XAVANTE DE MARÃIWATSÉDÉ COMEMORAM CINCO ANOS DE RETORNO A SUA TERRA DE ORIGEM

No último dia do mês de agosto os Xavante de Marãiwatsédé comemoraram cinco anos de retorno a sua terra de origem. Mesmo ocupando menos de 30% da área para eles demarcada em 1998 e vendo os invasores destruírem sistematicamente o pouco que sobrou da vegetação primária, eles não desanimam. Seguem sua caminhada tendo no horizonte a ocupação efetiva de sua terra e a recuperação desta que é a Terra Indígena mais desmatada da Amazônia brasileira. Carolina Carvalho e Marcos Ramires

No último dia do mês de agosto os xavante de Marãiwatsédé comemoraram cinco anos de retorno a sua terra de origem. Mesmo ocupando menos de 30% da área para eles demarcada em 1998 e vendo os invasores destruírem sistematicamente o pouco que sobrou da vegetação primária, eles não desanimam. Seguem sua caminhada tendo no horizonte a ocupação efetiva de sua terra e a recuperação desta que é a Terra Indígena mais desmatada da Amazônia brasileira.

Em 1992, quando dos estudos para a identificação da área indígena, cerca de 90% da vegetação primária, ou seja, mata e cerrado, estava intacta. Os outros 10% se encontravam em estado de degradação elevada e corte raso. Estudos apontam para uma triste inversão nesses dados, 17 anos após o inicio da invasão das terras identificadas oficialmente como indígenas existem apenas 10%, aproximadamente, de vegetação primária em pé, em sua maior parte constituída de campos cerrados. Do restante da área, uma pequena parte é cultivada por pequenos posseiros, mas a grande maioria é tomada por pasto e há alguns trechos que estão sendo preparados para o plantio de soja.

Mesmo tendo sido legalmente demarcada e homologada como Terra Indígena, e por isso reconhecida a ilegalidade da extração de madeira nessa área, não é difícil encontrar velhos caminhões com toras de madeira saindo de dentro de fazendas que se encontram no interior de Marãiwatsédé. Uma operação conjunta envolvendo FUNAI e IBAMA no dia 26 de julho de 2009 aplicou pela segunda vez multas por desmatamento e preparo de solo para a plantação de soja ilegais em fazenda localizada dentro da Terra Indígena. Nessa operação foram lacrados 12 tratores em duas fazendas reincidentes, cujos “proprietários” já deviam milhões de reais em multas ambientais. As máquinas não foram apreendidas, pois o IBAMA não dispunha de recursos para transportá-las, os tratores então foram lacrados e deixados nas fazendas tendo os já devedores como fiéis depositários.

Damião Paridzané, cacique de Marãiwatsédé, afirma que “é uma falta de respeito muito grande, os grandes não estão desrespeitando só índios, mas desrespeitando a lei, a Constituição Federal. Por causa disso que eles tão fazendo, através disso que eles tão fazendo esse desmatamento. Ninguém respeita a lei do órgão federal, nós sentimos isso. Eu senti muito, eu tenho preocupação muito grande com isso, desmatamento.”

Os xavante de Marãiwatsédé foram retirados de seu antigo território em 1966. Em 1992 tiveram início os estudos de identificação da área e em 1998 a demarcação, homologação e registro da Terra Indígena. Desde então esta área vem sendo ocupada por posseiros e fazendeiros que não permitem que os indígenas ocupem totalmente a terra a eles destinadas, sendo cerceados seus direitos e a possibilidade de expressarem plenamente sua cultura.

 

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