19 de abril de 2019

Comemoramos neste 2019 os 50 anos da OPAN com palavras inspiradoras de quem dedicou sua vida ao trabalho com os povos indígenas.

Por: OPAN

As incansáveis reflexões de Egydio Schwade e o Movimento Pró Reerguimento Indígena de Thomaz de Aquino Lisbôa*, deram tão certo que cá estamos nós, 50 anos depois. Esses primeiros passos dos fundadores da antiga Operação Anchieta (que nos anos 90 passou a se chamar Operação Amazônia Nativa) nos deixaram fortes e numerosos, apesar de encrencados com a imensa responsabilidade diante de cenários ainda difíceis. Refletindo com os companheiros indígenas, parceiros indigenistas, amigos de trajetória, estivemos reunidos no mês de fevereiro em Cuiabá para lembrar as histórias individuais e coletivas, tão bem marcadas nas comemorações de 50 anos da OPAN. Elas nos obrigam a seguir em frente.

Esta luta é feita por tantas pessoas e circunstâncias que não caberia no auditório lotado da UFMT, onde nosso evento aconteceu. É maior que o estado do Amazonas e impossível delimitar em fronteiras. Vem de muito mais de 50 anos, com os conhecimentos milenares de povos indígenas e de muita gente que ilumina o caminho da luta por autonomia e dignidade a todos. Tem como um dos marcos a demolição do internato de Utiariti, no começo dos anos 70, numa das regiões mais lindas que há, às margens do estonteante rio Papagaio, quando as ruínas passaram a indicar que o tempo da ideia de superioridade entre uma cultura e outra precisava acabar.

Thomaz contou que as irmãs do internato choraram quando ele foi fechado na época em que, como jesuíta, foi seu último diretor. Na ocasião ele disse: “Vocês estão chorando porque os índios estão ‘tudo bonitinho’ aqui em Utiariti. Nas aldeias, as mães é que estão chorando porque não tem mais juventude. As crianças todas são levadas pro internato de Utiariti”. “Foi um Deus nos acuda no início, mas os que aceitaram, e as irmãs que aceitaram, e alguma acho que encontrei há uns anos lá nos Kayabi, está feliz até hoje por essa atitude de poder trabalhar ali e encarnar na realidade dos índios”, complementou Egydio.

Então nós fomos para as aldeias.

“Nesse trajeto a OPAN deixou uma marca de indigenismo de trincheira, de convivência próxima com os povos indígenas, de partilha de vida, de interlocução respeitosa”, dizia Rinaldo Arruda, atual presidente da OPAN, no começo do evento dos 50 anos, mexendo com a emoção que se manifestaria ainda mais. Ao lado dele estava Carolina Rewaptu, primeira cacica xavante da Terra Indígena Marãiwatsédé, usando a gravata do seu povo e falando da importância da parceria para as conquistas. Junto também a Marcelino Apurinã, do povo indígena Apurinã, de botina e cocar, que lembrava os primeiros contatos com Terezinha Weber, indigenista da OPAN que trabalhou no sul do Amazonas nos anos 90, que, da plateia, com a cuia de chimarrão, ouvia tudo ao lado de seus companheiros.

“A partir do momento que começamos a ter esse envolvimento mútuo, essa participação em conjunto, nos fortalecemos e a gente cresceu”, afirmou Nara Baré, coordenadora da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). Ela enfatizou que o período difícil em que estamos não vem de hoje e sim de muito tempo para os povos indígenas. “A nossa resistência foi desde a primeira invasão”, falou, dizendo da continuidade da luta em torno da proteção dos direitos, das crianças, dos territórios e do modo de vida dos povos.

“Os Paresi não passavam de 250, os Rikbaktsa tinham mais ou menos essa população, os Tapayuna tinham acabado de ser contatados, eram mais de 300 e, em poucos meses, em uma política da Funai antiga, eles foram reduzidos a 41”, destacou Ivar Busatto, coordenador geral da OPAN. Ele sempre faz questão de ressaltar como os povos indígenas estão se fortalecendo, hoje com uma população de um milhão de pessoas e que se colocam politicamente, boicotando a invisibilidade a que estavam submetidos e que tanto angustiava seu companheiro Paresi, Daniel Matenho Cabixi.

“A missão da gente qual era? Um grupo de jovens que não sabia bem o que fazer. Tinha uma filosofia. Ir até essas populações, participar de sua vida, dialogar de igual pra igual, trabalhar de igual pra igual, caçar de igual pra igual, olhar as questões de saúde, olhar as questões maiores, mas com uma presença atenta para ver de que forma nós, com as nossas forças, podíamos contribuir para uma reflexão em primeiro lugar, e uma saída”, contou Ivar.

A saída, agora, já sabemos qual é.

Equipe da Operação Amazônia Nativa (OPAN)

2019

*Thomaz faleceu este ano, no mês de março, e hoje faz parte da terra do povo Myky, onde passou a maior parte de sua vida.

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