10 de junho de 2015

Experiência com coletoras de Marãiwatsédé serve de exemplo para mulheres de outras aldeias. Por: Mel Mendes/OPAN São Félix do Araguaia (MT) – Representantes do grupo de coletoras Pi’õ Romnhá Ma’ubu’mrõiwa, formado por mulheres Xavante da Terra Indígena (TI) Marãiwatsédé, participaram de intercâmbio e feira de troca de sementes na aldeia Xavante Ripá, localizada na TI Pimentel Barbosa, […]

Experiência com coletoras de Marãiwatsédé serve de exemplo para mulheres de outras aldeias.

Por: Mel Mendes/OPAN

São Félix do Araguaia (MT) – Representantes do grupo de coletoras Pi’õ Romnhá Ma’ubu’mrõiwa, formado por mulheres Xavante da Terra Indígena (TI) Marãiwatsédé, participaram de intercâmbio e feira de troca de sementes na aldeia Xavante Ripá, localizada na TI Pimentel Barbosa, município de Canarana (MT), entre os dias 24 e 27 de abril de 2015. Esta foi a primeira vez que grupos de coletoras Xavante de diferentes aldeias se encontraram para compartilhar conhecimentos e experiências sobre manejo e comercialização de sementes florestais no âmbito da Rede de Sementes do Xingu (RSX).

Durante o encontro, foram realizadas oficinas de etnomatemática e de tradução de nomes de espécies comercializáveis com apoio das equipes da Operação Amazônia Nativa (OPAN) e Instituto Socioambiental (ISA). Além disso, se discutiu o calendário sazonal e a metodologia de elaboração da lista potencial de entrega de sementes, feita anualmente por cada grupo para que a RSX possa organizar a disponibilidade de venda e listas de pedidos com os compradores.

Carolina Rewaptu, professora e representante das coletoras de Marãiwatsédé, conta que o encontro foi uma grande oportunidade de conhecer pessoas e mostrar o trabalho realizado pelo grupo, e destaca a importância da feira de troca de sementes. “Trocamos plantas medicinais, sementes, artesanato da nossa cultura e ganhamos algumas coisas que não existem mais em Marãiwatsédé, porque teve muito desmatamento”, explica a coletora.

O indigenista da OPAN, Marco Tulio Ferreira, descreve a atividade como uma experiência muito prazerosa e rica em trocas de saberes, recursos e experiências de organização comunitária. Ele conta que o elevado grau de autonomia e a capacidade de organização do grupo de coletoras de Marãiwatsédé motivou as coletoras de Ripá, que iniciaram suas atividades mais recentemente, no ano de 2014. “O intercâmbio como um todo serviu para fortalecer e estimular o novo grupo da aldeia Ripá, a partir do exemplo e inspiração das coletoras de Marãiwatsédé”, diz.

Pi’õ Romnhá Ma’ubu’mrõiwa

O grupo de coletoras de sementes de Marãiwatsédé surgiu em 2011 com apoio da OPAN na realização de encontros de formação, orientação técnica e acompanhamento das atividades. Ainda em 2011, o grupo se associou à Rede de Sementes do Xingu (RSX), que comercializa sementes florestais para a recuperação de áreas degradadas em todo o Brasil e conta com mais de 420 coletores de diversas comunidades da região Xingu/Araguaia.

O grupo, que começou tímido, com apenas cinco participantes, cresce e se estrutura melhor a cada dia. No ano de 2014, cerca de 50 mulheres realizaram entregas de sementes para a RSX, entre crianças, jovens, adultas e idosas. As coletas renderam R$5.895,23, mais que o dobro do arrecadado no ano anterior. As espécies mais coletadas em 2014 foram: fedegoso, feijão-de-porco, crotalária, mamoninha, tamboril, buriti e urucum.

Além de contribuir para a geração de renda a partir de uma atividade econômica sustentável, os trabalhos do grupo fortalecem a organização política e social das mulheres Xavante, o senso de trabalho coletivo e estimulam outras formas autônomas de organização, gestão e vigilância territorial que refletem positivamente na vida de toda a comunidade.

As reuniões e atividades das coletoras representam um espaço de encontro mais amplo para as mulheres, onde ocorre troca de saberes entre as jovens e as anciãs e discussão de questões referentes à vida cotidiana na aldeia e outras pautas indígenas.

Atualmente, a equipe da OPAN realiza reuniões de acompanhamento das atividades e apoia a elaboração da lista potencial anual e a pesagem e venda das sementes para a Rede. Além disso, dá apoio estrutural e orientações sobre boas práticas quanto ao manejo e armazenamento das sementes. A instituição também facilita e organiza a participação das indígenas nos eventos e outras atividades realizadas pela RSX, como intercâmbios, feiras, seminários e etc. Dessas atividades, as mulheres Xavante trazem experiências, conhecimentos e novas sementes que contribuem para a segurança alimentar da comunidade e o reflorestamento da TI, aumentando também a variedade e a quantidade de espécies disponíveis para a coleta.

Contatos com a imprensa

Mel Mendes – mel@amazonianativa.org.br

Telefones: 65 9984-8334 e 65 3322-2980

www.facebook.com/amazonianativa

Foto de Marco Tulio Ferreira/OPAN
Foto de Marco Tulio Ferreira/OPAN
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Foto de Marco Tulio Ferreira/OPAN
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