23 de maio de 2014

Jamamadi iniciam produção de óleo de andiroba, outro grande produto do agroextrativismo amazônico. Por: Ximena Morales Leiva/OPAN Lábrea, AM – Foram iniciadas oficinas de boas práticas de coleta, manejo e armazenamento da produção do óleo de andiroba da TI Jarawara/Jamamadi/Kanamanti junto ao povo Jamamadi, no sul do Amazonas. Este produto do agroextrativismo amazônico possui grande atrativo […]

Jamamadi iniciam produção de óleo de andiroba, outro grande produto do agroextrativismo amazônico.

Por: Ximena Morales Leiva/OPAN

Lábrea, AM – Foram iniciadas oficinas de boas práticas de coleta, manejo e armazenamento da produção do óleo de andiroba da TI Jarawara/Jamamadi/Kanamanti junto ao povo Jamamadi, no sul do Amazonas. Este produto do agroextrativismo amazônico possui grande atrativo comercial por ser um excelente repelente natural.

No primeiro dia de atividades, indigenistas da Operação Amazônia Nativa (OPAN) expuseram aos Jamamadi como é o passo a passo da extração do óleo, que vai desde a escolha da árvore até a semente a ser retirada da floresta.

“No decorrer da exposição estimulamos os Jamamadi a falarem em sua língua, tornando assim apresentação bilíngue para que houvesse uma compreensão de toda a informação que estava sendo passada”, ressalta o indigenista da OPAN, Magno de Lima dos Santos.

Após este encontro, os Jamamadi da aldeia Pauzinho sairam cedo para coletar as sementes. E voltaram cheios de andiroba, encontradas nas áreas de várzea do igarapé Missão. Todos se reuniram e foram até o igarapé Pauzinho para realizar a lavagem, a seleção e a secagem das sementes. Foram separadas as sementes para a extração do óleo, para a pesca e para o plantio.

“Após término da lavagem e de colocar as sementes para secar na casa de farinha, refletimos com os Jamamadi sobre a importância da planta para atrair animais de caça e para pesca. Com isso incentivamos e plantamos de forma simbólica apenas duas sementes próxima ao igarapé, sendo uma plantada por uma criança e outra pelo cacique da aldeia Embaúba”, destaca Santos. O indigenista avalia como positiva a participação das mulheres e crianças nos trabalhos assim como o envolvimento dos Jamamadi da aldeia Embaúba.

Também foi distribuído um kit de equipamentos básicos composto por um caldeirão, uma concha grande, três baldes plásticos de 20 litros, três bacias médias e três grandes, dez panos de prato, dez colheres, três funis, 20 sacos de fibra de 60 kg, dez pares de luva para coleta para produção do óleo para cada uma das cinco aldeias.

Os Jamamadi têm grande expertise na extração de óleo de copaíba e, ao acrescentar o óleo de andiroba em seus trabalhos cotidianos, caminham em direção à diversificação. Ela dependerá da sazonalidade de cada fruto. Nos mercados do Sudeste, um litro de óleo de andiroba chega a ser vendido por cerca de 130 reais.

O potencial da produção do óleo de andiroba foi apontado pelos Jamamadi durante o processo de elaboração do etnomapeamento da terra indígena, feito em 2013. Esta atividade faz parte do Projeto Raízes do Purus, uma iniciativa da OPAN com patrocínio da Petrobras.

Boas práticas

Ao se fazer a coleta das andirobas, inicia-se uma pré-seleção. Em seguida, as sementes são lavadas e as melhores são escolhidas. Depois, elas são colocadas para secagem durante duas horas e então são cozidas. Após esta etapa, o material seca novamente por até 15 dias.

Retira-se a massa do interior das sementes para preparo. Assim que a massa estiver pronta ela é colocada em uma bancada feita de folha de zinco para que seja iniciada a extração e envasamento do óleo de andiroba.

Projeto Raízes do Purus

O projeto Raízes do Purus é uma iniciativa da OPANcom patrocínio da Petrobras através do Programa Petrobras Ambiental, que visa contribuir para a conservação da biodiversidade no sul do Amazonas por meio do fortalecimento de iniciativas que promovam a gestão e o uso sustentável dos recursos naturais das Terras Indígenas (TI) Jarawara/Jamamadi/Kanamanti e TI Caititu, em Lábrea, e TIs Paumari do Lago Manissuã, Paumari do Lago Paricá e Paumari do Cuniuá, em Tapauá.

OPAN

A OPAN foi a primeira organização indigenista fundada no Brasil, em 1969. Atualmente suas equipes trabalham em parceria com povos indígenas no Amazonas e em Mato Grosso, desenvolvendo ações voltadas à garantia dos direitos dos povos, gestão territorial e busca de alternativas de geração de renda baseadas na conservação ambiental e no fortalecimento das culturas indígenas.

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