07 de novembro de 2013

Por: Ximena Morales Leiva Lábrea, AM – Após dois anos de atividades no sul do Amazonas no âmbito do Projeto Conservação da Biodiversidade em Terras Públicas na Amazônia, os povos Apurinã e Paumari encerraram a etapa de diagnóstico territorial da Terra Indígena (TI) Caititu, com a elaboração de uma publicação e um etnomapa que serão importantes […]

Por: Ximena Morales Leiva

Lábrea, AM – Após dois anos de atividades no sul do Amazonas no âmbito do Projeto Conservação da Biodiversidade em Terras Públicas na Amazônia, os povos Apurinã e Paumari encerraram a etapa de diagnóstico territorial da Terra Indígena (TI) Caititu, com a elaboração de uma publicação e um etnomapa que serão importantes subsídios para a discussão do futuro plano de gestão territorial – ação que será desenvolvida pela Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Purus (Focimp), em parceria com o Projeto Demonstrativo de Povos Indígenas (PDPI), do Ministério do Meio Ambiente (MMA), seleção pública 2013.

Os materiais foram distribuídos para as 18 aldeias da TI Caititu que participaram dos trabalhos conduzidos pela OPAN. Também fizeram parte das atividades a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Focimp.

Como esta terra indígena está pressionada entre o perímetro urbano do município de Lábrea e as frentes de desmatamento que avançam desde Rondônia rumo ao sul do Amazonas, os Apurinã e os Paumari enfrentam grandes desafios no que tange à gestão territorial.

Foi por meio da realização de reuniões, encontros, conversas nas aldeias e organização de duas grandes assembleias que os indígenas compreenderam melhor o contexto atual de seu território e tiveram acesso a ferramentas que podem garantir a manutenção de sua integridade.

Para contribuir na elaboração do etnomapa, os Apurinã e os Paumari  realizaram uma expedição ao limite sul da sua terra. Em maio deste ano, a equipe da OPAN e nove indígenas navegaram até as cabeceiras do rio Puciari e passaram por locais de “campos da natureza.” Ficou evidente que essa parte da TI Caititu está mais protegida e que há abundância de frutos e caça. À medida que ia percorrendo a mata, o grupo localizou estradas de seringa e castanha, assim como vestígios de índios isolados.

“Após a expedição, os Apurinã e os Paumari se deram conta da riqueza que há no sul  da TI Caititu  e estão discutindo formas de como protegê-la  e explorá-la de forma sustentável”, observa Vinicius Benites, indigenista da OPAN. Segundo Luiz Vicente da Silva, da aldeia Boa Vista, “eu vou para o Puciari se Deus quiser, o fim de minha vida vai ser lá e vou levar todo meu pessoal pra lá.”

Feito em uma parceria entre a equipe de indigenistas da OPAN, os Apurinã e os Paumari e a Focimp, o Diagnóstico Territorial da TI Caititu destacou o potencial que a terra possui e as pressões impostas pelo seu entorno, como o desmatamento que leva à retirada ilegal de madeira, e a consequente instalação de pastagens de gado e lavouras de soja. Outro ponto de atenção é a prática de caça e pesca predatórias por invasores.

A publicação também traz um censo populacional da terra, calendário ecológico e um quadro de lideranças. Os indígenas refletiram sobre o estado atual da saúde, educação e infraestrutura no local,  apresentando algumas demandas.

 

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