04 de novembro de 2015

Povo realiza troca de sementes e mudas durante festa da Menina-Moça. Por: Mel Mendes/OPAN Vilhena, RO – O povo Nambikwara da Terra Indígena Pirineus de Souza esteve em festa entre os dias 26 e 28 de setembro de 2015. Receberam dezenas de convidados para celebrar a festa da menina-moça, rito de passagem das meninas para a […]

Povo realiza troca de sementes e mudas durante festa da Menina-Moça.

Por: Mel Mendes/OPAN

Vilhena, RO – O povo Nambikwara da Terra Indígena Pirineus de Souza esteve em festa entre os dias 26 e 28 de setembro de 2015. Receberam dezenas de convidados para celebrar a festa da menina-moça, rito de passagem das meninas para a vida adulta. Participaram indígenas dos povos Myky, Manoki e Nambikwara, de Mato Grosso.

Foram dias de alegria e fartura, que contaram também com troca de sementes e mudas nativas, apresentação cultural dos povos convidados e visitas às roças dos donos da casa, quando eles trocaram experiências e técnicas de cultivo. As atividades foram apoiadas pela Operação Amazônia Nativa (OPAN) através do projeto Berço das Águas, patrocinado pela Petrobras.

Os Nambikwara mostraram aos visitantes suas ricas roças, com plantios de banana, mandioca, cará e diversos tipos de frutasm, além de outras espécies que fazem parte da alimentação tradicional do povo. Valdir Sabanê, liderança de Pirineus de Souza, estava orgulhoso. “Hoje a gente pode receber bem os nossos convidados. Temos roça farta e condições de alimentar todos e garantir o oferecimento do ritual”, conta.

Para o coordenador de campo do projeto Berço das Águas, Fabiano da Matta, o encontro mostra a riqueza cultural e a forte organização social dos povos envolvidos. “Este momento estimula a retomada do plantio de variedades tradicionais e também a produção de alimentos para os rituais, que complementam o ciclo de vida dos povos, muito associado à terra e  a relação com os espíritos”, afirma. “Tudo isso fortalece o movimento indígena, a aproximação entre as etnias e a discussão dos problemas sociais e estruturais que os afetam”, completa Fabiano da Matta.

De meninas a mulheres    

O ritual começa quando acontece a primeira menstruação das meninas. Na ocasião, a comunidade se reúne para iniciar os preparativos da festa, que envolve a todos no cuidado com a roça, na realização de expedições de caça e pesca, no preparo dos ornamentos rituais e na articulação com parceiros.

As mulheres da aldeia constroem, então, uma pequena casa de palha no pátio. As meninas são conduzidas pelos anciãos até a casinha, e lá permanecem reclusas por até três meses, só saindo no ultimo dia da festa. Durante esse tempo, são alimentadas pelas mães e por outras mulheres mais velhas, ouvem histórias e recebem orientações de como se comportar como uma mulher. Os homens são proibidos de entrar em contato com elas durante esse período. Depois que passam pelo ritual, as moças nambikwara já podem casar.

Acompanhe a festa pelo olhar do fotógrafo Adriano Gambarini, convidado pela OPAN e pelo povo Nambikwara para registrar o ritual.

Na manhã do primeiro dia da festa a comunidade prepara o pátio para a troca de sementes e mudas:

Indígenas expõem e trocam  mudas de diversas espécies:

Também expuseram os produtos de suas roças, como cará, mandioca e cana:

Sementes e fibras usadas na confecção de artesanato chamaram bastante atenção.

À tarde, os convidados conheceram algumas áreas de roça dos Nambikwara

Depois, homens, mulheres e crianças Nambikwara começam a se arrumar para a festa. São pinturas, colares e outros ornamentos cheios de significados.

A comunidade toda se organiza para garantir a alimentação dos convidados e participantes.

Antes do sol se pôr, já arrumados, retornam ao pátio da aldeia para iniciar a festa. Homens e mulheres formam filas separadas e seguem para o centro da comunidade.

Antes de iniciar a roda, já com todos reunidos, os povos convidados fazem uma apresentação de suas danças e cantos.

Jovens Myky.
Mulheres Manoki.
Nambikwara de Tirecatinga.

Inicia-se então a grande roda, formada por homens e mulheres da comunidade e os convidados da festa.

A dança atravessa a noite, sem parar. Os cantos são puxados pelos pajés, que ficam no centro da roda.  Os indígenas se revezam para se alimentar e dormir.

Durante esse período, as meninas ficam dentro da casinha.

De tempos em tempos, são retiradas pelos padrinhos, escolhidos pelos seus pais, para dançar na roda. Os padrinhos seguram em suas mãos todo o tempo e as meninas mantém a cabeça baixa enquanto dançam. Aqui, já aparecem enfeitadas, próximo ao final do ritual.

Em certo momento, é realizado o oferecimento. Os padrinhos recebem peixes, beijus e outros alimentos que representam a fartura da alimentação tradicional, entregues pelos pais das meninas.

Quando o sol nasce, após quase 12 horas de danças e cantos, termina o ritual. As meninas são levadas para o centro da roda pelos padrinhos e são purificadas pelos pajés, para protegê-las contra doenças. Nesse momento, pintadas, enfeitadas e com as franjas cortadas, podem erguer a cabeça e olhar o mundo com outros olhos.

A partir de então, as meninas nambikwara se tornam mulheres.

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Identidade Nambiquara 

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