07 de julho de 2014

Por: Andreia Fanzeres/OPAN São Félix do Araguaia, MT – Um grupo de mulheres da Terra Indígena Marãiwatsédé voltou a produzir a receita tradicional do bolo de milho xavante feito na brasa (tsadaré). Elas participaram de uma oficina apoiada pela escola indígena e pela OPAN no mês de abril e transmitiram seus saberes culinários às moças mais […]

Por: Andreia Fanzeres/OPAN

São Félix do Araguaia, MT – Um grupo de mulheres da Terra Indígena Marãiwatsédé voltou a produzir a receita tradicional do bolo de milho xavante feito na brasa (tsadaré). Elas participaram de uma oficina apoiada pela escola indígena e pela OPAN no mês de abril e transmitiram seus saberes culinários às moças mais jovens. Muitas disseram que até aquele momento nunca tinham cozinhado o tsadaré do jeito como as anciãs ensinaram.

Os Xavante escolheram uma receita com o milho xavante (nodzö), aproveitando sua sazonalidade, já que muitos indígenas haviam feito a colheita semanas antes. A professora e liderança xavante Carolina Rewaptu foi uma das responsáveis por conduzir o processo de ensino-aprendizagem, junto com 25 jovens (de 12 a 20 anos), quatro mulheres adultas e cinco anciãs.

Elas cozinharam três bolos de milho e assaram mandiocas com casca na brasa de forma tradicional. O tsadaré é um bolo feito em cerimônias rituais e possui grande importância nas relações de troca-reciprocidade, geralmente consumido pelos anciãos da aldeia. Na experiência da oficina, os anciãos elogiaram a iniciativa e ficaram satisfeitos com o retorno do alimento. Enquanto as mulheres fazem o tsadaré, os homens empenham-se em atividades de caça para que a carne complete a refeição. A caça é uma atividade de altíssimo valor cultural para os Xavante, e, mesmo utilizando cada vez mais a carne de animais domésticos no cotidiano, ela não substitui seu status para os indígenas.

Em função da situação generalizada de desmatamento e degradação do território de Marãiwatsédé, fruto de duas décadas de invasões, a realização de expedições de caça é um desafio. Do mesmo modo, a escassez de milho tradicional tem feito com que as mulheres adicionem farinha de trigo e açúcar à receita, afastando-se do modo tradicional e sem aproveitar as propriedades do nodzö.

Além do tsadaré, as mulheres assaram também outros bolos de milho menores, de cozimento mais rápido no borralho, isto é, diretamente nas cinzas sem a proteção de folhas de bananeira-brava. Esta é uma técnica de armazenamento do alimento, para que dure em tempos de escassez.


Receita do bolo de milho tradicional xavante

tsadaré

Ingredientes:

Milho xavante debulhado

Água

Folha de bananeira-brava

Terra de cupinzeiro

Modo de fazer:

Primeiramente, o milho foi pilado e peneirado, transformando-se em uma farinha. As indígenas adicionaram água e fizeram uma massa, colocando-a nas folhas de bananeira-brava em formato circular. Durante a montagem do bolo, as anciãs quebraram os cupinzeiros e jogando-os encima do fogo com madeira. A terra de cupinzeiro tem propriedades que permitem a absorção de uma grande quantidade de calor, sem carbonizar o alimento. Após a montagem do bolo nas folhas de bananeira, eles foram colocados sobre o fogo e a terra dos cupinzeiros. Deste modo, cozinhou por aproximadamente três horas.

 

Contatos com a imprensa
comunicacao@amazonianativa.org.br
(65) 3322-2980

COMO EVITAR A SAVANIZAÇÃO DA AMAZÔNIA

05 Set, 2022

Iniciativas de manejo sustentável de produtos da sociobiodiversidade são soluções que protegem a floresta, enquanto geram renda justa para comunidades indígenas.

Brô Mc’s: conheça o primeiro grupo de rap indígena a pisar no Rock in Rio

01 Set, 2022

Maior festival de música do mundo terá palco demarcado pela resistência indígena. Nos bastidores, grupo vai trazer mensagem especial sobre os isolados, indígenas que rejeitam contato com o restante da sociedade.

Vale do Javari: associação entre crimes ambientais e narcotráfico atualiza modus operandi do sistema seringalista

26 Ago, 2022

Apesar do histórico de massacres, exploração de recursos naturais e mão de obra escravizada, a região já vivenciou momentos de maior estabilidade quando o Estado se fez presente.
Nossos Parceiros
Ver Mais