04 de maio de 2010

Jovens e mulheres xavante participaram de atividades de intercâmbio em experiências sobre sistemas agroflorestais com agricultores e agricultoras familiares de assentamentos da região. A iniciativa visa promover o modelo de casadão para a recuperação das roças xavante e, ao mesmo tempo, fortalecer as parcerias entre indígenas e agricultores familiares na região, superando preconceitos históricos. Por: […]

Jovens e mulheres xavante participaram de atividades de intercâmbio em experiências sobre sistemas agroflorestais com agricultores e agricultoras familiares de assentamentos da região. A iniciativa visa promover o modelo de casadão para a recuperação das roças xavante e, ao mesmo tempo, fortalecer as parcerias entre indígenas e agricultores familiares na região, superando preconceitos históricos.

Por: OPAN

Duas importantes atividades foram realizadas no mês de abril pelo projeto desenvolvido pela OPAN junto aos Xavante de Marãiwatséde. Entre os dias 12 e 14, nove alunos do 1°, 2° e 3° anos do Ensino Médio da Escola Estadual Indígena Marãiwatséde participaram de um intercâmbio com os agricultores e agricultoras familiares do PA Manah (assentamento em Canabrava do Norte, distante cerca de 100 km da aldeia), com quem puderam trocar experiências e conhecimentos sobre o sistema casadão (nome dado na região aos sistemas agroflorestais, nos quais se consorciam culturas anuais com espécies de árvores frutíferas, madeireiras, medicinais, entre outras) e sobre as formas de organizações locais. Neste assentamento existem duas organizações que promovem o modelo de SAF. O Grupo do Casadão, composto por cerca de 10 famílias, produz frutas neste sistema: além das frutas, que são comercializadas in natura ou processadas em polpas de frutas, eles também coletam sementes que são vendidas para a Rede de Sementes do Xingu e usadas para a recuperação de matas ciliares na região do Xingu-Araguaia. Além deste, existe o Grupo de Mulheres, atuante desde 2002 na organização das mulheres, tanto para um maior conhecimento sobre os seus direitos como para a criação de alternativas de renda para as famílias.

Como resultado desse intercâmbio, pudemos perceber um grande interesse dos alunos em conhecer melhor sobre esse sistema de produção diversificado, o casadão, e um estreitamento das relações dos Xavante com os agricultores familiares da região, no intuito de fortalecer as parcerias entre esses dois setores da sociedade e superar os preconceitos existentes em ambos os lados. Os agricultores doaram algumas sementes de maracujá, feijão-de-porco, mucuna-preta, falso-pau-brasil, teca e abóbora com as quais serão produzidas mudas na aldeia para serem plantadas nos quintais das casas e nas áreas em recuperação implantadas via projeto com a participação dos estudantes e wapté (adolescentes que vivem na casa dos solteiros). Os agricultores mostraram-se dispostos a participar da implantação de uma área experimental de casadão junto com os alunos da escola, com o objetivo de integrar cada vez mais a comunidade escolar nas atividades do projeto de produção de alimentos na TI Marãiwatséde.

No dia 27, foi realizada uma expedição com as mulheres xavante de coleta de moõni hoi´ré (os tubérculos muito utilizados tradicionalmente na alimentação deste povo). Para a expedição as mulheres confeccionaram e levaram os bakité (cesto de buriti) para a coleta, para transportar água e comidas por elas preparadas como o bolo de arroz e milho durante a caminhada. Com a ajuda de alguns homens na aldeia foi confeccionado um tipo de cavadeira para as mulheres desenterrarem os tubérculos. Cerca de 75 pessoas, dentre elas jovens, adultas e anciãs e 6 anciãos deslocaram-se no caminhão da própria comunidade até um local de cerrado distante cerca de 60km da aldeia, próximo da antiga sede da Fazenda Suiá-Missu, hoje município de Alto Boa Vista. Devido ao alto grau de degradação do cerrado nesta região foram encontrados apenas 7 exemplares de uma única espécie, das 22 listadas até hoje como de conhecimento desse povo (há uma interessante publicação sobre essas espécies. Esses tubérculos são encontrados principalmente nas matas ciliares do cerrado.

Apesar da tentativa um tanto frustrada de coleta dos tubérculos, as mulheres coletaram outros recursos que utilizam para alimentação, artesanato, rituais e medicina como: coco, broto e palha de acuri, cana, madeira para a confecção dos tradicionais brincos xavante, brotos de buriti e outras fibras. As mulheres xavante avaliaram que esta atividade mobilizou as mais jovens a conhecerem outros locais de cerrado e a identificarem as espécies tradicionais. No mês de maio será realizada uma nova expedição a outro local da região, mais conservado e também de ocupação tradicional desse grupo xavante para uma nova tentativa de coleta dos tubérculos, que serão levados para serem plantados nas roças na aldeia.

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