04 de dezembro de 2012

Projeto Berço das Águas entra na fase final apoiando plantios em áreas estratégicas para os povos Myky e Manoki. Por: Comunicação OPAN Brasnorte, Sapezal e Comodoro (MT) – A chuva chegou com força em Mato Grosso, e, desde outubro, os indígenas da bacia do Juruena que participam do Projeto Berço das Águas estão engajados no plantio […]

Projeto Berço das Águas entra na fase final apoiando plantios em áreas estratégicas para os povos Myky e Manoki.

Por: Comunicação OPAN

Brasnorte, Sapezal e Comodoro (MT) – A chuva chegou com força em Mato Grosso, e, desde outubro, os indígenas da bacia do Juruena que participam do Projeto Berço das Águas estão engajados no plantio de milhares de mudas de espécies nativas e frutíferas. Acomodadas em viveiros nas aldeias dos povos Manoki e Myky durante o período da seca, agora as mudas passaram a ser plantadas nas áreas em que os indígenas consideraram estratégicas para recuperação de nascentes, capoeiras, para enriquecimento de seus quintais ou para uso consorciado em suas roças tradicionais.
 
Executado pela OPAN com patrocínio da Petrobras, através do Programa Petrobras Ambiental, o Projeto Berço das Águas realizou diversas atividades de preparo do solo ao longo do ano. Tudo isso para que os plantios tivessem o maior aproveitamento possível, atendendo, assim, à demanda comum de aumento da produção de alimentos dos indígenas, conforme seus modos próprios de cultivo. Os plantios envolveram espécies arbóreas, além da semeadura direta através de uma mistura de sementes nativas e, ainda, sementes de roça.
 
O fortalecimento das roças tradicionais sempre foi, de uma maneira geral, uma medida estratégica também do ponto de vista cultural, pois graças a elas os rituais podem ser realizados.
 
Na Terra Indígena Pirineus de Souza, próxima à cidade de Vilhena (RO), os indígenas puderam aprimorar sua produção tradicional nas roças de toco com apoio de combustível e novas ferramentas, especialmente para o cultivo de banana, espécie que garante boa parte da renda das famílias.
 
“Os Myky demonstraram que queriam aumentar um pouco mais sua produção, com possibilidade de comercializar este excedente para merenda escolar. Já os Manoki desejavam resgatar algumas variedades tradicionais, como de mandioca, cará e milho, para melhorar a qualidade de sua alimentação”, explica Fabiano da Matta, coordenador de campo do Projeto Berço das Águas.
 
Intercâmbios na bacia do Juruena
 
Em 2012, o projeto prestou ainda grande incentivo aos intercâmbios de espécies entre os indígenas, que realizam as trocas a partir de métodos e dinâmicas próprios. O Projeto Berço das Águas apoiou o deslocamento entre as áreas habitadas pelo povo Nambiquara, a pedido da comunidade que vive na Terra Indígena Tirecatinga, que demandou mudas de mandioca, abacaxi, entre outros cultivares.
 
“Fizemos alguns mutirões juntamente com os indígenas para a retirada de ramas e mudas, sempre acompanhados e orientados pelos ‘donos das roças’. Mulheres, homens e jovens se envolveram na atividade, aproveitando também este momento para a retirada de mudas de bananeiras em roças antigas para plantios em suas aldeias”, detalha Renata Guerreiro, indigenista da OPAN no Projeto Berço das Águas. A ação foi considerada um sucesso pelos indígenas, pois várias de suas roças estão fracas, sem ramas, mudas e sementes suficientes para o plantio. O povo Manoki já indicou que fornecerá mudas de pequi nos próximos meses para os Nambiquara.
 
Só de pequi, o povo Manoki contabilizou cinco mil mudas. Pelo menos outras cinco mil árvores nativas já fornecem o fruto com abundância para os indígenas na Terra Indígena Irantxe, possibilitando a venda nas cidades próximas, doações e trocas com povos vizinhos.
 
Os plantios nas Terras Indígenas Manoki e Myky contou com uma parceria com o Prevfogo (Ibama), mobilizando brigadistas indígenas que atuam na prevenção e combate a incêndio florestais no município de Brasnorte e região durante a estiagem e se dedicam ao preparo e plantio de mudas durante os meses de chuva.
 
Projeto Berço das Águas
O quê: Projeto para elaborar planos de gestão territorial em terras indígenas da bacia do rio Juruena e fomentar cadeias produtivas de frutos nativos do Cerrado e da Amazônia para fins de geração de renda e sustentabilidade ambiental dos territórios.
Para quê: Apoiar a gestão territorial e a melhoria das condições de vida dos povos Manoki, Myky, Nambiquara/Sabanê.
Quando: 2011-2012
Quem: Operação Amazônia Nativa (OPAN), com patrocínio da Petrobras através do Programa Petrobras Ambiental
Onde: Terras Indígenas Myky e Manoki, no município de Brasnorte, Tirecatinga, no município de Sapezal e Pirineus de Souza, no município de Comodoro (MT).
 
OPAN
A OPAN foi a primeira organização indigenista fundada no Brasil, em 1969. Atualmente suas equipes trabalham em parceria com povos indígenas do Amazonas e do Mato Grosso, desenvolvendo ações voltadas à garantia dos direitos dos povos, gestão territorial e busca de alternativas de geração de renda baseadas na conservação ambiental e no fortalecimento das culturas indígenas.
 
Contatos com a imprensa
comunicacao@amazonianativa.org.br
(65) 3322-2980

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