Estudo da FGV demonstra que o grupo foi o economicamente mais atingido. Incêndios que atingiram terras e o isolamento social agravaram o quadro de vulnerabilidade dos povos.

O ano de 2020 não está sendo fácil para ninguém, mas infelizmente, as estatísticas demonstram que o abismo social tem se alargado ainda mais para os indígenas. Como se não bastasse o aumento da violência, a alta taxa de letalidade da covid-19 entre os povos e os incêndios que destroem as terras, a análise do cenário econômico revela que os indígenas são os principais “perdedores” de vagas de trabalho e renda.

De acordo com a pesquisa realizada pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Social), dados do segundo trimestre do ano, em comparação com o primeiro, revelam que os indígenas foram os mais afetados pelos impactos da pandemia no mercado de trabalho. O fim do “efeito-anestesia” do auxílio emergência, afirma Marcelo Neri, diretor do FGV Social, pode piorar ainda mais a situação se os resultados trabalhistas não forem revertidos.

Pelo país, o cenário de vulnerabilidade social enfrentado pelos indígenas reforça os dados apresentados pela FGV. Milhares de postos de trabalho foram perdidos. E os que sobreviviam da renda gerada pela produção de artesanato e outras atividades informais foram diretamente afetados pelo isolamento social. Com isso, os povos passaram a depender de doações oriundas de campanhas realizadas pela sociedade civil.

Esvanei Chiquitano conta que até mesmo a segurança alimentar de seu povo foi ameaçada durante a pandemia. “A situação dos Chiquitano é precária. Eles estão sofrendo por não poder sair para vender seus produtos. E sem renda eles não podem suprir outras necessidades, como a compra do arroz e do feijão, e dos produtos de limpeza e remédios. Estamos sofrendo por causa da doença e também por causa do fogo que queimou toda a roça.”

Os incêndios que atingiram milhares de hectares de terras indígenas de Mato Grosso agravaram ainda mais a situação dos indígenas. Muitos perderam suas casas, plantações e equipamentos e precisam, agora, recomeçar a vida. Essa é a esperança de Estevão Bororo Taukane. Ele conta que os parentes precisaram deixar suas casas para não ter a saúde atingida pela fumaça dos incêndios. A aldeia, agora, terá que ser restaurada.

A questão é que os Bororo também fazem parte dos muitos que perderam emprego e renda devido à pandemia. Por isso, precisarão contar com a ajuda da sociedade para se reerguer. “Vamos fazer de tudo para ficar bem, para que nosso povo volte a ficar feliz, somos um povo alegre. Por isso, precisamos de apoio. Muitos jovens não possuem nenhuma renda e necessitam ter o que comer em suas casas, ter uma base alimentar. Muitos ainda não estão indo para a cidade por conta da prevenção contra o novo coronavírus. As famílias prejudicadas pelos incêndios também precisam de apoio para reconstruir suas casas. As palhas foram queimadas e não há mais palha na região. Todas viraram cinza. Assim, precisamos comprar lonas, pois o tempo da chuva está chegando.”

Clique aqui e confira a pesquisa

 

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