duas crianças. As causas relatadas são diarréia, vômito e malária. Grande parte dos indígenas da região do rio Cuniuá está doente. Nas comunidades à beira do Cuniuá, os indígenas vêm sofrendo muito ao longo dos últimos três anos. Entre 2010 e 2011, pelo menos sete pessoas morreram na região. “Os Deni estão se acabando, estão diminuindo! Não estão aumentando!” Estão sofrendo muito com a morte dos parentes e com o descaso da saúde na região. Muitos querem sair de suas terras (da área demarcada – T.I. Deni) para tentar melhores condições de vida mais próximos às cidades da região. Muitas vezes encontram mais sofrimento, mais dificuldades para comer, dormir e poderem se locomover, já que quando trazem os doentes para a cidade, não encontram estrutura para recebê-los e, na maioria das vezes quando conseguem, gastam do próprio combustível para levar os pacientes aos pólos base ou até as cidades (do Cuniuá até Lábrea a viagem dura cerca de oito a nove dias na época da cheia e até quinze a dezoito dias durante o verão – estação seca).

Outra situação que ainda está em curso, é que nessa última semana faleceu um indígena do povo Apurinã. Este saiu de Lábrea para ser atendido em Manaus, já em estado grave não contando com atendimento local adequado. Veio a falecer em Manaus e o traslado do corpo está sendo feito via fluvial em recreio (barco de transporte regular de passageiros). A viagem entre Manaus e Lábrea dura cerca de sete dias! Não existe nenhuma condição de transporte adequado do corpo, principalmente com duração tão longa da viagem, causando ainda mais sofrimento à família do falecido, além de ter causado indignação a toda população de Lábrea. Esse caso deve vir a público, denunciando a falta de respeito com os povos indígenas do Médio Purus, que estão esquecidos, e não tem nenhum amparo na questão da saúde.

Nesse sentido, relatamos os problemas que em toda região do Médio Purus vem ocorrendo e que no caso dos Deni, se encontra em caráter gravíssimo, emergencial. Os problemas da Saúde Indígena estão relacionados à falta de operacionalidade das ações em todo o DSEI-MP. Queremos que as ações cheguem até as bases (técnicos, medicamentos, prevenção, etc.); que o corpo técnico esteja capacitado e que haja proposta clara e explícita de mudança, com relação à passagem de FUNASA para SESAI, porque até agora só tem piorado a situação de transição. Estamos todos sem informação sobre alguma mudança na Saúde Indígena e nos encontramos em situação de calamidade pública. O Povo Deni está morrendo, está se acabando e querendo sair de suas terras, pela falta de assistência do Estado, principalmente na área da Saúde. Pediram avião e não conseguiram. As crianças estão morrendo, desde a Cidadezinha até a Aldeia Samaúma. Falta remédio, falta de enfermeiro, falta medicamento, como é que os próprios deni podem ministrar medicamentos, sem um enfermeiro, ou técnico? O parente adulto morreu. E muitos ainda estão doentes. Muita gente doente ao mesmo tempo. Os deni estão esquecidos. Não tem vacina, não tem dentista, não tem médico, nada! Os povos indígenas do Médio Purus estão sofrendo muito com todo este caos da Saúde! Pedimos ajuda imediata!

José Raimundo Pereira Lima

(Zé Bajaga Apurinã)

Coordenador Executivo da FOCIMP

 

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