Plano de Gestão Territorial Myky

“Hoje, muita reunião com branco: mesa, cadeira, relógio. Antigamente: ritual, cultura, comunidade, família. Trabalho de madrugada. Reunir para pensar. Plantar mandioca, caçar, buscar macaco, fazer festa. A preocupação é grande. Tem que pensar: se ficar só do jeito do branco não vai mais saber, não vai mais conhecer cultura Myky.

Os brancos não conhecem nossos costumes, falam que temos muita terra e que somos preguiçosos. Não é verdade. Para falar com eles, eles precisam saber como é o nosso tempo, a nossa hora. Eles têm que nos conhecer para não acabar com a gente.

Branco tem hora, cumpre horário olhando no relógio… antes não tinha branco…

O branco não é dono das matas porque nós nascemos aqui. É nosso. Nós vivíamos com machado de pedra lascada e panela de barro, fogo de urucum. Primeiro, este mato era nosso. Agora só temos um pedaço.

O mapa é importante para mostrar que o que a gente usa está lá fora. Festa, escola, artesanato. Dependemos da terra em estudo, taquara, panela de barro. Queremos fortalecer a nossa cultura, para Jetá ficar mais forte.

Com o desmatamento, não tem como respeitar o lugar dos espíritos. Nossa caça está fora, em terra de fazendeiro que tranca estrada, não deixa mais passar. Isso atrapalha. Vai ficando mais difícil o processo. A gente tem dificuldade, mas luta. A luta une a gente. Por isso estamos montando o plano de gestão.

A união do povo depende da gente mesmo, de como vamos organizar nossas agendas de fora, participar das reuniões e conversar mais entre a gente para sempre continuar pensando junto. Temos que ter coragem e buscar esse caminho para o Estado reconhecer nosso jeito de fazer, de respeitar nossa cultura”.

Povo Myky

PG-MYKY

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