Deni rumo ao comércio solidário no Médio Juruá

OPAN incentiva parceria entre povo Deni do Xeruã (AM) e Associação dos Produtores Rurais de Carauari para comercialização de produtos indígenas nas cantinas comunitárias.

Por: Comunicação OPAN

A OPAN, através do Projeto Aldeias, começou a articular uma parceria entre a Associação do Povo Deni do rio Xeruã (ASPODEX) e a Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC), no Amazonas, para tentar melhorar as condições de comercialização de produtos indígenas, como farinha, paneiro, óleo de andiroba, vassouras, etc. Hoje, os índios têm que recorrer a vendas na cidade de Itamarati, demandando altos gastos com combustível para o frete desde suas aldeias. Outra saída é se submeter aos regatões – comerciantes que visitam essas comunidades de barco ferecendo produtos da cidade a um preço mais alto que os mercados locais e trocando-os por artigos extrativistas, pagando por estes um preço baixíssimo.

Por isso, a intenção da parceria é permitir que o povo Deni comercialize seus produtos em uma cantina na comunidade Boca do Xeruã, que faz parte da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uacari, localizada na foz do rio Xeruã. O estabelecimento pertence ao programa Comércio Ribeirinho Solidário do Médio Juruá. “Os Deni já conhecem a cantina da Boca do Xeruã, e podem comercializar alguns produtos, como os demais ribeirinhos. O objetivo é que isso possa tomar uma escala maior se a ASPODEX se tornar fornecedora”, explica Ricardo Carvalho, integrante da equipe do Projeto Aldeias, da OPAN.

A ASPROC foi convidada para a assembleia da ASPODEX em junho, e, a partir deste contato o povo Deni terá a chance de conhecer melhor o programa, podendo costurar uma parceria entre as duas associações. A cantina tem condições de ser o principal local de escoamento da produção pesqueira Deni, diminuindo consideravelmente os custos com transporte.

Cantinas comunitárias

O programa Comércio Ribeirinho Solidário do Médio Juruá está sendo estruturado pela ASPROC, em parceria com o Conselho Nacional dos Extrativistas (CNS) e Associação dos Moradores da RDS Uacari (AMARU). Funciona por meio da distribuição e comercialização de alimentos em cantinas comunitárias (pólos), no interior das comunidades, em troca de produtos da floresta. Atualmente, nove comunidades da RDS Uacari possuem cantinas, que são gerenciadas por um morador treinado pela associação.

Mensalmente, as cantinas são abastecidas com mais de 100 itens essenciais às comunidades, como vela, pilha, combustível, lanterna, bolacha, entre outros. Os produtos são comprados em Manaus a baixo custo e chegam às comunidades com preços iguais aos de Carauari, independentemente da distância percorrida até a comunidade, que pode pagar em dinheiro ou trocar por produtos da floresta.

O esquema de comercialização solidária é promissor, com comunidades abastecidas com menos custos, erradicação do regatão, erradicação da troca de produtos ilegais como a caça e melhoria na qualidade de vida.

Terra Indígena Deni

A TI Deni foi homologada em 2004 e tem 1.531.303,4990 hectares, localizados numa planície entre os rios Purus e Juruá, afluentes do rio Solimões (Amazonas), entre o rio Cuniuá, afluente do Purus, e o rio Xeruã, afluente do Juruá, nos municípios de Itamarati, Lábrea e Tapauá, no sudeste do estado do Amazonas. A TI Deni é contígua à Terra Indígena Zuruaha (índios semi-isolados) e, esta, com a TI Hi-Merimã (índios de recente contato).

O território Deni pode ser dividido em duas partes. Na porção ocidental existem 4 aldeias, situadas no rio Xeruã e em alguns de seus afluentes. Na oriental, outras 4 aldeias às margens do rio Cuniuá, afluente do rio Purus. Não há ligação fluvial entre o Xeruã e o Cuniuá. O Projeto Aldeias atende a população Madiha Deni, os Deni do Rio Xeruã, na porção ocidental da TI.

Projeto Aldeias

O Projeto Aldeias desenvolve-se em sete terras indígenas do estado do Amazonas, nas bacias dos rios Purus, Juruá e Jutaí. É uma iniciativa da OPAN em parceria com Visão Mundial, iniciada em outubro de 2008, e que conta com o apoio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). Os dois objetivos principais do programa são: apoio à conservação da biodiversidade e ao manejo de recursos naturais nas terras indígenas Katukina do Biá, Deni, Paumari do Rio Cuniuá, Paumari do Lago Paricá e Paumari do Lago Manissuã; e o fortalecimento das organizações indígenas de base, organizações locais e organizações regionais. Há também uma componente desenvolvida em parceria com a Coordenação de Índios Isolados e de Recente Contato (FUNAI/ CGIIRC), de proteção etnoambiental dos povos indígenas Hi Merimã e Suruaha, no marco da Frente Purus de Proteção Etno-ambiental.

OPAN

A OPAN foi a primeira organização indigenista fundada no Brasil, em 1969. Atualmente suas equipes trabalham em parceria com povos indígenas do Amazonas e do Mato Grosso, desenvolvendo ações voltadas à garantia dos direitos dos povos, gestão territorial e busca de alternativas de geração de renda baseadas na conservação ambiental e na manutenção das culturas indígenas.

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