31 de agosto de 2021

Fogo foi contido em 10 dias e deixou um rastro de aproximadamente 35 km Terra Indígena Tenharim/Marmelos. ICMBio calcula tamanho exato da área tingida

Do dia 17 ao dia 27 de agosto, brigadistas atuaram para controlar incêndio que deixou um rastro de aproximadamente 35 km. Foto: Arquivo Pessoal

POR HELSON FRANÇA/OPAN

Brigadistas indígenas do grupo Kagwahiva controlaram um incêndio de grandes proporções no interior do território Tenharim/Marmelos, no sul do Amazonas. O rastro deixado pelas chamas foi de aproximadamente 35 quilômetros. Equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) ainda calculam o tamanho exato da área atingida. Participaram da ação 33 brigadistas.

Conforme o chefe da brigada Kagwahiva, Amaury Tenharim, a origem do incêndio está relacionada a causas naturais, mais precisamente à ocorrência de raios. “O acúmulo de material seco e a baixa umidade do ar criam condições favoráveis para que queimadas do tipo aconteçam”, explicou.

O combate ao incêndio ocorreu entre os dias 17 e 27 de agosto. Durante o dia era feito o monitoramento da área acometida e, noite adentro, as equipes revezavam-se na contenção às labaredas.

O período noturno é o mais indicado para o controle do fogo devido à temperatura mais branda (maior umidade) e menor e incidência de ventos. Os ventos podem levar as chamas a mudar de direção repentinamente – dificultando sua mitigação e colocando a segurança dos brigadistas em risco.

Estudo

O trabalho dos brigadistas indígenas reduz o número de queimadas em seus territórios e entorno, conforme atesta estudo realizado pela Operação Amazônia Nativa (OPAN) e Instituto Centro de Vida (ICV).

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que houve um recorde de queimadas no Amazonas em agosto deste ano, com 8.550 registros. Em 2020, foram 8.030 focos e em 2019, 6.668 incêndios contabilizados. Os meses de agosto e setembro, período marcado pela seca, concentram a maior quantidade de casos de queimadas em áreas de floresta.

No Amazonas e em Mato Grosso, 199 brigadistas indígenas atuam neste ano, distribuídos pelos seguintes territórios: Tenharim/Marmelos, Bakairi, Utiariti, Paresi, Myky, Juininha, Manoki, Marãiwatsédé, Wawi e Parque Indígena do Xingu.

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