28 de dezembro de 2013

A Operação Amazônia Nativa (OPAN) vem por meio desta nota pública externar a sua preocupação com os fatos ocorridos em Humaitá, no sul do Amazonas, nos últimos dias e cobrar das autoridades competentes o reestabelecimento da ordem e a garantia de segurança para todos os cidadãos da região. Não obstante a importância de se conseguir […]

A Operação Amazônia Nativa (OPAN) vem por meio desta nota pública externar a sua preocupação com os fatos ocorridos em Humaitá, no sul do Amazonas, nos últimos dias e cobrar das autoridades competentes o reestabelecimento da ordem e a garantia de segurança para todos os cidadãos da região. Não obstante a importância de se conseguir uma resposta para a angústia das famílias das três pessoas desaparecidas, fatos ainda não apurados passaram a ser tratados como verídicos causando uma onda de ódio contra os indígenas da etnia Tenharin, fortemente incentivada pelas redes sociais na internet e pela imprensa local, que passou a acusá-los pelo desaparecimento.

Reconhecemos a importância de que essas famílias obtenham uma resposta, da mesma forma que entendemos que não são essas famílias as responsáveis pela onda de ataques ao patrimônio público da União. Os financiadores e líderes do movimento são madeireiros da região do distrito de Santo Antônio do Matupi, que se aproveitaram da dor alheia em favor próprio. O maior alvo dos ataques foi a Funai, coincidentemente principal responsável por provocar operações conjuntas com Ibama e  Polícia Federal, que culminaram no fechamento de madeireiras ilegais naquela localidade.

No dia de ontem (27/12), um grupo de aproximadamente 300 pessoas invadiu aldeias Tenharin, que em sua maioria estão ocupadas apenas por crianças e mulheres. Outro grupo de cerca de 160 pessoas, fundamentalmente composto pelas lideranças desse povo, encontra-se isolado no quartel do Exército, em Humaitá. Os “manifestantes” atearam fogo em algumas casas e nas barreiras que os indígenas Tenharin e Jiahui utilizam para a cobrança de pedágio a título de compensação ambiental pela estrada que corta seu território (BR 230 – Transamazônica).

Esses dois pontos são o pano de fundo para os acontecimentos. Muito mais que aliviar a dor das famílias ou cobrar providências do governo sobre o desaparecimento desses três cidadãos, políticos locais e madeireiros aproveitaram-se do momento de comoção para um “ajuste de contas” com os indígenas e com a Funai. Eles consideram o fechamento das madeireiras e a cobrança da compensação ambiental uma afronta. Humaitá é terra de gente honesta e trabalhadora, mas infelizmente parte da população está sendo manipulada de forma vil.

Esperamos que a ordem seja reestabelecida o mais prontamente possível, por meio da apuração dos fatos e que haja punição para os envolvidos. É lamentável perceber que interesses escusos foram colocados diante da dor de famílias e da segurança dos indígenas. A legislação brasileira prevê punição para crimes, sem distinção de raça, cor ou credo. Há meios legais para quem se sinta injustiçado cobre, mas é inadmissível aceitar a ideia de destruição do patrimônio público, cerceamento do direito de ir e vir, crimes de racismo e ameaças de morte sejam tomados como instrumentos legítimos para tal.

Conselho Diretor da OPAN

Cuiabá, 28 de dezembro de 2013

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