08 de dezembro de 2016

Filme mostra impactos em Altamira, mentiras do governo e empreiteiras. Por: Giovanny Vera Brasília (DF) – Foi lançado nesta semana em Brasília o documentário Belo Monte: Depois da Inundação, que apresenta a situação atual da cidade de Altamira após a construção da hidrelétrica no rio Xingu, com testemunhos de atingidos pelas falsas promessas do governo federal […]

Filme mostra impactos em Altamira, mentiras do governo e empreiteiras.

Por: Giovanny Vera

Brasília (DF) – Foi lançado nesta semana em Brasília o documentário Belo Monte: Depois da Inundação, que apresenta a situação atual da cidade de Altamira após a construção da hidrelétrica no rio Xingu, com testemunhos de atingidos pelas falsas promessas do governo federal e empreiteiras.

Um dos objetivos do filme é “mostrar a história da luta na região do Xingu e contribuir ao debate sobre este modelo, para ver se é o que a gente quer”, explicou Brent Millikan, da International Rivers, realizadora do documentário. De acordo com ele é importante mostrar o caso de Belo Monte para o mundo porque “não é um caso isolado, é um câncer que vem se espalhando”.
 
Todd Southgate, diretor do documentário, explicou que é um projeto “feito para não deixar Belo Monte cair no esquecimento, é uma ferramenta de resistência para todos os impactados pela obra e também para quem vai ser impactado por outro projeto semelhante”.
 
Na plateia estiveram vários dos atingidos pelos impactos da barragem, além de representantes de povos indígenas e ribeirinhos dos estados de Mato Grosso, Pará, Tocantins e Rondônia, que expressaram surpresa e tristeza ao ver a situação calamitosa em que se encontram os impactados pela usina em Altamira.
 
“Eu nunca tinha visto assim, é uma destruição não só dos indígenas, mas dos riberinhos, dos pescadores, que hoje estão sofrendo nessa situação difícil. Eu vejo assim: se está acontecendo assim lá, como seremos nós ficando desse jeito?”, questiona Valdir Sabanê, liderança do povo Nambikwara da Terra Indígena Pirineus de Souza, em Mato Grosso.
 
“Belo Monte não é só um desastre ambiental, é um crime também”, disse Antônia Melo, uma das principais expoentes da resistência em Altamira. Sua posição foi apoiada por Gilliard Juruna, cacique da aldeia Miratu, na Terra Indígena Paquiçamba, que fica a menos de nove quilômetros do barramento. “Nosso peixe está magro, está morrendo. O peixe que comia fruta, que nos alimentava antes, não tem mais, está morrendo. Já ficamos dias sem comer, porque a agua ficou suja, e não podíamos pegar peixes”, reclama Gilliard.

Para Felício Pontes, procurador da República do Ministério Público Federal (MPF), que moveu diversas ações contra Belo Monte, o documentário “é fantástico porque ele é uma acusação contundente contra o governo federal de todas as falácias, as mentiras que eram ditas sob a alegação de desenvolvimento, dizendo que o desenvolvimento chegou na região, que o progresso chegou até o Xingu. É desmontada essa farsa através de uma hora de exibição brilhante”.

O procurador Felício Pontes afirmou ter conhecimento da existência de 40 grandes projetos hidrelétricos previstos para a Amazônia nos próximos 20 anos. Foto: Giovanny Vera/OPAN

O documentário atingiu outro objetivo, que é mostrar o que aconteceu e continua acontecendo em Altamira, alertando dos perigos da implementação de novas hidrelétricas na Amazônia, quando existem 40 grandes projetos previstos para a Amazônia nos próximos 20 anos, segundo o procurador do MPF.

Mas também gerou solidariedade e esperança às lideranças presentes no evento. “O mundo não acaba aqui, o mundo ainda está em pé”, acredita Raimunda Silva, conhecida como Maria da Ilha, atingida por Belo Monte. “A gente nunca deve desistir. Somos fracos, mas não vamos desistir. Nós sobrevivemos uma guerra, humilhados, chamados de mentirosos, mas somos verdadeiros; mentirosos são eles (governo federal e empreiteiras) que chegaram nos mentindo”.

O vídeo causou emoção nos assistentes pela duríssima realidade mostrada dos impactos da barragem. Foto: Giovanny Vera/OPAN

Finalmente, as palavras de Cândido Waro Munduruku resumem o posicionamento geral dos povos na região: “Não vamos deixar o governo fazer mais empreendimentos na bacia amazônica. Nem uma barragem a mais na Amazônia”, sentenciou.

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