Além da casa e dos objetos pessoais, os moradores de Carauari ficaram sem sua fonte de renda. Por isso, uma campanha de arrecadação foi organizada com o objetivo de reunir cestas básicas para as famílias.

As cheias do rio Juruá desalojaram mais de 2 mil pessoas no município de Carauari (AM). Os moradores de comunidades de área de várzea tiveram que deixar suas casas para fugir da inundação. Alguns procuraram abrigo na escola pública da cidade, mas o local também foi atingido pelas águas. Como uma última solução, as famílias têm levantado o assoalho das residências que se mantiveram de pé, para se abrigarem no que restou das casas, ou se aglomeram nos abrigos coletivos que foram improvisados. “Muitos estão com o assoalho de suas casas alagados, sem ter local para ir. Por isso, mesmo com a pandemia, está sendo necessário fazer lotação de pessoas dentro de só uma casa. Eles precisam ficar assim até a água baixar. Existem até seis famílias dentro de um só local, porque a situação está muito crítica”, afirma o presidente da Associação de Moradores da RDS Uacari (Amaru), Franciney Silva de Souza.

Além da casa e dos objetos pessoais, a comunidade ficou sem sua fonte de renda. Com a enchente, os povos que vivem do extrativismo e da agricultura viram o trabalho de um ano destruído. E como as águas ainda não baixaram, eles não podem nem mesmo coletar as oleaginosas, como a andiroba, que movimentam a economia local, relata Franciney. “As pessoas deixaram suas casas por conta do alagamento e perderam toda a produção de suas roças, sem falar nas sementes de oleoginosas, que geram renda.”

Para tentar reduzir o sofrimento das comunidades ribeirinhas do Médio Juruá, entidades de proteção dos direitos indígenas e da região amazônica organizaram a campanha de arrecadação “CESTAS BÁSICAS para ribeirinhos e indígenas do rio“. Ainda no cenário de emergência, a comunidade precisa da doação de cestas básicas, material de higiene pessoal e limpeza, e materiais para a reforma das moradias.

De acordo com o presidente da Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc), Manoel Cosme Siqueira, a comunidade demorará muito tempo para reconstruir tudo que a enchente destruiu. Agora, ressalta, a urgência é por alimentos e outros produtos de primeira necessidade. “As comunidades perderam toda sua produção de agricultura, isso vai produzir reflexos durante todo ano. Como as pessoas vão comprar cestas básicas se a enchente levou toda a produção? No caso das oleoginosas, as áreas de coletas estão inundadas, não tem como coletar nada. As famílias estão passando por uma situação muito difícil. A principal necessidade agora é cesta básica, mesmo. Consultamos a comunidade e eles disseram que a prioridade são os alimentos”, afirma Manoel.

Ajude as comunidades do Médio Juruá

*A OPAN trabalha em parceria com as comunidades locais do médio Juruá e compõe o Fórum Território Médio Juruá no Amazonas

Estado e municípios ignoram decisão judicial e não vacinam indígenas que vivem em cidades

Poderes se esquivam de responsabilidade e descumprem determinação do STF. Desde o dia 16 de março, o ministro Luís Roberto Barroso determinou que o poder público garanta também a prioridade de imunização a essa população.

Seis PCHs ameaçam deixar o rio Cuiabá sem peixes

Pescadores e entidades socioambientais realizam campanha para a não aprovação dos licenciamentos das usinas.

Brigadas indígenas reduzem incêndios florestais no interior e entorno de territórios

Estudo aponta que no período de atuação das equipes focos de calor diminuíram em três das quatro TIs analisadas; na TI Myky, redução de queimadas em seu interior foi de 74%
Nossos Parceiros
Ver Mais