30 de junho de 2014

Por: Carla Ninos/OPAN Lábrea, AM – Durante os dias 13 e 22 de junho, em reunião geral, cerca de 80 Jamamadi revisaram, discutiram e validaram os acordos e demandas do povo que foram elaboradas em reuniões anterioes nas aldeias Buritirana, Carapananzal, Embaúba, São Francisco, Pauzinho, Morada Nova, Jatobá e Poço Grande, na Terra Indígena Jarawara/Jamamadi/Kanamanti, no […]

Por: Carla Ninos/OPAN

Lábrea, AM – Durante os dias 13 e 22 de junho, em reunião geral, cerca de 80 Jamamadi revisaram, discutiram e validaram os acordos e demandas do povo que foram elaboradas em reuniões anterioes nas aldeias Buritirana, Carapananzal, Embaúba, São Francisco, Pauzinho, Morada Nova, Jatobá e Poço Grande, na Terra Indígena Jarawara/Jamamadi/Kanamanti, no sul do Amazonas. Respeitando a autonomia de cada aldeia para escolher o que é importante para o povo durante esse processo de elaboração do Plano de Gestão Territorial. Esta foi mais uma etapa do projeto Raízes do Purus, executado pela OPAN, com patrocínio da Petrobras.

Até o momento, os Jamamdi escolheram discutir em seu plano de gestão sobre lixo, roçado, copaiba, andiroba, bebida alcoolica, artesanato e cipó.

“Já fizemos várias discussões nas aldeias. O processo para a elaboração do plano de gestão territorial e ambiental é feito de forma coletiva pelos indígenas, quando eles dizem a maneira que vivem e como querem continuar vivendo, tendo em vista a preocupação em garantir os recursos naturias e culturais para as futuras gerações”, explica o indigenista da OPAN, Vinicius Benites Alves.

“O Jamamadi tem que pensar em como vai cuidar da sua terra”, reitera o cacique da aldeia Embaúba, Silva Jamamadi.

“Todo ano, Jamamadi faz roçado novo para não faltar farinha e frutas. Porque Jamamadi é diferente, não mora na cidade e não compra rancho. Tem que fazer o roçado”, diz Ricardo Jamamadi, cacique da aldeia Carapananzal, ao explicar a importância da terra para o povo durante a reunião.

O Plano de Gestão Territorial Jamamadi vai ser bilingue, em português e em jamamadi, língua que pertence à família Arawá da Amazônia Ocidental. Por isso, durante todos os encontros, a equipe da OPAN conta com o apoio dos professores e lideranças para fazer a tradução e a mediação com o povo.

“Durante a reunião geral, conforme os assuntos eram apresentados, analisados e discutidos e, em alguns casos, refeitos ou retirados do documento, era grande a participação dos anciãos, caciques, homens, mulheres e jovens. E quando foram discutidos temas como roçado e artesanato, tivemos uma representação muito significativa por parte das mulheres. Elas foram na frente e levantaram questões importantes para discussão”, ressalta o indigenista da OPAN, Magno dos Santos.

Próximos passos

Atualmente, há cerca de 373 Jamamadi distribuídos em 8 aldeias dentro da TI Jarawara/Jamamadi/Kanamanti, localizada na bacia do rio Purus, no estado do Amazonas. Eles são exímios caçadores e grandes produtores.

Esse diálogo e aproximação com o povo é permanente, não só através de atividades específicas sobre a elaboração do plano, mas através das ações  de intervenção indigenista, como as aplicações de oficinas de boas práticas de manejo para a extração de produtos florestais não madeireiros, como a extração do óleo de copaíba, que é destaque no mercado regional, andiroba e cipó titica, além de expedições ao território, onde os Jamamadi elaboraram o etnomapeamento, que serviu de base para as discussões do plano de gestão.

Em setembro de 2014, a equipe da OPAN terá outra reunião com o povo para discutir e validar para o Plano de Gestão Territorial as demandas sobre educação, saúde, futebol, caça, pesca, coleta de frutos, vigilância, e o que mais for sugerido.

 

Contatos com a imprensa

Carla Ninos – carla@amazonianativa.org.br

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