18 de julho de 2022

Nota da OPAN diante do falecimento de Silvia Maria Gasperini Bonotto, parceira das causas e povos indígenas do Brasil.

Indigenista e uma das fundadoras da Operação Amazônia Nativa (OPAN), Silvia Maria Gasperini Bonotto faleceu, neste domingo (17), em decorrência de um câncer. Aos 74 anos, faleceu em sua residência, em Porto Alegre, junto aos familiares, e esteve consciente até os últimos momentos. Era irmã do também opanista José Bonotto, falecido no ano 2000.

Silvia fez parte da primeira turma da OPAN, em 1970. Começou seu trabalho com o povo Kayabi, na equipe que atuava na aldeia Tatuí, às margens do Rio dos Peixes, em Juara-MT. Em meados da década de 70, após quatro anos com os Kayabi e os Apiaká, passou a fazer parte do secretariado do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), no Amazonas, onde contribuiu no levantamento de todos os povos indígenas do país, além de colaborar na fundação das regionais do Cimi.

Silvia com uma família Karajá, 1980.

Posteriormente, entre 1976 e 78, trabalhou com os Haliti-Paresi, na região oeste de Mato Grosso. Na sequência, durante aproximadamente três anos, trabalhou com os Karajá da Terra Indígena Tapirapé/Karajá, que vivem do lado esquerdo do rio Araguaia, na parte mato-grossense.

A partir dos anos 80 até meados dos 90, trabalhou novamente no secretariado do Cimi, desta vez em Brasília. Neste período, auxiliou em procedimentos burocráticos, além de também desenvolver trabalhos de curta duração em áreas indígenas.

Nos últimos anos, se dedicou às cooperativas de produção de artesanato, em Porto Alegre. E foi na terra natal que ela construiu a casa onde vivia, uma simples morada de alvenaria, em um sítio familiar localizado no alto do Morro dos Alpes, na capital do Rio Grande do Sul. 

Silvia,no Tatui, TI Kayabi-Apiaka, 1972.

“Sempre foi muito lúcida. Uma grande companheira, muito trabalhadora e esforçada. Tinha facilidade em caminhar por rios e matas e era uma excelente cozinheira, sempre utilizando produtos locais. Silvia tinha uma personalidade forte e determinada, que é quase uma exigência de quem trabalha com a busca do desconhecido, pois só assim é possível abrir caminhos e construir novas perspectivas”, relembra Ivar Busatto, coordenador geral da OPAN.

Dentre as pessoas da primeira turma da OPAN, Sílvia foi uma das pessoas com maior longevidade na organização. Vivenciou a caminhada de saída da missão tradicional para uma vivência mais próxima das aldeias. Ela não era casada e não tinha filhos.

Todos nós, da OPAN, estamos consternados diante da partida de Silvia, com quem compartilhamos lutas e sonhos, e o que nos conforta é saber que sua irretocável trajetória deixa marcas na OPAN e no indigenismo brasileiro. Somos gratos por ter cruzado nosso caminho e nos solidarizamos com a família.

Equipe da OPAN

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