07 de dezembro de 2021

A Operação Amazônia Nativa (OPAN) fez 50 anos de existência em 6 de fevereiro de 2019, um fato que exige uma bela comemoração! Inspirada por esta tão importante data e pela necessidade de discussão permanente sobre os rumos do indigenismo no Brasil, a instituição lança agora o livro “Novas Reflexões Indigenistas”, obra organizada por Andreia […]

A Operação Amazônia Nativa (OPAN) fez 50 anos de existência em 6 de fevereiro de 2019, um fato que exige uma bela comemoração! Inspirada por esta tão importante data e pela necessidade de discussão permanente sobre os rumos do indigenismo no Brasil, a instituição lança agora o livro “Novas Reflexões Indigenistas”, obra organizada por Andreia Fanzeres, Ivar Busatto e João Dal Poz. Ela é composta por duas partes, escrita por diversos autores, em sua maioria indigenistas da OPAN que têm se dedicado ao trabalho ativo na defesa dos direitos dos povos indígenas. Trata-se de uma publicação densa em conteúdo e que deixa em manifesto a emocionalidade com que os autores vivenciam seu trabalho.

A obra tem início com um texto do João Dal Poz, ex-diretor secretário da entidade, que faz um apanhado geral da história da OPAN, e se traduz como um convite para melhor conhecer a envergadura dessa importante Operação. Começa explicando o nascimento da instituição, trazendo à memória a iniciativa do então padre jesuíta Egydio Schwade, vinculado à Prelazia de Diamantino (MT), que em 1969 a fez surgir com o nome de Operação Anchieta. Com isso, o autor abre veredas para analisar o processo de transformação da OPAN, mostrando que, inicialmente, contou apenas com voluntários, jovens interessados em realizar um trabalho de “promoção humana”, mas que logo se transformaram em indigenistas, na perspectiva de realizarem um “indigenismo alternativo”, pautado no respeito à diversidade étnica dos grupos indígenas e no trabalho de promoção de seus direitos e autodeterminação dessas sociedades. Em seu texto, Dal Poz também enfatiza a evolução do caráter democrático da tomada de decisões da OPAN, que acontece por meio de assembleias, conforme reza seu estatuto desde que foi criada.

Já o ensaio de Egydio Schwade, que tem como título “Carta aos companheiros e companheiras da OPAN”, traz suas próprias memórias. Nessa grande missiva, Schwade conta como se juntou ao padre Thomaz de Aquino Lisbôa na busca por transformarem a ação indigenista desenvolvida na Missão Anchieta – cuja marca maior era o internato do Utiariti, implantado pela prelazia em território Paresi. Schwade registra que seu pensamento estava influenciado pelo Concílio do Vaticano Segundo e pela Teologia da Libertação. Também afirma que a partir dessa experiência, e com o apoio de membros da OPAN, como Ivar Busatto, foi criado em 1974 o Conselho Indigenista Missionário, sendo ele, Schwade, seu primeiro Secretário-Geral. Ademais, o autor assinala a importância do apoio financeiro, obtido desde o início, de órgãos internacionais, vinculados à igreja Católica ou não, como o Serviço de Desenvolvimento Austríaco, Misereor, entre outras.

Ivar Busatto, por sua vez, assina um texto editado a partir do discurso emocionante que fez no cinquentenário da OPAN. Ele também revisita a sua memória para descrever e analisar sua trajetória como indigenista da OPAN, trabalho que teve início na década de 1970 e se mantém até os dias atuais. Ele nos fala do apoio prestado aos membros da OPAN que atuavam com grupos indígenas nas áreas da já mencionada Prelazia de Diamantino/MT, mas também nas das prelazias de Guajará-Mirim (RO), de Rio Branco (AC), de Chapecó (SC), entre outras, demonstrando o imenso território de atuação da OPAN. Ressalta também a importância do protagonismo indígena de líderes como Daniel Matenho Cabixi, Marçal de Souza Guarani, Albano Rikbaktsa, Ângelo Kretã, durante as últimas cinco décadas, dando ênfase às assembleias indígenas para reivindicação e garantia de seus direitos.

Ao longo das duas partes do livro, os textos destacam a intensa participação da OPAN “no chão da aldeia” e na política indigenista durante o processo constituinte (1987-1988); a implantação do Subsistema de Saúde Indígena, quando a entidade assumiu a gestão do Polo Base de Brasnorte, vinculado ao Distrito Sanitário Especial Indígena de Cuiabá, descrita e analisada pelo antropólogo Márcio Ferreira Silva, ex-secretário da OPAN; a autodemarcação de territórios indígenas no Amazonas e em Mato Grosso; o apoio à Funai na identificação e demarcação de terras indígenas; a participação de membros da OPAN na Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas; a implementação de ações de fiscalização e vigilância dos territórios indígenas, com prioridade para a capacitação dos indígenas na vigilância de seus territórios; a implementação de projetos de formação escolar indígena, de iniciativa própria ou em parceria com estados e municípios; a linguística e a educação como estratégias de atuação com os povos indígenas; o apoio à organização do movimento de mulheres indígenas. Também foi analisada a cuidadosa atuação da OPAN junto a povos indígenas isolados e de pouco contato.

Cabe ressaltar que a OPAN, desde sua criação, se preocupou em capacitar seus membros. Assim, antes de atuarem nas aldeias e com os povos indígenas, eles participam de um curso de indigenismo, no qual recebem conhecimentos básicos de antropologia, política indigenista, linguística, direitos indígenas etc, temas também analisados nesta coletânea.

Mais uma vez demonstrando sua contemporaneidade e buscando se atualizar, a coletânea é concluída com o texto “Bem viver: para pensar os caminhos de hoje e do amanhã”, do antropólogo Rinaldo Arruda, ex-presidente da OPAN, que analisa a política indigenista brasileira, marcada por um anti-indigenismo por parte do atual governo brasileiro. Também dialoga com as questões ambientais, chama a atenção para o consumo excessivo e para a finitude dos recursos naturais, enfatiza a sabedoria indígena na atualização dos recursos da natureza, conhecimento que lhe garante um bem viver.

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