20 de janeiro de 2012

Coletoras de sementes concluem primeiro ano de participação na Rede de Sementes do Xingu. Terra Indígena Marãiwatsédé (MT) – Uma a uma, nome por nome, as 16 mulheres Xavante eram chamadas para receber um envelope. Elas vinham tímidas e voltavam a se sentar, às vezes sem nem mesmo ver o seu conteúdo. Dentro dos envelopes não […]

Coletoras de sementes concluem primeiro ano de participação na Rede de Sementes do Xingu.

Terra Indígena Marãiwatsédé (MT) – Uma a uma, nome por nome, as 16 mulheres Xavante eram chamadas para receber um envelope. Elas vinham tímidas e voltavam a se sentar, às vezes sem nem mesmo ver o seu conteúdo. Dentro dos envelopes não havia só algumas cédulas e moedas. Tinha também um cálculo feito à mão sobre o que significava esse ainda pequeno recurso que iriam levar para casa. Mais do que a recompensa por uma atividade realizada, esta é uma importante forma de complementar a renda familiar e, de quebra, um estímulo ao uso cotidiano de sementes nativas em meio à escassez de recursos naturais na Terra Indígena Marãiwatsédé.

A entrega do primeiro pagamento pela coleta de sementes entre os Xavante de Marãiwatsédé aconteceu em dezembro de 2011 e atraiu a atenção de outros indígenas que ainda não haviam se engajado nesta atividade. O resultado concreto estava, afinal, no pátio da aldeia. As sementes coletadas pelas mulheres totalizaram cerca de 40 quilos e foram vendidas à Rede de Sementes do Xingu, onde ficam disponíveis para a utilização em processos de recuperação de áreas degradadas na bacia do Xingu, da qual Marãiwatsédé também faz parte.

Em 2011, os Xavante decidiram participar desta rede através do núcleo de São Félix do Araguaia. Duas vezes ao ano, as mulheres coletoras que se inscreveram na atividade elaboram uma lista potencial de sementes disponíveis no território, estimam quanto pretendem coletar e enviam a informação para a Rede. Na primeira lista havia mamoninha, jatobá, urucum, carvoeiro, feijão de porco e fedegoso – essas duas últimas importantes para a realização de adubação verde. Em fevereiro, uma nova lista será elaborada, e, com a adesão de mais indígenas, deve aumentar a variedade e a quantidade de espécies.

O trabalho dos coletores é maior do que apenas o recolhimento das sementes na mata. Ele inclui a preocupação de não exaurir as árvores matrizes e orientação sobre boas práticas quanto ao armazenamento e ao beneficiamento das sementes. Aliás, no contexto mato-grossense trabalhar com elas é um ótimo negócio. “Nas iniciativas de recuperação de áreas, o plantio com sementes é melhor pelo custo-benefício. Ao plantar com semente, as que vingam já estão adaptadas e são geralmente mais resistentes à seca e ao fogo”, explica o biólogo Vinícius Benites Alves, da OPAN.

O envolvimento do povo Xavante com a Rede de Sementes do Xingu tem o apoio da OPAN no âmbito da Articulação Xingu Araguaia (AXA), que reúne entidades atuantes na área socioambiental junto a povos indígenas, agricultores familiares e outros.

Em dezembro, Marãiwatsédé escondeu um pouco de sua aridez. O colorido vinha das roças e dos quintais mais verdes por trás de algumas das casas Xavante que aderiram às iniciativas estimuladas pela OPAN de boas práticas em agroecologia – uma forma de devolver fertilidade à terra que ainda está sendo crucialmente devastada.

Por isso, os Xavante agradeceram com sorrisos os cerca de 200 quilos de feijão doados para plantio em suas roças e quintais. Nem tudo será plantado. Mas sabem que, a exemplo do esforço das mulheres coletoras, uma semente na terra na hora certa pode amenizar os tempos difíceis de agora.

Saiba mais:
Rede de Sementes do Xingu – www.sementesdoxingu.org.br

Sobre a Terra Indígena Marãiwatsédé

 

A Terra Indígena Marãiwatsédé tem 165 mil hectares nos municípios de Alto Boa Vista, Bom Jesus do Araguaia e São Félix do Araguaia, no nordeste de Mato Grosso. Pertence às bacias do Araguaia e do Xingu. Atualmente o povo Xavante de Marãiwatsédé vive em uma aldeia com cerca de 800 pessoas. Nos anos 60, os Xavante foram retirados à força de sua área tradicional pelo governo militar, por isso hoje sua principal luta é pela recuperação da soberania alimentar e territorial em uma área que, apesar de homologada desde 1998, permanece invadida por latifundiários produtores de grãos e gado.

OPAN

A OPAN foi a primeira organização indigenista fundada no Brasil, em 1969. Atualmente suas equipes trabalham em parceria com povos indígenas do Amazonas e do Mato Grosso, desenvolvendo ações voltadas à garantia dos direitos dos povos, gestão territorial e busca de alternativas de geração de renda baseadas na conservação ambiental e no fortalecimento das culturas indígenas.

Contatos com imprensa

Andreia Fanzeres: 65 33222980 / 84765620

Email: comunicacao@amazonianativa.org.br

OPAN – Operação Amazônia Nativa

http://www.amazonianativa.org.br

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