Plano de gestão Marãiwatsédé

BIBLIOTECA Plano de gestão Marãiwatsédé
O plano de gestão que a gente pensa para o povo Xavante de Marãiwatsédé vai servir para melhorar a articulação com as instituições responsáveis e os parceiros, para o mapeamento, o monitoramento, a vigilância e a fiscalização da nossa terra. Também vamos usar o plano de gestão na escola, com nossos alunos.
Temos muitas dificuldades em nosso território. A gente tem dificuldade com o fogo, com os agrotóxicos e com o lixo despejado no meio ambiente pelos vizinhos.  O plano de gestão pode nos ajudar a resolver esses e outros problemas, como o desmatamento da nossa área, recuperando e reflorestando. É porque está muito desmatado e é pouca comunidade para recuperar. Mas a gente está lutando para que os jovens comecem a pensar nos seus filhos, pensar no futuro. Daqui a dez anos queremos que nossa vida esteja melhor. Nosso sonho é recuperar nossa terra, a flora e a mata ciliar (mata dos rios), e não desmatar mais. Com as sementes e com o grupo de coletoras estamos conseguindo, vamos melhorar a renda familiar.
O plano de gestão também é importante para que os governantes nos conheçam. Não adianta só falar com as autoridades, temos que ter um plano de ação porque os prefeitos e outras autoridades não estão nos apoiando, por isso a gente quer o plano de gestão.
O planejamento começou com reuniões e oficinas para a gente pensar o nosso futuro porque é importante para o povo Xavante. Não adianta só esperar que a Funai ajude porque o governo está mudando e está ficando mais difícil. Por isso a gente começou a discutir nas oficinas com as comunidades e com os velhos. Tivemos ajuda para construir o plano e queremos que as instituições continuem com a parceria.
Hoje a vida está melhor em Marãiwatsédé porque construímos mais três aldeias para reocupar nosso território, wedi! As lideranças se juntaram para reocupar. Esse é o nosso futuro.
A cultura do povo Xavante é importante. É nossa identidade, nossa língua, nossas crenças e a história do nosso povo. Temos que ouvir mais os velhos, conhecer mais, isso é  importante para o nosso futuro. Hoje a tecnologia do waradzu entrou nas comunidades e os jovens estão mudando; os velhos não gostam. Eles querem que os jovens se unam mais para participar das reuniões políticas.
Território para povo Xavante é o Ró, onde tem fartura: animais para caçar, peixes para pescar e recursos para coletar, para fazer artesanato. O território, para o sistema da sociedade não indígena é o progresso, o dinheiro. Para os povos indígenas é a natureza, o nosso bem viver, é isso que valorizamos.
Em vez de aprender mais a nossa cultura, os jovens estão preocupando os velhos, ficando menos autônomos. Temos que ter mais parcerias para nos ajudarem a recuperar nossa agricultura, para ter agroecologia. Com isso queremos produzir mais alimentos, para que possamos vender e ter renda. Com a agroecologia também podemos recuperar nosso território, que está bastante desmatado.
Carolina Rewaptu

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