25 de agosto de 2014

Por: Keka Werneck/OPAN Sapezal, MT – Com a principal intenção de fortalecer as roças tradicionais do povo Nambiquara, o Projeto Berço das Águas, executado pela Operação Amazônia Nativa (OPAN) e patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, apoiou a organização de um intercâmbio de sementes entre indígenas no dia 18 de julho de […]

Por: Keka Werneck/OPAN

Sapezal, MT – Com a principal intenção de fortalecer as roças tradicionais do povo Nambiquara, o Projeto Berço das Águas, executado pela Operação Amazônia Nativa (OPAN) e patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, apoiou a organização de um intercâmbio de sementes entre indígenas no dia 18 de julho de 2014, na aldeia Três Jacu, Terra Indígena Tirecatinga, no noroeste de Mato Grosso.

Participaram das trocas representantes das aldeias Manoki e Myky, em Brasnorte, e de várias aldeias Nambiquara, localizadas nas terras indígenas Tirecatinga e Pirineus de Souza, em Sapezal e Comodoro.

Os indígenas montaram uma pequena feira de trocas de sementes e artesanatos tradicionais na Casa da Cultura, inaugurando um espaço novo no pátio da aldeia, cuja arquitetura inspira-se na também tradicional oca de palha. A OPAN apoiou a construção desse espaço onde o povo Nambiquara e parentes de outras etnias que vivem nas proximidades poderão realizar eventos culturais e de confraternização.
Na feira, tinha muda de bananeira de várias espécies, amendoim, cará, batata, milho, feijão-favo, fumo e taquara, já esculpida para fazer flecha. Tinha também, entre outros produtos, recipientes de todos os tamanhos feitos de cabaça, colares e cestas trançadas com palha de açaí, muito comum na região.
O cacique Davi, da aldeia Aroeira, na Terra Indígena Pirineus de Souza, em Comodoro, avaliou a importância do intercâmbio. “Viemos interessados em levar cana porque temos lá, mas é uma muda muito fraca. Então para nós é muito bom poder contar com os parentes, fazer essa troca para melhorar nossas roças”.
Para o cacique Ari, da aldeia Três Jacus, a alimentação tradicional precisa ser garantida e, fazendo a troca de sementes, os parentes indígenas se ajudam e todos podem “erguer a cabeça”, orgulhosos da colheita farta.
O pajé Milton, de 60 anos, da Terra Indígena Pirineus de Souza, destacou que a alimentação indígena deve ser à base de biju, peixe e carne de caça, além de alimentos das roças tradicionais. Ele participou da pajelança realizada também na Casa da Cultura, no final da tarde do mesmo dia, quando lideranças espirituais pediram fartura alimentar e proteção contra tragédias, mortes e doenças. Durante a pajelança, que durou a noite toda, serviram chicha de banana, feita com polvilho e mandioca, para dar energia.
“O povo Nambiquara é muito ligado ao mundo espiritual, aos rituais, às conversações com os espíritos. Os pajés têm muito poder na organização social deles. Essa é a grande força desse povo. A riqueza está não no material mas no sobrenatural”, observa o antropólogo e indigenista da OPAN, Victor Amaral Costa.
A coordenadora do Projeto Berço das Águas, Artema Lima, explicou que, além de ser um momento de socialização entre os indígenas, muito bonito de se ver, essa feira tem intenção de fortalecer a riqueza e diversidade genética de sementes indígenas da região, além de melhorar a qualidade de vida dos povos.
O coordenador geral da OPAN, Ivar Busatto, que conhece o povo Nambiquara desde 1972, destaca que as roças em algumas aldeias estão enfraquecidas. “Os indígenas sofrem muita pressão e a agenda externa deles é enorme. Isso desmobiliza a agricultura, que é um ponto essencial para a subsistência deles. As aldeias que ficam um pouco mais isoladas e mais distantes das cidades garantem melhor a colheita. As outras garantem menos”, opina.
O intercâmbio de sementes na aldeia Três Jacu abriu um final de semana festivo no mês de julho e de confraternização entre mais de 230 indígenas dos povos Nambiquara e também Paresi, Myky, Manoki e Enawene nawe.
Além da feira de sementes e da pajelança, seis adolescentes, de 11 a 14 anos, realizaram o ritual da menina-moça, que o povo Nambiquara repete há milhares de anos preparando a nova geração de jovens para a vida adulta. A festa marca profundamente as meninas nesta fase da vida, para que jamais se esqueçam quem são e mantenham viva a cultura Nambiquara.
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