04 de junho de 2014

Por: Andreia Fanzeres/OPAN São Félix do Araguaia, MT – Na última sexta-feira, mais uma criança Xavante em Marãiwatsédé faleceu em virtude de insuficiência respiratória e desnutrição. Era um bebê de quatro meses que, segundo os indígenas, precisava de um balão de oxigênio. Em denúncia encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF), o cacique Damião Paridzané e o […]

Por: Andreia Fanzeres/OPAN

São Félix do Araguaia, MT – Na última sexta-feira, mais uma criança Xavante em Marãiwatsédé faleceu em virtude de insuficiência respiratória e desnutrição. Era um bebê de quatro meses que, segundo os indígenas, precisava de um balão de oxigênio.

Em denúncia encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF), o cacique Damião Paridzané e o presidente do conselho local de saúde da aldeia Marãiwatsédé, Cosme Rité, argumentam que há tempos têm sido enviados documentos à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) pedindo a compra de equipamentos emergenciais como o balão de oxigênio, mas até agora não obtiveram respostas. De acordo com eles, em 2012 outra criança faleceu a caminho do hospital pelas mesmas razões.

“Se tivesse oxigênio na aldeia, poderíamos ter salvado minha neta”, lamenta Alcione Wa’aihã Tseredze, que trabalha no posto como agente indígena de saúde.

Há um ano e meio o MPF emitiu uma recomendação à Sesai para que executasse uma série de melhorias no posto de saúde na Terra Indígena Marãiwatsédé, que atende a uma população aproximada de mil indígenas. O prazo para as mudanças e a compra dos equipamentos era junho de 2013. Em julho, em visita à aldeia, o procurador da República em Barra do Garças, Lucas Sette, verificou que de fato houve uma reforma substancial no posto de saúde.

No entanto, constatou o não cumprimento da recomendação, enviando um novo pedido de explicações à Sesai e ao Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Xavante. Até hoje os equipamentos emergenciais ao posto de saúde, incluindo o balão de oxigênio, não foram providenciados. “Esta infelizmente é uma situação recorrente em toda a região. No Parque Indígena do Xingu, por exemplo, em nenhum polo base existe balão de oxigênio”, explicou Sette.

Com relação à desnutrição, ainda tem sido difícil trabalhar preventivamente, dada a gravidade da situação dos indígenas na região. O procurador informou que há 10 meses foi retomado um programa de vigilância nutricional que derrubou os casos de subnutrição de 50% para 25% da população Xavante de gestantes, menores e idosos em Marãiwatsédé. Uma das principais ações foi a volta da multimistura. A intenção é que esta medida seja expandida também a outras terras indígenas, como a TI Parabubure, onde a situação de desnutrição entre os Xavante é mais grave.

 

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