02 de janeiro de 2023

Sônia Guajajara, Joenia Wapichana, Wibe Tapeba, Célia Xakriabá, cacique Raoni Metuktire e outras lideranças são recebidos pelos servidores da Funai. Em ato marcante, falam dos desafios frente aos novos cargos no Legislativo e agora também no Executivo.

A subida do cacique Raoni Metuktire de braços dados com Luiz Inácio Lula da Silva na rampa do Palácio da Alvorada durante a posse presidencial jamais será esquecida. Ela representa a resistência, luta e ascensão dos povos indígenas nos espaços políticos de decisão, concretizadas neste novo governo também com a participação de grandes nomes nas cadeiras no Poder Executivo: Sônia Guajajara, como ministra dos Povos Indígenas, Joênia Wapichana como presidente da agora Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e Weibe Tapeba, na Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). Junto a eles, a deputada federal Célia Xakriabá, o cacique Raoni e outras lideranças receberam as boas vindas dos servidores da Funai nesta segunda-feira (02) e se reuniram para firmar o compromisso dos próximos anos.

“Estamos aqui agora para reconstruir a Funai, para fazer cumprir os direitos constitucionais que para nós são muito mais do que constitucionais, são direitos originários”, disse a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara.

Encontro na Funai com representantes nomeados para o novo governo. Foto: Leo Ohara

Joenia Wapichana, que assume a presidência da Funai, disse já querer montar os grupos de trabalho (GTs) para demarcação territorial. Ela também demonstrou seu compromisso em acabar com a mineração ilegal na Terra Indígena Yanomami, em trabalhar pela proteção de indígenas isolados e apontou a necessidade de fortalecimento das economias indígenas: “Vamos lutar pela sustentabilidade também porque o povo precisa crescer a sua economia indígena, mas do seu próprio jeito”.

Durante o evento, em diversos momentos se falou de forma emocionada dos tempos difíceis do governo que encerrou, em que houve perseguições, violências e mortes. Bruno Pereira, Dom Phillips, Maxciel Pereira, Estela Vera e tantas outras pessoas foram lembradas pelos presentes.

Diante dos retrocessos e da deturpação da missão da Funai nesses últimos quatro anos, a ministra e a presidente da Fundação enfaizaram que os trabalhos não serão fáceis, com poucos recursos. “Estamos pegando uma estrutura zerada, negligenciada, chutada muitas vezes e muito desprezada por esses quatro anos. Não vai ser fácil”, disse Joenia Wapichana, destacando que o esforço inicial deve ser para derrubar todos os atos anti-indígenas.

Apesar das dificuldades, ficou marcada a disposição para reconstruir a política indigenista e de forma coletiva. “Estamos aqui com a força dos nossos povos e com apoio de servidoras e servidores que estão com a gente, estão acreditando no compromisso”, disse a ministra Sonia Guajajara.

O novo secretário da Sesai, Wibe Tapeba, observou o papel de resistência do movimento indígena nesses últimos anos, assim como o seu lugar e o das companheiras como parte do movimento. “Nós estarmos aqui nessa mesa ocupando os lugares mais estratégicos da política indigenista brasileira representa a unidade do movimento indígena e a confiança que nós queremos transmitir para toda a sociedade brasileira de que nós somos capazes de gerir a nossa política indigenista”, afirmou.

“Nesse momento o Brasil renasce de novo, esse Brasil que não pode ser pensado sem a nossa presença indígena. É muito orgulho para nós que viemos da base, nós que dormimos em acampamento no Acampamento Terra Livre, nós que ano passado, na segunda marcha das mulheres indígenas, enfrentamos o batalhão do governo Bolsonaro. Vocês não tenham dúvida que no nosso acampamento estaremos juntos, continuaremos juntos”, disse Célia Xakriabá, eleita deputada federal por Minas Gerais.

A deputada também destacou a importância dos povos indígenas na luta pela terra e no enfrentamento da crise climática e apresentou a oportunidade de avanços com a representatividade indígena nos diferentes poderes da República. “É com força ancestral que vamos legislar porque nesse momento o parlamento será paralelo. A bancada do cocar está espalhada como semente por todos os lugares, pelo poder Executivo, pelo Judiciário, pelo Ministério dos Povos Indígenas”.

O diálogo entre os poderes foi mencionado também por Joenia Wapichana, que falou sobre o projeto para transformar a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental (PNGATI) em lei, em tramitação na Câmara dos Deputados e poderá ser defendido agora por Célia Xakriabá.

Raoni Metuktire, ouvido com atenção pelos presentes, aconselhou os novos representantes, em especial Sônia Guajajara e Joenia Wapichana, chamadas por ele de filha e sobrinha, respectivamente, a terem muito diálogo e conversa em suas funções. Ele reforçou a todos a importância da união dos povos indígenas e sua satisfação com esse momento histórico. “Vamos trabalhar pensando na paz e no bem viver de todos nós”, concluiu.

A transmissão do evento está disponível no Instagram da Indigenistas Associados: https://www.instagram.com/ina.indigenistas/.

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