01 de dezembro de 2014

A Chapada dos Parecis, no Noroeste do Mato Grosso, é constituinte do divisor das bacias amazônica e platina, e identifica geograficamente a região do Rio Sacuriuiná, onde há a Ponte de Pedra, o lugar de origem do povo Haliti. A narrativa mítica que se apresenta abaixo sobre a origem desse povo foi contada por um homem, na […]

A Chapada dos Parecis, no Noroeste do Mato Grosso, é constituinte do divisor das bacias amazônica e platina, e identifica geograficamente a região do Rio Sacuriuiná, onde há a Ponte de Pedra, o lugar de origem do povo Haliti. A narrativa mítica que se apresenta abaixo sobre a origem desse povo foi contada por um homem, na língua portuguesa, na sua casa, no dia vinte e três de fevereiro de mil novecentos e noventa e seis (23/02/1996), na Aldeia Seringal, na Terra Indígena (T.I.) Paresi, quando lá ele morava. Entretanto, é importante sublinhar que o domínio da língua portuguesa pelas gerações atuais coexiste com a vigência da língua materna, classificada como pertencente à família linguística Aruak.

Na versão registrada aqui, reincidem os fenômenos relatados noutras versões ouvidas quando com eles morei. Antes, esclareço que estive inserida num projeto de intervenção indigenista junto ao povo Paresi entre 1995 e 1997, através da Operação Amazônia Nativa (OPAN), uma organização não governamental sediada em Cuiabá, Mato Grosso, Brasil. Por registrar em diários de campo as experiências vividas na relação com as famílias desse povo, foi possível construir estas reflexões no campo da Antropologia. Muitas informações aqui contidas vieram da interação com pessoas Haliti, e outras a partir da sistematização de informações extraídas da pesquisa bibliográfica.

Exposto isso, compartilho a narrativa mítica e as interpretações construídas, reconhecendo que este texto pode ser revisitado e aberto para uma continuidade dele, incorporando outras experiências históricas na trajetória da interação do povo Haliti com o não indígena.

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