12 de abril de 2018

Para os povos indígenas a gestão territorial se traduz em um “plano de vida para o futuro do povo e do território indígena”. Em muitos lugares, as associações indígenas estão se tornando instrumentos institucionais que viabilizam ações para a reflexão e efetivação do bem viver desses povos. Contudo, essas associações demandam a apropriação de diversas ferramentas de gestão e de […]

Para os povos indígenas a gestão territorial se traduz em um “plano de vida para o futuro do povo e do território indígena”. Em muitos lugares, as associações indígenas estão se tornando instrumentos institucionais que viabilizam ações para a reflexão e efetivação do bem viver desses povos. Contudo, essas associações demandam a apropriação de diversas ferramentas de gestão e de capacitação administrativa e organizacional para que os indígenas concretizem esses planos.

Diante desse novo contexto, a OPAN considera estratégica a realização de um conjunto de ações no campo da formação política e de gestão, com metodologias específicas para as associações indígenas e grupos de mulheres visando a condução de seus projetos de futuro e segurança de seus territórios. Um dos eixos de atuação da OPAN é o fortalecimento das organizações indígenas, que se desdobra em ações que vão desde o apoio à formação e articulação política e realização de rituais, encontros e intercâmbios entre os diferentes povos, até aos processos de aprendizagem em gestão de projetos, legislação e direitos indígenas. Tudo isso pretende facilitar o acesso a ferramentas que permitam uma maior autonomia dos povos na implementação de seus Planos de Gestão, bem como na captação de recursos para a resolução de questões que demandam algum tipo de apoio externo.

No plano político, a participação feminina encontra expressões e espaços no interior das aldeias e também fora delas, assim como nas associações. A OPAN, em todo o seu histórico de atuação, tem apoiado a participação das mulheres em diversos encontros e formações, contribuindo para o protagonismo feminino. Um exemplo é na estruturação do grupo de coletoras de sementes do povo Xavante de Marãiwatsédé, um instrumento de fortalecimento da organização feminina que ainda possibilita a geração de renda através de uma atividade sustentável, que ganha, cada vez mais, destaque regional.

Nossa parceria com a Associação Watoholi, que representa o povo Manoki, de Mato Grosso, tem mais de uma década. Nesse período, em muitos sentidos, realizamos ações pioneiras, tanto com os indígenas, quanto com a instituição, em uma relação de desafios e aprendizados constantes. Para os cursos de formação de gestores promovidos pela OPAN entre 2011 e 2015, por exemplo, a escolha de conteúdos se baseou em pesquisas de diferentes editais, de diversas agências financiadoras, tanto públicas quanto privadas, nacionais e estrangeiras, que apoiam projetos de garantia e acesso aos direitos coletivos e de gênero.

O método de aprendizagem-experiencial foi privilegiado nesse processo por propor ciclos marcados pela resolução prática dos problemas vividos pelos Manoki. Enquanto eles adquiriam novos conhecimentos, também iam vivenciando a solução dos mesmos. Dessa forma, tendo sempre em mente proporcionar um aprendizado efetivo, a OPAN realizou etapas de aulas teóricas intercaladas por etapas de dispersão. Essas últimas não se restringiram a momentos pontuais, mas consistiram em acompanhar, inicialmente, a totalidade das atividades relacionadas ao Fundo de Pequenos Projetos (FPP) até que os próprios Manoki se sentissem à vontade para tocarem os projetos sozinhos. Mesmo nesse segundo momento a OPAN realizava um constante monitoramento e avaliação dos projetos, junto com os indígenas, para identificação e resolução de problemas durante todo o processo.

Essas e outras ações que serão mais bem detalhadas e discutidas no decorrer desta publicação, a partir do ponto de vista dos Manoki, refletem o compromisso da OPAN com o fortalecimento da autonomia dos povos e os seus projetos de futuro.

Boa leitura!

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