18 de julho de 2014

Por: Andreia Fanzeres/OPAN Canarana, MT – Uma comitiva de mulheres Xavante da Terra Indígena Marãiwatsédé participou do primeiro encontro da Rede de Sementes do Xingu no final do mês de maio. Cerca de 60 representantes de comunidades do corredor Xingu-Araguaia compareceram à Canarana para palestras, intercâmbios e trocas de experiências, realizando também visitas a propriedades envolvidas […]

Por: Andreia Fanzeres/OPAN

Canarana, MT – Uma comitiva de mulheres Xavante da Terra Indígena Marãiwatsédé participou do primeiro encontro da Rede de Sementes do Xingu no final do mês de maio. Cerca de 60 representantes de comunidades do corredor Xingu-Araguaia compareceram à Canarana para palestras, intercâmbios e trocas de experiências, realizando também visitas a propriedades envolvidas com a iniciativa no município de Nova Xavantina.

As comunidades participaram de uma palestra ministrada pela pesquisadora associada do Instituto Socioambiental (ISA), Rosely Sanches, sobre a velocidade do desmatamento no Xingu entre 1997 e 2004 na sede da Associação Terra Indígena Xingu. Os impactos externos às terras indígenas começaram a ser sentidos dentro das áreas protegidas o que motivou, em 2004, a Campanha Y Ikatu Xingu e, três anos depois, a Rede de Sementes do Xingu. Hoje a rede tem 350 coletores em por 21 municípios mato-grossenses.

Ao longo de três dias, as comunidades visitaram viveiros de mudas e uma casa de sementes em Canarana, que tem uma área aberta, com ampla ventilação, onde se armazenam sementes mais resistentes, como o jatobá. Conta também com outro espaço fechado climatizado à temperatura de 15°C. Essa casa de semente serve de inspiração para a construção de um ambiente destinado, entre outras funções, para armazenar e catalogar devidamente as sementes coletadas em Marãiwatsédé. Esse complexo, que será construído a partir do segundo semestre de 2014 com apoio da OPAN, está sendo concebido junto com os Xavante a partir de preceitos da bioarquitetura e respeitando o modelo de habitação tradicional.

A rede busca mobilizar comunidades que têm acesso e manejam sementes importantes para restauração florestal, a fim de vendê-las para abastecer o mercado local. Deste modo, dá aos proprietários que desmataram além do permitido, condições para recuperarem suas áreas. Apesar do sucesso da iniciativa, a rede enfrenta o desafio de conseguir atender toda a demanda de compradores em quantidade e variedade de espécies.

As coletoras de Marãiwatsédé visitaram também fazendas que estão passando por processos de restauração orientados pelo ISA em Canarana, onde puderam observar resultados em diferentes áreas, entre quatro e seis anos de regeneração. A comparação com áreas sem o incentivo à regeneração foi marcante. Em Nova Xavantina, o grupo de coletores soma 20 pessoas, que vivem em assentamentos e na área urbana da cidade. Eles coletam e beneficiam as sementes no próprio local e criaram protocolos para entrega dos materiais para assegurar sua qualidade.

Ainda em Nova Xavantina, as coletoras visitaram uma propriedade particular que contém, entre outras espécies, olandi, mirindiba, tucum, angelim e gabiroba. Também foi mostrada a técnica de coleta da garapa (Apuleia leiocarpa) – espécie abundante na TI Maraiwãtsédé e de interesse da rede de sementes. Elas aproveitaram para coletar grande número de sementes de babaçu.

Depois, foi realizada uma troca de sementes e artesanato e degustação de delícias feitas com os produtos locais, como canjica e pé de moleque com castanha baru, farofa de jaca e suco de polpa de diferentes frutos.

“Esta experiência proporcionou a visão da rede como um todo, fazendo com que todos se situem nessa cadeia, se sintam parte dela e percebam a importância de cada integrante na recuperação das nascentes e matas ciliares do Xingu e seus afluentes”, descreve o indigenista da OPAN, Danilo Guimarães.

Núcleo Marãiwatsédé

Hoje, 78 coletoras de 13 famílias da Terra Indígena Marãiwatsédé compõem a Rede de Sementes do Xingu. Os trabalhos começaram em 2011, com encontros de formação, orientação, recebimento e pagamento pelas sementes encomendadas, com suporte da equipe indigenista da OPAN.

Na época, os Xavante decidiram participar desta rede através do núcleo de São Félix do Araguaia. Uma vez por ano, as mulheres que se inscreveram na iniciativa elaboram uma lista potencial de sementes disponíveis no território, estimam quanto pretendem coletar e enviam a informação para a rede, que cruza as ofertas com as encomendadas e faz dois pedidos anuais para as coletoras. Esse trabalho vai além do que o simples recolhimento das sementes na mata. Ele inclui a preocupação de não exaurir as árvores matrizes e orientação sobre boas práticas quanto ao armazenamento e ao beneficiamento das sementes.

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