18 de julho de 2011

Por: Comunicação OPAN Terra Indígena Marãiwatsédé-MT – Em resposta às pressões do governo de Mato Grosso para a saída do povo Xavante de seu território tradicional, os indígenas divulgaram mais uma carta reforçando que são os donos legítimos de Marãiwatsédé e que a terra não está à venda. CARTA DE REPÚDIO DO POVO XAVANTE CONTRA O […]

Por: Comunicação OPAN

Terra Indígena Marãiwatsédé-MT – Em resposta às pressões do governo de Mato Grosso para a saída do povo Xavante de seu território tradicional, os indígenas divulgaram mais uma carta reforçando que são os donos legítimos de Marãiwatsédé e que a terra não está à venda.

CARTA DE REPÚDIO DO POVO XAVANTE CONTRA O GOVERNO DO ESTADO DO MATOGROSSO E OS DEPUTADOS DA LEI 9.564

O Povo Xavante da Terra Indígena Marãiwatsédé repudia a decisão do Governo do Mato Grosso que, junto com os deputados estaduais, promoveu uma verdadeira obra anti-indígena, ilegal, contrariando a Constituição Federal, ao criarem a Lei 9.564 que tenta nos obrigar a abandonar o nosso território tradicional, para dar lugar ao criminoso esquema do latifúndio e do agronegócio, patrocinado por políticos e fazendeiros.

O Estado de Mato Grosso, que tem um governador anti- indígena, tem provocado muito a ira do povo Xavante. Já não bastasse o nosso território ser invadido, usurpado, arrasado por tantos anos, agora tentam nos obrigar a embarcar mais uma vez na caravana do êxodo. Não vamos abrir mão de Marãiwatsédé.

Os posseiros, entre eles políticos e fazendeiros, falam que estão na terra há 40 anos. Afirmamos que, nós Xavantes, fomos expulsos do nosso território, através de uma deportação oficial, que marcou profundo na história do nosso povo.

O Estado do Matogrosso foi devastado pela invasão criminosa do agronegócio e pela ambição dos seus governantes. A soja e o gado não são mais importantes que a vida do povo Xavante que há anos luta para ter o direito de viver em paz dentro do seu território.

Marãiwatsédé é dos Xavante. Não está à venda! Tomamos o que nos foi roubado. Destruíram a nossa natureza, o nosso ambiente de viver, o cemitério dos nossos antepassados destruíram, quem vai pagar isso? O governo do Estado tem condição de indenizar o que foi destruído e roubado?

Sabemos que o Governo Federal apoia a nossa permanência. Precisamos do Governo um projeto voltado para nossa sobrevivência e sustentabilidade, não esse projeto que quer dizimar o nosso povo.

Não aceitamos, queremos que o Governo do estado respeite a Nação Xavante, pois a nossa luta continua. Sempre vivemos em pé de guerra pela busca e garantia dos nossos direitos. Não negociamos, não vendemos, não trocamos o nosso território. Honramos os nossos antepassados que vieram para essa região bem antes que qualquer um e nasceram e cresceram e estão enterrados aqui, porém vivos em cada árvore, em cada canto de pássaro, na cor da nossa pele, na força da nossa cultura, em cada lembrança de Marãiwatsédé.

Somos o povo guerreiro Xavante, revogamos a lei anti-indígena, fazemos a nossa própria história para permanecermos vivos. Somos nós os donos dessa terra. Nós que vivemos da terra, morreremos por ela. Estamos prontos para a guerra.

 

Marãiwatsédé, Mato Grosso, 14 de julho de 2011.

 

Saudações Xavante,

 

Agnelo Temrite Wadzatse

CACIQUE GUERREIRO XAVANTE

COORDENADOR GERAL DA CIX

PRESIDENTE DO CONDEF – COIAB 

 

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