Por: Dafne Spolti/OPAN Jutaí/AM – A malária parece não ter fim na Terra Indígena (TI) Rio Biá. Há pelo menos 30 anos as equipes da Operação Amazônia Nativa (OPAN) acompanham as epidemias. Muitos indigenistas ficaram doentes e os Katukina, moradores da terra indígena, convivem com a malária como se ela fosse natural tamanha a frequência e […]

Por: Dafne Spolti/OPAN

Jutaí/AM – A malária parece não ter fim na Terra Indígena (TI) Rio Biá. Há pelo menos 30 anos as equipes da Operação Amazônia Nativa (OPAN) acompanham as epidemias. Muitos indigenistas ficaram doentes e os Katukina, moradores da terra indígena, convivem com a malária como se ela fosse natural tamanha a frequência e a quantidade de pessoas contaminadas. Ao longo do tempo foram muitas mortes. Mas a Fundação de Vigilância e Saúde (FVS) e o Distrito Especial de Saúde Indígena (DSEI) estão prestes a restabelecer a situação, melhorando a saúde e a qualidade de vida das pessoas.

A aldeia Gato é onde ocorre a maior parte das contaminações; em setembro deste ano foram 45 casos de malária em um universo de 213 pessoas, de acordo com a FVS. Ou seja, 21% da população total da aldeia. Em outubro, mais 20 pessoas ficaram doentes e não por novas contaminações, mas sim por não terem concluído o tratamento devidamente. De acordo com o gerente de endemias da FVS, Antônio Nonato Ribeiro, a malária da TI Rio Biá equivale a 90% das contaminações de Jutaí. Nas calhas dos rios Sapó, Macarrão, Riozinho e Alto Jutaí foram 11 casos ao todo.

De acordo com Edemar Treuherz, indigenista da OPAN, para controlar a doença é preciso um conjunto de ações: fazer a eliminação dos mosquitos vetores e ao mesmo tempo garantir o tratamento de saúde das pessoas que hospedam o parasita. Além disso, explicou, é necessário um trabalho com os Katukina para que eles compreendam que o tratamento não pode ser interrompido. É comum saírem das aldeias mesmo doentes para ir pescar ou ir ao roçado, deixando de tomar os remédios. O indigenista Rodrigo Tawada, também da OPAN, destacou a necessidade de realizar a prevenção da doença com todos, ao mesmo tempo em que é feito o tratamento das pessoas doentes.

Antônio Nonato disse que há três equipes da FVS na TI Rio Biá, realizando a eliminação dos mosquitos. De acordo com ele, para controlar a doença será preciso que os profissionais de saúde fiquem permanentemente na aldeia Gato, sem falhar nem um dia, para dar o tratamento assistido aos Katukina. “Enquanto não tiver um profissional microscopista na aldeia Gato, nós não vamos ter um resultado”, acredita Antônio. Ele apontou que neste momento é necessário que o microscopista fique no mínimo dois meses acompanhando os tratamentos.

O coordenador do DSEI de Tefé, Narciso Cardoso Barbosa, responsável pelo atendimento em uma grande região que inclui a TI Rio Biá, está ciente da situação. Ele reforçou que é necessário fazer um ciclo integrado junto com a FVS e destacou que a equipe de saúde já fica na aldeia Gato por 15 dias e se precisar ficar mais tempo – 20 ou 25 dias – isso será feito. De acordo com ele, não necessariamente é preciso permanecer dois meses e sim o tempo necessário para a cura e não reincidência da doença. Edemar Treuherz, da OPAN, afirmou que tanto o DSEI quanto a FVS podem estar certos em relação ao tempo de acompanhamento da medicação. O importante, destacou, é que o DSEI e a FVS trabalhem de forma integrada, o que já estão mostrando fazer, estando dispostos a mudar uma antiga realidade.

Saúde da aldeia Terra Alta (Surucucu)

Apesar de todo o diagnóstico da TI Rio Biá, a aldeia Terra Alta, antigamente chamada de aldeia Surucucu, ainda fica fora de qualquer estatística de saúde já que ela não faz parte do atendimento realizado pelo DSEi e FVS. Mas agora isso também deve mudar até começo de novembro, quando o enfermeiro chefe do pólo base de saúde da TI Rio Biá irá àquela aldeia conhecer seu contexto e necessidades e cadastrar as famílias que moram lá para incluí-las no atendimento de saúde de Rio Biá.

Contatos com a imprensa

Dafne Spolti

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