24 de abril de 2018

Discurso de Kretã Kaingang fala de violações a direitos indígenas.

Por: Dafne Spolti/OPAN.

“Vocês têm a Constituição toda pra vocês. Nós só temos dois artigos e somos capazes de dar nossas vidas por eles”, disse o Kretã Kaingang, referindo-se aos artigos 231 e 232 da Constituição Federal, em audiência realizada na Comissão de Direitos Humanos do Senado, uma das primeiras atividades do Acampamento Terra Livre 2018, maior mobilização indígena do país. A fala dá o tom do momento pelo qual passam os povos indígenas hoje, com as ameaças constantes que vêm sofrendo a cada dia, principalmente ao direito à terra.

Kretã destacou diretamente o racismo de uma classe dominante como responsável por esse cenário, ainda mais expressivo na região em que vive, o Rio Grande do Sul. “O deputado que fez discurso de que índio, gay, lésbica, quilombola é tudo o que não presta na sociedade foi o mais votado no Rio Grande do Sul”, enfatizou, sem deixar de mencionar falas preconceituosas de outros poderes, inclusive no Supremo Tribunal Federal (STF).

“O racismo hoje é institucionalizado”, afirmou, chamando atenção para a disseminação do preconceito e suas graves consequências. Ele lembrou de três casos de violência extrema cometida contra indígenas nos últimos três anos, todos considerados crimes comuns: a violência contra a mãe da cacique guarani, Kerexú, que teve uma mão amputada, em 2017; o assassinato do professor indígena Marcondes Namblá, espancado com um pedaço de madeira; a morte do bebê indígena de três anos, Vítor Kaigang, em 2015.

Kretã Kaingang chamou a todos para lutarem por suas terras, pela defesa de um Estado pluriétnico, formado por tantas nações indígenas. Falou que não devem aceitar reintegrações de posse em seu desfavor e que, se unidos, vão conseguir defender suas terras, não importa contra quem. “Ou é essa divisão, do agronegócio, ou é nós, do Estado pluriétnico”, concluiu, marcando a oposição que percebe entre a classe empresarial dominante e os povos tradicionais.

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Dafne Spolti

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