16 de agosto de 2011

Em encontro no Paraná, indígenas criticam transição no atendimento à saúde e pedem celeridade no reconhecimento de terras tradicionais. Nova Laranjeiras (PR) – Um encontro realizado na comunidade da Lebre (Tekoa Tapixi), município de Nova Laranjeiras (PR), nos dias 5, 6 e 7 de agosto reuniu representantes de oito aldeias Guarani, em especial as lideranças políticas […]

Em encontro no Paraná, indígenas criticam transição no atendimento à saúde e pedem celeridade no reconhecimento de terras tradicionais.

Nova Laranjeiras (PR) – Um encontro realizado na comunidade da Lebre (Tekoa Tapixi), município de Nova Laranjeiras (PR), nos dias 5, 6 e 7 de agosto reuniu representantes de oito aldeias Guarani, em especial as lideranças políticas e religiosas de Y Hovy, Itamarã, Marrecas, Tekoa Porá Vy’a Renda Poty, Tekoa Añetete, Lebre e Pinhal. Tratam-se de áreas ainda não regularizadas pela FUNAI. Atualmente, só na região oeste do Paraná, existem cerca de oito acampamentos Guarani aguardando providências legais para a sua regularização e o devido reconhecimento de suas terras tradicionais.

 

Segundo a Teodoro Tupã, uma das lideranças presentes, “é necessário criar formas de pressão política no sentido de apressar o reconhecimento por parte do estado”. Nesse sentido, o III Encontro de Rezadores e Lideranças Guarani elegeu como prioridade a ação do Comitê de Terras Indígenas junto às áreas irregulares, programando uma série de visitas as estas comunidades e levantando seus principais problemas relativos à saúde, educação e auto sustentação. A novidade deste encontro foi a participação da Associação de Jovens Indígenas de Dourados (AJI), que enviou uma equipe para filmar e documentar o evento. A ideia é organizar um vídeo sobre a situação das terras indígenas Guarani no Paraná, totalmente elaborado na língua indígena.

As lideranças das comunidades participantes também discutiram os principais problemas que as afetam, como os relacionados à saúde, educação e sustentabilidade em terras tradicionais demarcadas, não-demarcadas e acampamentos. Representantes do Ministério Público Estadual e da Secretaria de Assuntos Fundiários também participaram do encontro.

“Nós, lideranças Guarani, verificamos em todas as comunidades que depois da criação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), os problemas vinculados à questão da saúde continuam sem solução. Pelo contrário, após a substituição da FUNASA pela SESAI, as dificuldades relacionadas à saúde têm aumentado”, escreveram os indígenas em manifesto.

Eles reivindicam com urgência o fornecimento de viaturas para o atendimento em todas as comunidades, a implementação e a ampliação do corpo funcional de saúde, priorizando a contratação de indígenas, a construção, ampliação ou reforma e estruturação de postos de saúde nas comunidades, agilidade nos procedimentos médicos, laboratoriais e no fornecimento de medicamentos, atendimento com respeito específico e diferenciado, conforme garante a legislação brasileira, solicitação de audiência pública na comunidade indígena Guarani com Paulo Camargo, da SESAI.

Ao final do evento, as lideranças Guarani propuseram que o próximo encontro seja na aldeia de Y Hovy, no município de Guairá. O evento teve o apoio da OPAN, da Coordenação Ecumênica de Serviço Social (CESE) e do Comitê de Terras Guarani.

OPAN

A OPAN foi a primeira organização indigenista fundada no Brasil, em 1969. Atualmente suas equipes trabalham em parceria com povos indígenas do Amazonas e do Mato Grosso, desenvolvendo ações voltadas à garantia dos direitos dos povos, gestão territorial e busca de alternativas de geração de renda baseadas na conservação ambiental e na manutenção das culturas indígenas.

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