Por: Bahavi Hava Deni   Terra Indígena Deni, Itamarati (AM) – “Antigamente não tinha ve’e porque todo mundo era gente do povo Deni, Madiha Deni. O ve’e era uma pessoa. Ele foi para outra aldeia, casou e nunca mais voltou. Aí o pium picou ele e depois avisou em seu ouvido: ‘Ve’e, seus parentes morreram todos. Só ficou a sua […]

Por: Bahavi Hava Deni

 

Terra Indígena Deni, Itamarati (AM) – “Antigamente não tinha ve’e porque todo mundo era gente do povo Deni, Madiha Deni. O ve’e era uma pessoa. Ele foi para outra aldeia, casou e nunca mais voltou. Aí o pium picou ele e depois avisou em seu ouvido: ‘Ve’e, seus parentes morreram todos. Só ficou a sua irmã’. Meia noite o Ve’e saiu de lá para sua antiga aldeia. Chegou nove horas da manhã na casa da sua irmã e não tinha ninguém. Ele procurou: ‘- aonde está minha irmã?’. Aí ela estava na entrada do roçado. Ela e o mutum.

Aí o ve’e falou ‘ – irmã, vamos tirar mandioca, fazer goma para fazer bastante biju e o pessoal [que tinha morrido] voltar’. Aí eles fizeram e dividiram o biju por todo o cemitério. Aí o ve’e, que era um pajé, chamou tucurime [alma] e todo mundo levantou dizendo: ‘- êê, vamos comer biju’. Acabou o biju e todo mundo virou macaco coivara [menos o ve’e e sua irmã ucucu, que é o pássaro juriti]. Aí eles decidiram baixar o rio.

O mutum pulou da canoa. Ele estava pegando piabinha. O ve’e [que estava cansado do mutum] matou o mutum. Ele estava remando na proa da canoa e sua irmã, o juriti, estava na popa. O juriti voou. Quando o ve’e viu, não estava mais. Aí ele falou ‘ – vamos embora, irmã’. E ela respondeu: ‘ – Não. Você matou o mutum. Agora não vou’. Aí o ve’e pensou: ‘Vou virar um pirarucu’. Aí ele virou a canoa e se transformou no pirarucu. E falou: ‘ – irmã, vem aqui. Vamos fazer nossa pintura de urucum’. Por isso o pirarucu tem a malha vermelha. E o juriti também passou na perna e por isso tem a perna vermelha”.

Outros relatos, como o de Umada Kuniva Deni, da aldeia Boiador, dizem também que é por conta de sua irmã, o pássaro juriti, que o pirarucu faz a sua boiada, quando vai à superfície da água. É para poder observar da água sua irmã que está voando.

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