POVOS INDÍGENAS KATUKINA DO RIO BIÁ

KATUKINA DO RIO BIÁ

Fotos: Adriano Gambarini/OPAN

Os Katukina denominam-se Tuküna e representam uma das unidades sociais da sociedade maior dos Kanamari, habitantes tradicionais das bacias dos rios Juruá, Jutaí e Javari, afluentes da margem direita do rio Solimões (AM). A população atual soma aproximadamente 500 pessoas, distribuídas em 5 aldeias (Surucucu, Bacu-ri, Janela, Gato e Boca do Biá), localizadas ao longo do rio Jutaí, do rio Biá e do igarapé Ipixuna, no estado do Amazonas. Trata-se de uma região característica de floresta úmida.

Antes do contato desagregador pela empresa seringalista, os Katukina e Kanamari distribuíam-se pela região em unidades ou grupos chamados Dyapa. Sua língua foi classificada como da família Katukina. Cada Dyapa se distinguia pela denominação (de um animal ou planta) e pleno ideal de autonomia na produção e reprodução, mantendo-se basicamente endogâmicos. Em comum, compartilhavam a cultura, a língua e certas relações rituais. Interagiam também com outros povos circunvizinhos. Acredita-se que o primeiro contato com o mundo não-indígena data da época da borracha (finais do século XIX). Apesar de longo, o contato não tem sido muito intenso e os Katukina mantêm a sua língua e a sua cultura bem vivas, realizando rituais com grande freqüência.

Os Katukina vivem com abundância de caça, de pesca e de frutas silvestres. Além disso, fazem grandes roçados onde plantam macaxeira, mandioca, cará, milho, abacaxi e caju, entre outras coisas. Isto lhes dá grande autonomia a nível alimentar. Para a construção das suas casas, canoas, cestos, arcos e flechas, remos e maqueiras também recorrem principalmente a materiais do mato. No entanto, existem pressões predatórias de corte seletivo de madeira, da pesca (de pirarucu, de peixe-liso, de aruanã, de peixes ornamentais), caça comercial e de garimpagem (com a subseqüente poluição causada pelo mercúrio).

O território Katukina é de modo geral bem preservado. A Terra Indígena (TI) do Biá se encontra numa região protegida no Corredor Central da Amazônia e com 1.185.792 ha, constitui uma parte importante desse mosaico. Ao Norte, a TI faz limite com a Reserva Extrativista (RESEX) de Jutaí, a sudeste com a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Cujubim e a oeste com a RESEX do Médio Juruá.

Breve histórico da atuação da OPAN

A OPAN, que esteve diretamente envolvida no processo de demarcação da TI Biá, realizado em 1987, executou até 2011 várias atividades com o objetivo preservar a terra tradicional dos katukina. A implementação de novos programas de manejo florestal de baixo impacto (seringa, copaíba) contribuiu para minimizar a pressão das forças produtivas regionais sobre os recursos naturais da TI Biá. Este produtos aumentam a renda recebida pelo povo, melhorando a garantia de segurança alimentar e a sua autonomia.

Desde 1987 entre os Katukina, inicialmente a proposta da OPAN era dar assistência à saúde. Ao longo do tempo, as equipes foram ampliando o leque de linhas de atuação, incluindo uma campanha pela demarcação da terra indígena e posteriores ações de vigilância, atividades de alfabetização em língua indígena, oficinas de capacitação e projetos de alternativas econômicas.

A demarcação da terra indígena foi seguida por um programa de vigilância e fiscalização desenvolvido pela OPAN em conjunto com os Katukina e financiado pela FUNAI/PPTAL (Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal).

Em conjunto com a organização Amigos da Terra, a OPAN instalou uma rede de radiofonias com 19 equipamentos, ligando as aldeias dos povos Katukina, Kanamari e Kulina. Hoje em dia, o rádio é o principal meio de comunicação dos Katukina com os povos indígenas vizinhos e com os órgãos públicos atuantes na sua área.

A partir de 2004, com a parceria da Conservação Internacional / Brasil, o projeto “Conservação da Terra Indígena Biá” focou sua atuação em três eixos: proteção territorial, sustentabilidade e capacitação.

De 2009 a 2011, a OPAN trabalhou com os Katukina no âmbito do Projeto Aldeias, que se desenvolveu em 7 terras indígenas do estado do Amazonas, nas bacias dos rios Purus, Juruá e Jutaí através do consórcio OPAN-Visão Mundial com apoio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). Os dois objetivos principais do programa foram o apoio à conservação da biodiversidade e ao manejo de recursos naturais nas terras indígenas Katukina do Biá, Deni, Paumari do Rio Cuniuá, Paumari do Lago Paricá e Paumari do Lago Manissuã; além do fortalecimento das organizações indígenas locais e regionais. Houve também uma componente em parceria com a Coordenação de Índios Isolados e de Recente Contato (FUNAI/CGIIRC), de proteção etnoambiental dos povos indígenas Hi Merimã e Suruaha, no marco da Frente Purus de Proteção Etno-ambiental.

Como resultado deste trabalho, os Katukina da TI Rio Biá publicaram seu Plano de Gestão Territorial em setembro de 2011 em um grande evento na cidade de Jutaí, junto com o lançamento do Plano de Vida da Coordenação dos Povos Indígenas de Jutaí (COPIJU).

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