30 de abril de 2015

A agricultura de monocultivos destinados à exportação demandam grandes porções de terras para sua produção, o que impulsiona os processos de desmatamento, ocupação e exploração de novas áreas. Na região Nordeste de Mato Grosso, a Terra Indígena (TI) Marãiwatsédé, território da etnia Xavante, foi ocupada na década de 1950 por não indígenas. Desde a retirada […]

A agricultura de monocultivos destinados à exportação demandam grandes porções de terras para sua produção, o que impulsiona os processos de desmatamento, ocupação e exploração de novas áreas. Na região Nordeste de Mato Grosso, a Terra Indígena (TI) Marãiwatsédé, território da etnia Xavante, foi ocupada na década de 1950 por não indígenas. Desde a retirada total dos Xavante de seu território, a TI foi disputada por não indígenas. No ano de 2010, após determinação de posse da TI para os Xavantes, o processo de desintrusão total dos ocupantes não indígenas foi concluído somente em 2013. No entanto, nenhuma avaliação sanitária e ambiental foi realizada pelos órgãos federais para devolução e o retorno dos indígenas à sua terra originária. No período de ausência dos Xavante na TI, a terra foi utilizada para o plantio de monocultivos como arroz, soja, milho e pastagens.

Esse modelo de agricultura é químico-dependente de agrotóxicos e fertilizantes em seus processos de produção podendo expor as populações aos seus resíduos químicos diretamente ou indiretamente pelas matrizes ambientais (ar, solo e água) e biológicas (peixes, aves e mamíferos) contaminados. O objetivo desse estudo foi verificar a contaminação hídrica por agrotóxicos na TI Marãiwatsédé e relatar outros impactos negativos do agronegócio na saúde da comunidade. Para isso, foram realizados os estudos de a) quantificação da produção agrícola por uma série histórica e estimativa de consumo de agrotóxicos dentro da TI, b) Verificação da presença de agrotóxicos na água e sedimentos de rios por meio de análises químicas, e c) relato da situação de saúde ambiental, ocasionada pelo processo produtivo agrícola dentro da TI. Verificou-se aumento anual no consumo de agrotóxicos, sendo o glifosato, o metamidofós e o 2,4D, os agrotóxicos mais utilizados.

Dos sete pontos amostrados das análises químicas para detecção da presença de agrotóxicos na água superficial e sedimento de rio, foi detectado resíduo do agrotóxico permetrina no ponto P01, na concentração de 0.19µ/l. Essa concentração é menor do que o VMP para esse agrotóxico na legislação de potabilidade da água (Portaria MS 2.914/2011). Foram analisados apenas 12 princípios ativos além de outras limitações do método. No entanto, questionam-se as implicações dessa substância e de outras, prováveis dentro da TI. No ponto amostrado houve relatos de adoecimento após consumo de água deste local. A saúde ambiental na TI estava fragilizada devido à grande degradação do ambiente por queimadas, desmatamento, exposição a montante de fertilizantes químicos e vasilhames de agrotóxicos que estavam espalhados em locais da TI. Além disso há lavouras de monocultivos em atividade no entorno da TI, aumentando o risco de contaminações das nascentes de rios e do ambiente da TI de “fora para dentro”.

Palavras-chave: Poluição da água, Agrotóxicos, Povos Indígenas, Xavante.

Dissertação de Mestrado de Fancco Antonio Neri de Souza e Lima
Universidade Federal de Mato Grosso
Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva

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